Uma Breve História de Quase Tudo

December 26th, 2007 § 0 comments

Desde que me entendo por leitor, meu tipo favorito de livro de não-ficção sempre foi o de divulgação científica. Desde novo, a história da ciência e das descobertas, as explicações das teorias científicas mais modernas–e basicamente qualquer coisa relacionada a isso–sempre foram um ponto de interesse.

Não seria muita surpresa então dizer eu gostei de [Uma Breve História de Quase Tudo], de Bill Bryson. Claramente inspirado no similarmente entitulado Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking, o livro de Bryson se propõe a ser uma viagem não só pela cosmologia, o tópico de Hawking, mas uma descrição de basicamente toda ciência moderna começando, de fato, com a origem no Universo e as implicações do que tem sido descoberto recentemente, mas seguindo depois para praticamente todos demais campos científicos, de astronomia a zoologia, de química a palenteologia, passando por física de partículas, mecânica quântica, evolução e muito mais.

Bryson escreve de uma forma extremamente acessível e teve o cuidado de organizar o livro de uma forma bem lógica em que um tema se segue ao outro naturalmente. Começando com o Big Bang, como notado acima, ele termina com a evolução do homem, tendo estabelecido anteriormente tudo o que é necessário para entender o processo e finalmente questionando o papel e responsabilidade do mesmo face ao planeta em que o mesmo habita. No processo de mostrar cada teoria e cada avanço levando a essa compreensão, ele narra não só o conhecimento adquirido mas as infindáveis lutas (teórias e de ego) que levaram a esse ponto. O livro se tornam então é uma aventura que mostra também o espírito humano que levou aos descobrimentos mostrados e não uma mera exposição de fatos.

O livro não está isento de erros. Qualquer leitor um pouco mais familiarizado com os tópicos notará os pontos em que Bryson escorrega (como quando descreve o mito comum de que o vidro das catedrais européias varia em espessura por ter escorrido com o tempo), embora isso, de forma alguma tire o prazer da leitura. Dentro do mesmo ponto, há momentos em que o livro se mostra datado–mesmo tendo apenas quatro anos de publicação–e um bom complemento ao mesmo é pesquisar um pouco mais sobre as questões deixadas por Bryson dentro do texto. Por exemplo, a descoberta final da matéria negra e suas implicações é recente o suficiente para alterar a compreensão de boa parte do texto de cosmologia em questão.

O estilo do livro é claro e compacto, dividido em dois formatos. Para o passado, Bryson adota um tom mais professoral, seguindo como um historiador pelos caminhos tomados, pelas disputas acontecidas e pelas questões ainda não resolvidas. Para a ciência mais próxima de nosso tempo, ele passa para um tom mais jornalísticos, com citações e pedaços de entrevistas com cientistas contemporâneos intercalando-se com o texto descritivo.

O resultado é um livro agradável e acessível que deixará qualquer leitor interessado encantando com os mistérios e descobertas da natureza. Mesmo uma leitura casual relevará uma abundância de referências que tornarão a mesma ainda mais interessante. Não há como não se divertir também com os episódios narrados por Bryson ao mostrar como o mais bem intencionado cientista pode comprometer um estudo por mero ego ou como a ciência às vezes parece andar mais por sorte do que por competência humana.

Finalmente, depois do que escrevi acima, também não acho que venha como surpresa o fato de que eu recomendo o livro fortemente. Tanto para quem gosta do assunto como para quem quer presentear e incentivar outros, o livro é uma excelente acquisição.

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