Balanço cultural de dezembro

December 31st, 2007 § 6 comments

Mês passado, quando terminei o mês, achei que não teria tempo para ler nada em dezembro. Entretanto, entre os feriados e oportunidades de viajar, com paradas em aeroportos e rodoviárias, acabei lendo mais do que imaginava.

O resultado de dezembro foi o seguinte:

  • 14 livros
  • 4 filmes
  • 5 episódios de séries

Nos livros, comecei o mês com Fatal Revenant. Este é o segundo livro na tetralogia final da série The Chronicles of Thomas Covenant, The Unbeliever e se mostrou bem melhor do que o primeiro livro. As duas trilogias originais datam da década de 80 enquanto a nova série começou a ser escrita há pouco mais que três anos. Apesar dessa distância de mais de 20 anos, Donaldson encontrou um balanço novo com os livros conseguindo combinar os melhores aspectos dos livros originais com o seu crescimento com o escritor. Como já mencionei várias vezes aqui, esses são os melhores livros de fantasia que já li e o primeiro livro das séries originais foi o único livro em toda minha vida que eu joguei contra a parede por pura revolta contra o personagem principal.

Os dois livros seguintes foram indicações e, embora não profundos, divertidos o suficiente para valer a leitura. A Kiss of Shadows, de Laurell K. Hamilton, é a estória de uma princesa faerie que se esconde no mundo humano com uma investigadora privada. O livro acaba de voltando mais às políticas e intrigadas da Corte Unseelie e me lembrou The Mysteries (sic), de Lisa Tuttle, embora este último seja um pouco mais eficiente.

A outra indicação foi Magic Kingdom for Sale — Sold!, de Terry Brooks, que é a estória de um bem sucedido advogado que perde a mulher e a razão de viver. Um dia, ele encontra um anúncio vendendo a posição de rei em uma terra mágica. Sem nada a perder, ele decidi comprar o reino mágico, e descobre que o anúncio é verdadeira mas que há mais na estória do que ele inicialmente pensava. Bem divertido, o livro é uma leitura rápida. Terry Brooks provavelmente é mais conhecido por suas cópias de Tolkien, que vendem bem porque o povo quer algo parecido, mas que não chegam aos pés de nada que o professor escreveu. Este livro é o primeiro de uma série e foi diferente o suficiente para valer continuar a ler os outros livros.

Os livros seguintes foram uma leitura auto-indulgente: Os sete livros da série de pockets da série The Captain’s Table do universo de Star Trek. Esses livros, leitura super-rápida, contam sobre um bar especial ao qual somente capitães tem acesso, seja de que época ou que tipo de navio ou nave comandam. Não dá para revelar muito sobre o bar sem entregar o que faz a estória especial, mas basta dizer que as surpresas com os personagens serão muitas (e não estou falando somente de personagens de Star Trek). Os livros geralmente são centrados em uma personagem específico que é levado ao bar por um amigo em um local completamente diferente da estória anterior. O único preço para as bebidas é contar uma estória para os demais patronos, verdadeira ou não, mas que seja épica em suas proporções. O resultado é bem interessante e os livros se relacionam uns com os outros em vários níveis. Para quem gosta do universo trekker, a leitura deve agradar.

Dos três livros seguintes, dois já foram resenhados aqui: Freakonomics e Uma Breve História de Quase Tudo.

O terceiro foi Longitude, de Dava Sobel, que a fascinante história de como o cálculo da longitude, um dos problemas científicos e práticos mais difíceis dos últimos séculos, foi resolvido. O livro se foca nos personagens principais e faz um bom trabalho de descrever não só a dificuldade como as intrigas e confusões acontecidas em torno da busca e serve com uma boa visão de como algumas coisas acontecem na ciência, mais por teimosia do que por cooperação.

Fechei o mês com The Cipher, the Diana Pharaoh Francis, outro livro curto mas divertido. Como fantasia, apresenta um sistema de mágica interessante, desviando-se dos padrões de magos e feiticeiros comuns ao gênero. Só por isso o livro já merece uma nota boa. O final é apressado e um pouco amador, mas é provável que os próximos livros da série (sempre séries, é claro) sejam interessantes.

No geral, em termos de livros, o mês foi dedicado a livros curtos e daí o número maior do que o mês anterior. Minha lista para o próximo ano já ultrapassa 200 títulos, e haja dinheiro (que não haverá) e tempo (que, provavelmente, também será curto) para conseguir ler tudo o que quero.

Passando para os filmes, dois deles poderiam ser descartados e só assisti pela famosa preguiça da meia noite: O Homem da Mascará de Ferro e Os Filhos da Máfia. Um dia alguém talvez consiga me explicar com O Homem da Máscara de Ferro conseguiu reunir um conjunto de atores tão bons (John Malkovitch, Gabriel Byrne, Jeremy Irons) e ser tão ruim. Quem leu a estória original de Alexandre Dumas provavelmente esperava algo melhor mas o final é traído completamente pela expediência hollywoodiana e se converte em um lixo de primeira categoria. Não que o resto do filme seja muito superior é claro.

Dos dois outros filmes, gostei muito do primeiro, Stranger Than Fiction, resenhado aqui, e também do segundo, The Bourne Ultimatum. Sou fã da série de livros e gosto igualmente dos filmes embora eles representem um universo alternativos em relação às estórias originais.

Para o próximo ano, mais livros, é claro.

§ 6 Responses to Balanço cultural de dezembro"

  • Fala Ronaldo!

    Comentário apenas para desjear um excelente final de ano e um ano novo cheio das bênçãos de Deus!

    E tb para dizer que eu queria um dia ler 14 livros em um mês heheh.

    Abração e tudo de bom!

  • Ronaldo says:

    Feliz ano novo e um bom, abençoado ano para você e os seus também! Quanto aos 14 livros, é só treinar. :-) Quem sabe isso não vire uma meta para o seu ano. 😛

  • Fala Ronaldo,

    Pois é… para treinar ja comecei comprando o primeiro livro da série The Chronicles of Thomas Covenant, The Unbeliever que você comentou. Fiquei impressionado com sua reação com o livro hehehe.

    Abração,

  • Ronaldo says:

    Cara, Donaldson é o mestre absoluto. Ele escreve fantasia e ficção científica mais eu só li suas fantasias.

    O grande lance é que ele não escreve fantasia para explorar mundos mágicos, locais exóticos e coisas assim. Ele escreve para explorar o mundo dentro dos personagens e faz isso com uma perfeição que poucos autores conseguem rivalizar. Ler um livro dele é algo fisicamente cansativo–não só porque você não consegue parar de ler mas também porque ele consegue lhe colocar tanto dentro da estória que você sofre emocional e fisicamente com o desenrolar da trama.

    Eu não consigo parar de recomendar Donaldson. Não tem autor igual a ele hoje em fantasia–exceto, talvez, China Miéville–e faz tempo que a ficção científica não produz alguém assim. O Charles Stross está chegando lá mas ainda precisa de evoluir um pouco mais.

  • Fala Ronaldo,

    É, realmente você gostou do cara hehe. Bom o livo tá comprado e quando eu ler eu comento minha impressão :-)

    Abração e valeu pela indicação!

  • Ronaldo says:

    Hehehehe. Eu me empolgo, eu me empolgo. :-)

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