Em nome do que há de melhor em nós

January 6th, 2008 § 9 comments

Meu filho completa quatro anos no meio do ano. Já se vão três anos e meio de incrível aprendizado e reviravoltas completas na minha vida para manter esse pequenino o mais confortável e bem cuidado o possível.

Três anos atrás eu escrevi sobre a incrível experiência de ver meu filho de cinco meses com a consciência de que eu era alguém importante para ele. Essa é uma das memórias que andam comigo no dia a dia como uma jóia preciosa capaz de me animar nos momentos mais complicados, quando eu me deito para dormir e me preocupo com as decisões que preciso tomar para garantir que a minha família esteja bem a cada dia.

Os anos entre esse momento e o dia de hoje foram cheios de momentos que estão se cristalizando da mesma maneira. Obviamente, eu tenho um único filho com o qual julgar a experiência mas eu me impressiono com os pequenos eventos que acontecem–como imagino que se dá com qualquer pai. Como não se sentir orgulhoso quando seu filho entende que naquele mês não poderá comprar algo que deseja porque o papai está sem condições. E entender realmente, perguntando e respondendo de uma forma que você não acreditaria possível a uma criança de três anos. A curiosidade e o cuidado com o pai durante a recuperação de uma doença. A ligação com a mãe e a confiança implícita.

Recentemente, conversando com uma amiga e cliente, ela mencionava como ainda se preocupa com os seus filhos de vinte e dezoito anos, como ainda quer e sempre desejará protegê-los, embora saiba que já há muito tem que deixá-los aprender com seus próprios erros. Eu ainda estou muito longe desse momento, é claro, mas consigo imaginar facilmente a sensação. Esse é um aprendizado para toda uma vida.

Qualquer dia desses, o próximo chega. Não, ainda não estamos com um próximo a caminho. Mas estamos no processo e eu acredito que tudo será tão e mais recompensador com uma família acrescida de mais um. Nós somos o passado de nossos filhos e Sterling estava certo: essa não é uma sensação ruim. Antes, é a consciência de que o tempo não é um inimigo, mas o próprio agente do que há de melhor em nós.

§ 9 Responses to Em nome do que há de melhor em nós"

  • Muito bom o texto.
    Inspirador :-)

  • Ronaldo says:

    Opa, muito obrigado. :)

  • Inspirador?
    Se tivesse outra palavra para expressar isso eu a escreveria.
    Muito bom o post Ronaldo.
    Abraços!
    (e boa sorte!) 😉

  • Nando Vieira says:

    Antes eu subestimava o Guga (5 anos), mas não mais.

    Ele está no curso de inglês, e fico sempre falando coisas em inglês para ele não se sentir intimidado. A Bete, minha esposa, não sabe muito bem, mas também tenta estimulá-lo. Certa vez ela disse para ele que só faria as coisas que ele queria se ele pedisse em inglês. E ele foi falando.

    De noite, ela pediu um travesseiro, e ele disse que só pegaria se ela falasse em inglês… Ferrou! Ela não sabia e falou “Bed”. Resposta dele: “Duh mamãe… você quer que eu traga a cama?!?”…. Espertos demais.

    Cada dia um novo aprendizado, e assim vai até o dia em que morrermos.

  • Ronaldo says:

    Opa, Lucas! Tudo bom? Agora você me deixou envergonhado. :-) Quanto à sorte, graças a Deus o “pacotinho” (nosso apelido para ele desde o primeiro dia) é bem bonzinho. Apronta das duas, mas é muito obediente.

    Nando, é exatamente isso. :-)

    Eu me lembro de ter começado a ler com mais ou menos cinco anos, mas o Marcus, pelo visto, vai começar antes disso. O tipo de fraseado e a interação dele com o ambiente são coisas que me impressionam a todo momento. Agora que ele gamou com o computador, já está navegando, jogando e brincando como gente grande.

    O que me deixa bem interessado no que essa nova geração que está crescendo vai fazer não só em tecnologia mas em política e na sociedade em geral. Vão ser tempos interessantes.

  • Evilasio says:

    Ser pai deve ser algo realmente gratificante. Ter aquele serzinho lindo, frágil, e saber que você é a causa dele estar lá agora.. Enchê-lo de amor…

    Realmente alguns pais super-protegem os filhos. E dizem que esta proteção excessiva, em muitos pontos, pode até atrapalhar…

    Um abraço!

  • Ronaldo says:

    Ter um filho é uma experiência no mínimo única. Hoje eu pedi à minha esposa que comprasse um pote de sorvete e ela pediu a ele que a lembrasse–ele gosta de participar desse processo de compra. A primeira coisa que ele me disse quando chegou em casa, algumas horas mais tarde foi: “Pai, eu trouxe para você sorvete delicioso e muito gostoso”. Esse tipo de coisa é muito legal. :-)

    Eu tento proteger sem excessos, deixando que ele experimente um pouco da complexidade da vida. Nem tudo são flores e ele precisa ser preparado para crescer bem. É um balanço delicado.

  • Diogenes says:

    Imagino a satisfacao que deve ser ter um filho; perceber e acompanhar o seu desenvolvimento ao longo do tempo!

    Eh claro que nao eh algo que se compare mas, eu, com a minha cadelinha jah me divirto, e confesso que muitas foram as vezes jah que senti aquele calorzinho agradavel por dentro ao ve-la satisfeita com tao pequenas demonstracoes de carinho! E eh bacana ver q ela cresce, e a cada dia experimenta coisas cada vez mais ousadas!

    Parabens por ter essa dadiva de Deus em sua responsabilidade, Ronaldo…e pelo privilegio de ter esses momentos unicos desenhados em sua memoria, e sua vida!

  • Ronaldo says:

    Obrigado pelas palavras. Realmente é uma dádiva de Deus poder compartilhar esses momentos com meu filho e ser uma força em sua vida. Responsabilidade enorme, mas bem gratificante.

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