Rails for Kids: faltam dois dias

December 13th, 2007 § 0 comments § permalink

No próximo sábado acontece o Rails for Kids, organizado pela e-Genial. O evento, que reune dez palestrantes para falar sobre Ruby, Rails e o mercado, acontece ao longo de todo o dia via TreinaTom e terá toda a sua renda doada para uma instituição de caridade do Mato Grosso do Sul.

Se você ainda não se inscreveu, não perca tempo. A inscrição só vai até amanhã e mesmo que você tenha interesse em somente uma das palestras, será um dinheiro bem gasto. Além disso, os participantes que não puderem ver as palestras no dia terão acesso às gravações das mesmas após o evento. Todo mundo ganha com isso. O preço é R$25,00, bem pequeno para um evento assim. Aproveite e ajude quem precisa.

Contando es/his/tórias

December 13th, 2007 § 2 comments § permalink

Algumas das minhas primeiras lembranças de menino–já um pouco mais crescido, então, e capaz de usar lápis e papel–incluem horas e horas passadas em um canto de sofá desenhando, em traços básicos, infidáveis estórias cujo único propósito era divertir a mim mesmo. As estórias variavam muito em tema e duração mas havia sempre a idéia no fundo de que eu era o protagonista das mesmas, ainda que isso ficasse somente no inconsciente muitas vezes.

Eu sempre gostei de contar estórias. Embora não escreva tanto quando gostaria, eu mantenho uma narrativa constante que, há momentos, parece se interporlar com minha própria vida. Estórias se transformam em histórias em alguns momentos e mesma a memória parece se obfuscar com a presença desses elementos mais do que reais. Aqueles que me conhecem sabem que eu adoro contar uma estória do passado como se fosse verdade–e sempre com elementos–mas com um grande componente de ficção que, algumas vezes, chega até a me confundir.

Nesses momentos, eu me lembro de Lincoln Powell, o personagem principal da magnífica obra de Alfred Bester, The Demolished Man. No livro, Powell se refere ao “mentiroso Abe”, uma espécie de sub-personalidade sua responsável por contar estórias que não são necessariamente mentiras mas que também não são inteiramente verdade.

Isso gerou estórias (ou histórias?) clássicas na minha família como a vez em que eu fui perseguido, junto com um tio que é apenas uma ano mais velho do que eu, por uma mula sem cabeça legítima, soltando fogo pelo pescoço decepado e tudo mais. Eu juro que a estória é verdade. Sério. Pode perguntar para o meu tio que ele comprovará a absoluta veracidade da informação.

Não chega a ser uma compulsão, mas eu confesso que adora ver a cara de espanto das pessoas quando eu conto uma estória e, no tom mais factual possível, apresento uma situação patentemente falsa mas com suficientemente fundo “histórico” para que a pessoa possa ficar na dúvida se estou falando a verdade ou não. Até a mula sem cabeça pode se tornar real por alguns instantes dessa forma.

É a sina do contador de estórias. Depois de um tempo, a família fica vacinada. Pelo menos até que eu consiga outra lembrança da infância. Aí começa tudo de novo. E eu me divirto…

Pão de Cast #7

December 13th, 2007 § 3 comments § permalink

Resgatando o tom ácido dos primeiros episódios, está no ar o Pão de Cast #7 – Edição “Capeta no corpo”. Nesta edição falamos sobre a discussão em torno do Gnome, OOXML e Mono; sobre o papel da cópia do código livre; discussões em torno de linguagens e muitos outros assuntos.

Como sempre, se você gostou dos primeiros, provavelmente vai gostar desse. Se não ouviu nenhum ainda, aproveite para entrar em nossa conversa. Sugestões, críticas e linchamentos públicos são bem-vindos.

The Wheel of Time vai terminar!

December 10th, 2007 § 0 comments § permalink

Como a maioria dos sites de fantasia está anunciando hoje, a série The Wheel of Time vai ser terminada. O destino da série estava meio incerto após a morte prematura de Robert Jordan, mas resolveram contratar Brian Sanderson, um autor de fantasia relativamente desconhecido (em termos do público maior), para completar o trabalho.

Esse tipo de coisa é sempre perigosa, é claro (basta ver o que Brian Herbert fez com o trabalho de seu pai) mas seria difícil deixar uma obra que é considerada uma das maiores série de fantasia sem conclusão. Pela entrevista com Brian Sanderson, parece que ele pode fazer um bom trabalho. Agora é só esperar dois anos.

Rio on Rails

December 8th, 2007 § 13 comments § permalink

Cheguei são e salvo ao Rio. Fazia tanto tempo que eu não vinha aqui que tinha esquecido que a aproximação do Galeão é sobre o mar. Para quem não gosta de pousos, a sensação é bem desagradável. Tirando isso, o dia está quente e bonito e o evento começou bem.

No momento, o Demetrius Nunes está fazendo uma introdução ao Rails e Ruby e pelos olhares atentos o pessoal está gostando. Mostrar um pouco da mágica do Rails é uma coisa que sempre funciona para atrair o pessoal para o que realmente importa. Nesse quesito, o Rails não tem rivais entre os demais frameworks e isso, obviamente, explica muito da sua popularidade. Com esse começo, acho que o pessoal vai se entender bem com o resto das palestras.

Minha palestra ainda é a segunda da tarde e eu já estou nervoso. :-)

Atualização: A apresentação do Nunes terminou, recheada de vídeos do Matrix–eu não posso reclamar, é claro–e foi muito boa, deixando o pessoal realmente com água na boca. Em vista do meu texto de ontem, há uma certa ironia com o fanatismo demonstrado pela comunidade Ruby. O que é, de certa forma, esperado, dada a enorme distância dos outros frameworks, mas não algo do qual gosto.

Atualização: A segunda palestra é sobre o Brazilian Rails, um plugin desenvolvido pelo pessoal da Improve IT com o propósito de facilitar o desenvolvimento em Rails para comunidades falantes de português. Iniciativa legal e do tipo que estamos precisando mais. Agora, usarcomodinheiro :valor foi dose. :-)

Atualização: A terceira palestra do dia é o case do O Curioso que tivemos no Minas on Rails também. A palestra é realmente interessante e mostra um uso real do Rails em uma aplicação com um base enorme de dados (400 mil usuários onde só a tabela de scraps adquirida tem 160GB). “O Curioso é um site pirata mesmo”, diz o Eduardo. :-)

Atualização: A quarta palestra é com o pessoal do projeto Lucidus, da Improve IT. Eu já tinha visto a apresentação em Belo Horizonte com o Vinícius e agora estou vendo com toda a equipe. Como tinha dito no meu breve relatório sobre o Minas on Rails, a apresentação é uma visão excelente do uso do Rails com XP e de como uma equipe pode otimizar o processo ao máximo e basicamente vencer basicamente qualquer obstáculo tecnológico ou social no desenvolvimento. A apresentação foi mais rápida, com um bocado de tempo para perguntas que funciona muito bem nesse tipo de apresentação.

Atualização: A quinta palestra é com o Fábio Akita, falando sobre a mágica por trás do Rails. Para o pessoal que já está impressionado, acho que a palestra vai deixá-los ainda mais de queixo caído. O Akita disse que eu sou culpado por uma mudança na palestra dele. Eu juro que não foi intencional. :-) Aliás, boa citação das três leis de Clarke das quais sou fã de longa data. Aliás, boa sacada de combinar um screencast gravado com uma apresentação. Facilita enormemente se você quer exibir código em certo detalhe. O único problema é a velocidade que tem que ser graduada.

Atualização Parentética: Eu acho que sou o único Ronaldo da comunidade Rails mais vísivel (pelo menos no Working With Rails eu sou o único de dois Ronaldos com um perfil definido) mas todo mundo me chama de Ronaldo Ferraz. Deve ter alguma razão para isso. :-)

Atualizacão: Akita está mostrando as mudanças para o Rails 2.0 usando o tradicional exemplo do blog com as facilidades da nova versão que deixam o exemplo bem mais simples em termos gerais (existem detalhes, é claro, que para o desenvolvedor experiente são mais fáceis que para o novo e não mapeiam bem mas o exemplo geral é muito bom). O mais legal é ver o povo que já desenvolve balançando a cabeça em aprovação das novidades.

Atualização: A apresentação foi muito boa mas algumas coisas poderiam ser cortadas pela semi-impossibilidade de mostrar tudo 100% (como as partes do Ajax, iPhone e algumas outras). Ainda assim, foi bom para o pessoal ver como o Rails se move bem rapidamente em termos de desenvolvimento.

Atualização: Hora da minha palestra. A gente volta daqui a pouco. :-)

Atualização: Acho que a palestra foi razoavelmente bem, mas como sempre é complicado passar DSLs para uma audiência mista. Quem já tem uma experiência mais pesada gosta de código e quem não tem tanta experiência fica meio chocado com o peso. :-)

Atualização: A próxima palestra é com o Danilo Sato falando sobre BDD e RSpec. Eu geralmente prefiro o BDD ao TDD puro e é bem interessante expor mais o pessoal ao assunto.

Atualização: Sempre que eu uso, leio ou ouço sobre RSpec, eu não me vejo fazendo outra coisa. Pode ser da forma como minha mente funciona, mas BDD é muito mais intuitivo e mais interessante do que TDD puro.

Atualização: Palestra final começando com algum atraso. O Carlos Eduardo vai falar sobre Flex, via TreinaTom, algo que deve interessar bastante gente. Quero ver é se a conexão de rede agüenta. Durante o dia estava estável mas bem lenta e cheia de bloqueios. Se der, o pessoal com certeza vai se impressionar com o que dá para fazer em termos de RIA.

Atualização: Acabei de chegar em BH. Cansado mas contente com o resultado do evento. A organização foi excelente, o pessoal do Rio é extremamente solícito e o pós-evento foi bastante divertido, relaxando perto da praia e jogando papo fora com o pessoal. Quase perco o último ônibus para BH mas acabou dando tudo certo. Agora só preciso de descansar para levar o filhote no parque mais tarde.

Para terminar, um obrigado especial ao Vinícius e ao resto da turma da Improve IT / Lucidus tanto pelo convite quanto pelo tratamento do Rio. Foi bom também conhecer algumas pessoas que antes só eram avatares em programas: Cris Dias, que é mais pragmático do que eu imaginava; Fernando Campos, do curso da e-Genial; Fábio Akita; e vários outros que minha proverbial falta de memória impede de recordar o nome. Aliás, eu realmente preciso de alguma técnica de associação: lembrar o rosto e não lembrar o nome é dose.

No resumo, foi um evento muito bom e acho que ano que vem já estamos encaminhados para algo bem positivo por toda a comunidade Ruby e Rails. Agora peço licença enquanto vou jogar um pouco de Need For Speed. Até a próxima.

Rails ou Django? Rails e Django!

December 7th, 2007 § 6 comments § permalink

Os dois frameworks irmãos, Django e Rails, receberam recentemente sua dose de atenção da revista Info. O mais interessante é que, nos dois casos, o Python e o Ruby foram considerados os pontos fracos dos seus respectivos frameworks.

Embora eu não tenha lido as matérias na íntegra, eu imagino que os autores das mesmas tenham pensando em ter que aprender uma linguagem nova como o ponto fraco e não nas linguagens em si como algum problema. Novamente, não posso dizer se os autores são programadores mas, se não forem, também é possível entender porque chegaram a uma conclusão assim.

Negativismo à parte, eu acho interessante a atenção que novas linguagens estão recebendo, principalmente as dinâmicas. O fato de que as linguagens são consideradas um problema é mais uma reflexão do mercado do que da realidade de uso das mesmas. Qualquer programador que valha metade do seu cargo sabe que aprender novas linguagens é essencial para sua permanência no mercado, mesmo que ele vá usar uma delas na maioria do tempo.

A proximidade das matérias me leva a crer que a consciência do Rails, Ruby, Django e Python está crescendo como nunca. Quando matérias desse tipo se tornam mainstream, não demora muito para que se filtrem também para o topo da escala decisória.

O que fica, pelo menos como eu considero a questão, é uma lição para programadores Web. Aprender somente Ruby ou somente Django pode ser menos trabalhoso mas aprender os dois provavelmente faz bem não só para sua carreira em termos de crescimento técnico como também em termos de mercado.

Amanhã é o Rio on Rails

December 7th, 2007 § 4 comments § permalink

Amanhã é dia do Rio on Rails e eu estarei lá para mais uma palestra. O assunto é Domain Specific Languages, sobre o qual já falei no Minas on Rails. Dei uma melhora e incrementada no material–no dia do Minas on Rails eu tive que correr um pouco por causa do tempo bem limitado–e acho que dá para explicar bastante o que são DSLs e como elas podem ajudar qualquer programador.

Se você se interessa pelo assunto–sendo Ruby ou não–e mora no Rio, apareça. Nos vemos amanhã.

Turbo

December 6th, 2007 § 6 comments § permalink

Minha primeira ferramenta de programação foi o Turbo Pascal 5.0, nos idos de 1994. Um disquete de 5 1/4 distribuído pelo professor era o meu acesso a um mundo que me interessara desde minhas primeiras leituras sobre computadores e a capacidade dos mesmos de serem programados para o que quer que fosse preciso. Da versão 5.0 pulei rapidamente para a 5.5, que oferecia um suporte incipiente a OOP, e para a 6.0, na qual era possível fazer coisas bem mais interessantes com objetos e gráficos. Cheguei até a programar um ambiente gráfico antes de descobrir, desapontado, que o trabalho era muito para competir com o Windows.

O interesse por produtos da Borland não morreu cedo. Depois de um breve trajeto com o Turbo C++ 3.0, eu programei em Delphi de 1997 a 2003, com retornos esporádicos até 2006. Com a mudança das firmas onde eu trabalhava para o mundo .NET e os freqüentes erros estratégicos da Borland, uma das ferramentas que mais me deu prazer em trabalhar foi ficando para trás. Ainda tenho uma cópia do Delphi 6 Professional que comprei com meu próprio e suado dinheiro e cujo CD provavelmente já está parando de funcionar.

Depois de tanto tempo longe da comunidade–eu era um piolho nos famosos grupos de discussão do Borland, respondendo tudo o que podia, principalmente na área de desenvolvimento Web–eu confesso que fiquei surpreso ao descobrir que a Borland voltou com sua linha Turbo, atualizada para os tempos modernos. Há o Turbo Delphi, uma versão moderna do Turbo C++ e, pasmem, Turbo Delphi for .NET e Turbo C#.

Obviamente, são versões reduzidas dos produtos maiores equivalente, que concorrem sem muito sucesso contra o Visual Studio, mas é interessante receber uma lufada no passado remodelada para o mundo moderno de programação. Como a versão básica do Turbo Delphi é grátis, meus dedos estão coçando para experimentar novamente o mundo Borland.

Melhor do que isso só uma versão nova do Turbo Pascal.

IE8

December 6th, 2007 § 4 comments § permalink

Parece que a Microsoft finalmente aprendeu sua lição: já estão anunciando a próxima versão do IE. Sendo só um anúncio de que a versão existirá em algum futuro, não há detalhes sobre as características possíveis. De qualquer forma, é uma boa notícia. Todo desenvolvedor Web minimamente interessado em padrões já estava começando a se preocupar, principalmente em vista do Firefox 3. Pode demorar um pouco, como na versão anterior, mas é provável que o grau de compatibilidade se mantenha. Novamente, é uma boa notícia.

Cinco sinais de que alguém é um zelote

December 5th, 2007 § 7 comments § permalink

Ninguém gosta de zelotes. Zelotes não acrescentam à discussão; antes, eles escondem a discussão atrás de justificativas suaves que parecem dar abertura à posição contrária mas sem realmente permitir qualquer diferença de opiniões. Em tecnologia isso é tão comum que as pessoas consideram normal–e até visto como um sinal de paixão em muitos casos–mas qualquer excesso é detrimental.

Cinco sinais de que alguém é um zelote:

A pessoa tem um foco único

Ela não consegue se afastar do único tópico que aprova. Pode até citar outros, mas as comparações são sempre desfavoráveis, para provar como sua posição é a melhor, como é possível fazer tudo o que o outro faz com o que você possui. Zelotes não entendem que existem múltiplas soluções e sentem medo de que seu domínio do problema fique obsoleto.

A pessoa faz afirmações abrangentes sem qualificação

Zelotes adoram dizer que algo é bom porque é bom e pronto acabou. Não existem comparações e qualquer um que uso a outra opção é porque ainda não viu a única e verdadeira religião. Se alguém afirma o contrário, montanhas de informação são recuperadas para provar que o outro lado está intoleravelmente errado, mas a informação é sempre voltada para provar um único lado sem considerar qualquer outra posição.

A pessoa cita textos fora do contexto

Zelotes adoram pegar partes de algo que foi escrito e citar fora de contexto para dizer que seu ponto está sendo provado. Não importa se o resto da informação contradiz o que estão falando. Para isso, há sempre um jeito de não citar a fonte original deixando a informação mais difícil de categorizar.

A pessoa adota um ar de humildade ao falar do outro

“Eu também usei, recomendo, aliás recomendo todos. Não é que o meu seja melhor”, é uma frase comum de um zelote. Só que na verdade, o outro lado nunca é visto. O zelote sempre vai arranjar uma desculpa para “provar” que o seu é melhor.

A pessoa só se engaja em discussões para defender suas posições

Um zelote nunca contribui para uma discussão acrescentando características positivas do lado contrário. Sempre que ele está em um discussão é para afirmar mais um ponto do que ele acredita mesmo que ele não esteja sendo atacado em qualquer forma. Na verdade, ele vê qualquer discussão como um ataque já que não tem confiança. Uma desculpa freqüente é dizer que é um evangelista do objeto em questão

E um bônus:

A pessoal começa a falar na terceira pessoa do singular

Zelotes adoram dar um ar majestoso às suas declarações. E nada mais “belo” e “importante” do que falar na terceira pessoa como se você fosse mais do que uma pessoa. Eu não sei dos outros, mas qualquer declaração me terceira pessoal já tira qualquer possibilidade que eu escute a pessoa com seriedade. E quem gosta de terceira pessoal geralmente gosta também de títulos esdrúxulos.

Eu realmente não tenho muita tolerância com zelotes e não quero me tornar um. Se um leitor perceber algo assim, pode puxar a orelha. Paixão é bem-vinda, necessária, mas não sob a desculpa de que o resto é ruim por definição. Se é, prove. Eu também.

Where am I?

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