Telhado de Vidro

November 11th, 2007 § 9 comments

Considerando o status do Mark Pilgrim como blogueiro, o seu texto irônico sobre a diferença de instalação do MySQL no Mac OS X e Ubuntu vai estar amanhã no topo do Digg e de todos os outros canais semi-importantes da parte tecnológica da blogosfera.

O que provavelmente não vai aparecer é um argumento sobre o fato de que o texto é uma completa falácia. E me espanta ver alguém como Sam Ruby agir como se o argumento fosse válido e, mais ainda, valioso. Antes que alguém de acuse de ser um fanboy do Mac OS X–pelo simples motivo de também usá-lo–basta ouvir o que eu disse no último Pão de Cast para perceber que entre o Mac OS X e o Ubuntu, em uma escolha única, eu ficaria com este último sem hesitar um segundo.

O argumento de Pilgrim é completamente inválido e o motivo é bem simples: ele assume que qualquer programa que você posso desejar no Ubuntu está disponível pelo Synaptic em um estado completamente funcional e com as características que você deseja. Isso é, obviamente, falso.

Aliás, somando ironia a ironia, o Ubuntu foi criado especificamente para lidar com o fato de que os pacotes do Debian estavam continuamente atrasados em relação às versões mais novas e interessantes dos programas que representavam forçando os usuários a rotineiramente compilarem versões extras de pacotes necessários–ou, pior, rodar a versão de teste como algo comum só para ter acesso aos pacotes novos independentemente dos possíveis problemas de segurança. O Ubuntu ameniza o problema mas não resolve completamente.

Há milhares de programas não cobertos pelo Synaptic e milhares de razões para ter que rodar versões customizadas de um programa. Quem não passou pela experiência de achar um programa que resolve seus problemas e descobrir que a versão disponível para sua plataforma Linux é duas versões mais velhas que a norma e que não será atualizada até uma data bem futura? Gerenciamente de dependência é ótimo, mas não é perfeito.

Resumindo, antes de jogar pedra no telhado dos outros é melhor olhar para sua própria casa.

§ 9 Responses to Telhado de Vidro"

  • Claro que a coisa não é bem assim, mas normalmente não é tão importante assim ter a versão X ou Y de um programa, inclusive do MySQL, já que uma máquina com Ubuntu normalmente será uma máquina desktop, ou seja, a aplicação desenvolvida não vai rodar ali, mas sim em um servidor.
    Se fosse num servidor, que tem que aguentar o tranco e que tem que rodar 100%, eu concordaria contigo.

  • Ronaldo says:

    Pelo menos na minha experiência com o Ubuntu, as razões mais freqüentes para compilar um programa são problemas com características que você precisa e que só existem uma versão superior ou que não funcionam naquela versão. Um caso comum na época do Edgy era compilar o Ruby para a versão 1.8.6 para fazer uso de correções e ficar com a mesma versão no servidor e local.

    No final das contas, eu não estou dizendo que o Mac seja superior ao Ubuntu. Na verdade, como eu disse em um texto anterior, uma das coisas que eu sinto falta no Mac OS X é o apt-get–port e fink não são exatamente. Mas não é o exagero que o Pilgrim falou e existem outros problemas no Ubuntu que dão na mesma.

  • Na boa, esse cara(Pilgrim) parece eu a 10 anos atrás. Pra mim isso é só um tititi bobo.
    O cara foi tão infeliz que ainda pegou o mysql para dar exemplo. O Mysql é um dos poucos software que é ultra fácil de se instalar em Windows, Mac e Linux.
    Eu tenho preferências de Sistema operacional sim e sou até um pouco radical, agora Mysql? mysql é mais portável que Java e mole de instalar.
    Ele podia ter comparado Oracle, java, postgre, ruby aí sim veríamos diferenças.

    Só pra deixar claro, amo Linux e uso a 8 anos mas gosto ainda mais do meu OS X :)

  • TaQ says:

    É, o phpReports mesmo está duas versões atrasado no Ubuntu, agora que eu vi:
    http://packages.ubuntu.com/gutsy/web/phpreports
    http://sourceforge.net/project/showfiles.php?group_id=55870&package_id=50974
    Só usei de exemplo pois eu que mantenho o bicho. :-) E ainda estou atrasado em liberar outro release, argh …

  • Luiz Rocha says:

    O Mark não é um cara moderado, nem emite suas opiniões de maneira ponderada.

    Note que ele sequer habilitou os comentários nesse post. Eu acho que ele sabe da ferida que está cutucando.

    Mas ele tem um ponto que eu acho fundamental. O modelo de gerenciamento de pacotes do Ubuntu (e de vários outros Linuxes) é infinitamente superior aos dois concorrentes proprietários que ele tem hoje.

    Instalar um software é simples e cada vez mais pessoas fazem isso. Seja voluntariamente ou não.

    Manter são outros quinhentos. Ambos o Windows e o MacOSX não vem com uma solucão out-of-the-box que verifique pacotes mais recentes e atualize os mesmos. O Windows até tem aquele Windows Update, mas depende de WGA, só funciona para componentes do Windows e olhe lá.

    De qualquer forma, isso é um problema que não me atinge. Eu não me importo mais com o Windows e não tenho grana (e perdi a vontade) de ter um Mac.

  • Ronaldo says:

    Leonardo, o MySQL era só um exemplo do que ele considera um gerenciamento superior de pacotes. Eu realmente concordo que a solução do Ubuntu é basicamente resolvido. Mas existem outras áreas em que o Ubuntu, por melhor que seja, ainda tem grandes problemas (wireless, video 3D, etc). E para mim isso é o mesmo que dizer que ambos, Ubuntu e Mac OS X, tem um bom caminho a percorrer.

    TaQ, pois é. Eu acho que são mundos diferentes. O gerenciamento de pacotes do Ubuntu atende uma espécie de público, o do Mac atende outro. Existe coisas que a Apple poderia fazer para ajudar desenvolvedores, mas isso é outra estória.

    Luiz, sim, a falta de comentário, pelo menos como eu vejo, é um sinal de que o argumento não está bem fechado. A discussão do blog do Sam Ruby oscila um pouco para fora do tema, mas está rendendo alguns comentários produtivos.

    Eu concordo oque o gerenciamento de pacotes é um alternativa muito superior ao gerenciamento manual. Mas também acho que é uma conseqüência do modo como o Linux funciona, com um monte de bloquinhos para construir o sistema. O Mac OS X é diferente em termos macros, mesmo sendo Unix por baixo. Uma coisa interessante é que basicamente todo programa tem capacidades de se auto-atualizar e que executáveis geralmente são diretórios disfarçados. Isso muda um pouco a figura.

    O Mac OS X tem uma forma de gerenciamento de pacotes embutido. Na verdade, dois. Um para o sistema operacional, que funciona bem similar ao do Ubuntu e outro para aplicações que funciona mais como o do Windows. O interessante seria abrir o primeiro para pacotes de terceiros mas duvido que a Apple queira corre o risco ocasional de ter coisas parando de funcionar.

    Em última instância, eu acho uma questão de público. Eu prefiro o Ubuntu não por causa do gerenciamento de pacotes (embora sinta falta da facilidade às vezes), mas pelo poder ilimitado. ;-)

  • Luiz Rocha says:

    [...] Mas também acho que é uma conseqüência do modo como o Linux funciona [...]

    Acho que temos um tema para o próximo Pão-de-cast. :-)

    Ia postar alguma coisa, mas depois que comecei a escrever, ficou tão longo que vou tentar transformar em post.

  • Mas volta naquela história de que os OSs tem um logo caminho a percorrer. O que desanima é que ambos estão muito atrás do Windows (em número de usuários), que apesar de ser do jeito que é vende bem mais.

    Mas o mundo não é perfeito. E nem justo.

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