Para 2007, eu tinha a meta de ler 150 livros. Não consegui. Entre cuidar da firma e outros detalhes da vida, fiquei em menos do que 50% da meta. Mesmo assim, consegui quase dobrar o que li no ano passado, o que já é uma avanço.
O resultado final do livro, entre livros, filme e séries, ficou assim:
- 68 livros (38 no ano anterior)
- 106 filmes (68 no ano anterior)
- 200 episódios de séries (386 no ano anterior)
Continuando sem assistir nenhuma peça de teatro ou show. Definitivamente eu preciso deixar que a minha esposa me convença a sair.
Minha lista de destaques para o ano seria a seguinte:
Livros
- Peopleware, por Tom DeMarco e Timothy Lister
- Uma obra seminal que todos desenvolvedores e gerentes na área de desenvolvimento deveriam ler. O tema é equipes e projetos produtivos e os conselhos são extremamente atuais e, infelizmente, ignorados por quase todo o mercado. A implementação de qualquer conceito do livro, por menor que seja, já é um avanço em basicamente qualquer ambiente.
- Vellum, por Hal Duncan
- Vellum é quase impossível de ser descrito. Como eu mencionei quando li, a pancadaria intelectual e o esforço de acompanhar os múltiplas temas e as dezenas de linhas da estória tornam o livro em esforço–que, no final das contas, é plenamente recompensado pela profundidade da trama. Um livro sobre o multiverso não poderia deixar de ser um multiverso em si mesmo.
- Eifelheim, por Michael Flynn
- Eifelheim vai permanecer com uma das melhores estórias de primeiro contato que eu já li. A serenidade, nostalgia e incompreensão implícitas em cada capítulo tornam o livro difícil de ser esquecido mesmo quando você está lendo em alta velocidade pela curiosidade de saber o que vai acontecer em seguida.
- Dreaming in Code, por Scott Rosenberg
- Dreaming in Code é um desses livros que surgem uma vez por década, analisando o mercado de uma forma nova e franca. Scott Rosenberg faz um trabalho exemplar de entender porque projetos funcionam ou não, ao mesmo tempo em que passa por toda a estória do desenvolvimento.
- Soon I Will Be Invincible, por Austin Grossman
- Extremamente divertido, cáustico e ao mesmo tempo suave nas divagações de seu personagem principal, esse livro apresenta de uma maneira bem inovadora os clichès de super-heróis, transformando cada um deles em algo interessante e bem pensando.
- Blindsight, por Petter Watts
- Blindsight é outra pancadaria mental, dessa vez lidando com a questão do que realmente é ser consciente. Passado em um futuro próximo, o livro acompanha um grupo de personagens em um primeiro contato com uma espécie realmente alienígena–tão alienígena que ao final do livro é impossível realmente entendê-la embora a trama criada por Watts analise profundamente as implicações dessa própria dicotomia. Além disso, o livro tem vampiros. Como não gostar de vampiros?
- Ventus, por Karl Schroder
- Combinando nanotecnologia com uma semi-fantasia é algo que poucos autores conseguem fazer. Schroeder não só consegue a proeza, mas cria um mundo referescantemente inovador que se desvia completamente dos estereótipos no gênero. Vale a pena cada palavra.
Filmes
- 300
- Graficamente um dos melhores filmes de 2007 com uma estória que não fica atrás. O filme mereceu cada resenha positiva e, controvérsias à parte, é suficientemente fiel ao espírito da estória para não perturbar nem mesmo o fã mais cruel da novela original
- The Fountain
- Belíssimos visuais, uma estória convincente e uma final bem pensado tornam esse um dos melhores filmes de 2007. A estória de uma amor incompleto separado por três intervalores de 500 anos é executada com maestria pelo diretor e atores e dá um filme que compensa repetidas sessões.
- Pan’s Labyrinth
- Visualmente suave com uma estória capaz de afetar mesmo o mais duro espectador, esse é sem dúvida um filme que será lembrado com um clássico. A ambiguidade proposital e o tema do fim da inocência–mais para o espectador, inclusive, do que para os personagems em uma Espanha dilacerada pela guerra tornam o filme momentoso e antológico.
- Letters from Iwo Jima
- Clint Eastwood já se provara como direto com Mystic River e aqui se superada. A delicadeza do filme é algo que não será tão facilmente superado nos anos futuros em filmes similares. E Ken Watanabe continua a impressionar com suas atuações contidas e, por isso mesmo, extremamente poderosas.
- Sunshine
- Poderia ter sido um clássico de tivesse deixado de lado a sub-estória relacionada ao fanatismo religioso e colocado mais ênfase nas relações internas da tripulação. Mesmo assim, um filme que compensa mais de uma sessão e que é visualmente perfeito em cada uma de suas cenas. E reiniciar uma estrela não é algo que se faz todo dia.
- Stardust
- Pela fidelidade ao livro e pelo visual merece figurar na lista. Niel Gaiman é um escritor excelente e seu relativo controle sobre a adaptação se provou muito bom para o resultado final. Fantasia de primeira qualidade.
- Ratatouille
- Animação perfeita. Encantador.
- Tranformers
- Eu confesso: assustei os outros espectadores no cinema com meus gritos empolgados. Voltei completamente à infância.
- Stranger Than Fiction
- Um belo filme com interpretações perfeitas dos personagens principais em um conto que mostra uma grande humanidade e uma grande compreensão das motivações humanas.
Séries
- House
- A terceira temporada foi cáustica e agitada. A quarta não começou tão bem embora a parte “Survivor” tenha sido suficientemente divertida. Ainda assim, continua a valer cada episódio no geral.
- Battlestar Galactica
- Esperar a quarta temporada está se provando uma proposição complicada. Poucas séries que eu já vi conseguiram combinar política, negócios, religião, questões sociais de uma maneira tão eficiente e carregada de tensão.
- Star Trek: The Next Generation
- Eu confesso que prefiro à série original. Picard é o capitão estado-da-arte e isso já e suficiente para dar uma ou duas voltas em torno do Kirk.
Em 2008, mais livros e menos séries. Eu prometo.

Legal!!!
Sua retrospectiva me deu uma ajuda de quais livros ler este ano =)
felicidades para 2008.
abs.
Fala Ronaldo,
Digo o mesmo que o Caio hehehe.
Sobre Transformers, para mim esse foi o filme de 2007. Fantástico.
Abração.
Caio, de nada.
Espero que você se divirta o mesmo tanto que eu me diverti.
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Rafael, Transformers foi bom demais mesmo. Eu já estou conseguindo até imitar os barulhos dos robôs de tanto que assisti.
Ola Ronaldo! Sou um leitor assíduo desde o primeiro pão de cast e digo-lhe que você é uma pessoa que realmente inspira a intelectualidade do ser, apesar de eu não me considerar nada intelectual, principalmente observando o número de livros que você leu nesse ano. Caramba! Mas tenho algumas dúvidas…, você disse em um comentário de um post anterior que não usa leitura dinâmica, só prática e alguns truques. Bom…, não quer compartilhar esses truques com a galerinha?(Eu). Também sou de BH, você compra livros em alguma loja aqui ou na Net? É bom descobrir se tem alguma técnica, ou lugar especial onde consegue compra-los mais baratos.
Abraço,
Cleydson
Obrigado por acompanhar o blog e palas palavras.
Sobre aumentar o número de livros lidos, eu escrevi um texto ano passado justamente sobre o que eu faço. São dicas simples mas que ajudam a engatar mais na leitura:
http://logbr.reflectivesurface.com/2007/02/03/lendo-mais/
Sobre os livros, eu compro em dois lugares principalmente:
1. Fictionwise, quando a versão eletrônica dá para ser lida tranqüilamente (isto é, não tem muitas imagens ou código). O preço é bom, mas tem DRM
http://www.fictionwise.com
2. Livraria Cultura. Bom preço e entrega rápida. Muitas vezes eles já tem mesmo livros importados em estoque para entrega rápida.
http://www.livcultura.com.br
Fala ronaldo,
HAHAHAHA taí uma cena que eu gostaria de ver: vc imitando os sons dos robôs HAHAHA
Fica a sugestão para o próximo pão de cast HAHA
“Eu tenho medo dos homens que lêem um livro profundamente”
Rafael, mas de jeito nenhum. Já basta a minha família inteira tirando onda da minha cara.
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Luiz, confesso que não entendi.
Rapaz sempre que leio teus posts sobre o balanço cultural fico com água na boca… srssrrs.. queria conseguir administrar meu tempo pra poder ler pelo menos 1/3 da quantidade livros que vc lê… vc tah de parabéns!!
O esforço necessário não é muito.
Eu já até postei um texto sobre algumas das estratégias que uso. É só procurar no blog por “Lendo Mais”.
[...] viram o balanço cultural 2007 do Ronado Ferraz, autor do Superfície Reflexiva? Durante o ano em questão ele foi capaz de ler um [...]
“Eu tenho medo dos homens que lêem um livro profundamente”
Esta frase é tão profunda quanto a leitura de um livro com absorção excelente. Eu tenho uma visão um pouco diferente… de forma alguma estou dizendo que a sua incrível velocidade de leitura faz com que você leia por ler! Mas… você já experimentou ler um livro em vez de dez, e em algum momento se perguntou como o autor chegou aquelas conclusões, o por que se sentiu motivado a escrever e principalmente o que aquilo significa na vida dele e o que pode ser aplicado na sua? É uma simples forma de encarar um livro, que para mim faz toda a diferença
Abraços,
Luiz.
Eu li meu texto novamente, para conferir, e não disse que leio livros profundamente. No texto, eu disse que um livro possui uma trama profunda, ou seja, rica, detalhada; e que em outro o autor faz uma análise profunda de um tema, como explicado mais abaixo.
Eu não sei se você acompanha o blog mas esse questionamento não só já foi respondido como as resenhas que eu faço mostram que eu me preocupo com o que o tema está sendo discutido pelo livro. Coincidentemente, hoje respondi algumas questões para o André Valogueiro falando que o mais importante para mim é justamente o diálogo com o livro (vide a entrada “Leitura não tão dinâmica”).
Eu não digo que leio 68 livros por ano para aparecer. É um simples contagem daquilo que estou fazendo com alguns comentários rápidos que podem ajudar outras pessoas a escolher os próximos livros que vão ler. O detalhamento é um incentivo para que outras pessoas também sintam vontade de ler o que eu estou lendo. Pelas respostas, acho que pelo menos esse objetivo está sendo cumprido.
Quando digo que o autor analisou algo profundamente, é porque eu gastei tempo pesquisando e fazendo um diálogo com o autor (indiretamente, é claro). Vou usar Blindsight como exemplo, já que fé o livro em questão. No final do livro, como na maioria das estórias que Peter Watts escreve, há uma bibliografia com os dezenas de trabalhos e textos que ele consultou, e o que ele pensa sobre determinados assuntos tratados no livro. Essa bibliografia é tão ou mais rica que o livro e fornece um bom material para pesquisa do que Watts usou para compor a trama. Neal Stephenson é outro autor em que verificar material secundário é quase tão importante quando ler a estória.
Eu acho que, em última instância você assumiu mais do que deveria pela leitura de um único texto. Eu diria que isso não é muito diferente de ler um livro sem parar para pensar em porque o autor chegou àquelas conclusão, o que o motivou e o que aquilo significa para ele.
Só discordo dos Transformers… para mim o filme foi a grande decepção de 2007.
Eu acho que quem era muito fã dos robôs e conhecia mais os desenhos e a mitologia se decepcionou mesmo. Eu fui de curioso, porque conhecia mas pouco, e gostei demais dos efeitos. Tudo bem, a estória é bem simples mas o resto…
Ei! Eu não to julgando ninguém
E muito menos com a intenção de falar que você não faz algo certo! Eu fiquei fascinado pelos seus ensinamentos, parabéns. Só toquei no assunto de que a leitura é um processo que instrui um ser e o faz pensar diferente, e para isso acontecer (para a maior parte das pessoas) é necessário um tempo maior e reflexão. Abraços
Bem, peço desculpas se exagerei na reação. Eu tinha prometido não fazer isso em uma entrada e pedir desculpas publicamente sempre que isso acontecesse.
Eu entendo o seu ponto e realmente acho que as pessoas devem refletir mais sobre o que estão lendo. Afinal de contas, um dos propósitos primários da leitura é justamente isso.