Stranger Than Fiction

December 29th, 2007 § 4 comments

Stranger Than Fiction é um belo filme, principalmente pela combinação da prosa explícita e da poesia inerente que permeiam cada momento do filme. Do momento em que Will Ferrell entra em cena, com seus personagem quieto e destituído de brilho–tão diferente de sua representação típica–ao momento em que o personagem de Emma Thompson não consegue parar de tremer pelo que fez e precisa fazer, mas que não deseja, esse combinação define o tom do estória.

O filme não está isento de clichès, é claro; mas, como todo bom filme de meta-ficção, consegue explorar esses mesmos clichès de uma forma que satisfaz o espectador e não se rouba às expectativas formatdas. E ao abraçar esses clichès, consegue converter o seu final em algo que consegue tocar o espectador a despeito de tudo o que já foi dito e feito e que, em tese, o teria preparado para o que vai acontecer.

Para aqueles que não viram, Stranger Than Fiction conta a estória de Harrold Crick, um obsessivo fiscal do IRS, que, subitamente, começa a ouvir uma voz feminina narrando sua vida. Não demora muito e a voz prediz sua morte iminente. Desesperado, ele tenta descobrir o que está acontecendo e se vê personagem de um livro que o conduz inexoravelmente a um final fatídico. Conversamente, a escritora está tentando sair de seu bloqueio criativo e encontrar uma forma de matar Crick que seja coerente com o livro.

A transformação de Crick ao perceber que vai morrer e não pode fazer nada sobre isso é tradicional nesse tipo de filme mas se torna interessante ao ser colocada na perspectiva dos personagens adicionais. Da escritora que deseja desesperadamente encontrar uma forma de matá-lo; ao seu eventual par amoroso, uma padeira cujo negócio ele está auditorando; ao professor de literatura–como sempre uma excelente atuação de Dustin Hoffman–que acredita no que está acontecendo com ele e se propõe a ajudá-lo a resolver o mistério; e, finalmente, aos pequenos personagens que dão o contexto adicional à estória e a resolvem no final, tudo contribui para um conjunto que, sem se desviar do foco comum de estórias com final marcado, consegue ainda assim impressionar.

Eu confesso ser um fanático com esse tipo de estória–das quais He Walked Among Us, de Norman Spinrad é provavelmente o melhor exemplar–mas, a despeito da afinidade natural, gostei da forma como Stranger Than Fiction lida com o progesso da narrativa, especialmente pela ausência de suspense proposital que dá ao filme algo que outros como o similar The Number 23 não consegue obter. E, claro, não dá também para esquecer a trilha sonora calma e sintonizada com as mudanças passadas pelos personagens.

Recomendo para quem gosta desse tipo de gênero e para qualquer um que queira duas horas de uma boa estória contada com maestria.

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