Twitter, um pequeno balanço

January 9th, 2008 § 7 comments

Twitter:
[1] talk in a light, high-pitched voice
[2] idle or ignorant talk

The Oxford Pocket Dictionary, 2007 edition

Com as definições acima, é difícil entender porque o nome Twitter foi escolhido para um serviço cuja intenção é ser popular. Por outro lado, talvez o nome seja uma grande piada.

Eu estava devendo ao Sérgio algumas considerações sobre o meu uso do Twitter, prometidas desde o BlogCamp MG, quando comecei a empregar a ferramenta. Nesse época fiz uma pequena cobertura do evento tanto pelo Twitter quanto pelo blog para experimentar as diferenças entre os dois modelos. Como eu nunca havia defendido o uso do Twitter, o Sérgio, que também não vai muito com a ferramenta, ficou curioso sobre a questão. Aliás, em meu primeiro uso do Twitter, fiz uma referência a essa dualidade na minha posição.

Eu não vou dizer que cheguei a uma grande revelação sobre o Twitter até pelo fato de que meu uso do mesmo é esporádico–para não dizer inconstante. Embora eu tenha continuado a postar comentários no mesmo em cima do moto de dizer o que eu estou fazendo no momento, não posso ser considerado um usuário pesado.

A única conclusão real que eu cheguei em relação ao mesmo foi que o Twitter reduziu as barreiras no uso de uma tecnologia próxima, o IRC. Esta última sempre foi muito popular mas é dependente de ferramentas específicas na forma de um cliente mais pesado e da escolha seletiva dos canais aos quais a pessoa quer se subscrever. O que o Twitter faz é mudar a equação criando uma nova forma de subscrição baseada em pessoas e não em canais. Obviamente, por ser baseado em pessoas, o foco é muito mais esparso, mas o surgimento de técnicas de tracking de assuntos específicos resolve isso em uma certa medida.

Esse efeito é visto principalmente na coordenação e acompanhamento de micro-eventos como encontros, conferências e desconferências. Basta criar um canal transiente para monitorar o assunto e a disseminação de informações é facilitada. Não há a necessidade de um cliente específico exceto o navegador e não há a dificuldade em manter uma conversa entre os participantes como aconteceria em uma ferramenta de instant messaging comum.

Por baixar essa barreira, a única vantagem do Twitter para mim é manter uma apanhado geral do zeitgeist das pessoas que estou seguindo e, com um pouco mais de distância, das pessoas que elas estão seguindo. O resultado é uma pequena consciência, se as pessoas certas forma escolhidas–certas no sentido de que são amigas pessoais ou transitam o seu mercado de interesse–daquilo que está acontecendo no momento. Tirando isso, minhas outras ressalvas permanecem.

O Twitter é uma ferramenta barulhenta, que tem um potencial enorme para atrapalhar a produtividade pessoal se mal utilizado. Mais do que IM, por causa da liberdade de não ter que pedir licença: se você segue alguém, a licença está implícita. O fluxo de consciência gerado pelo Twitter depende de um investimento de tempo que, para aqueles que tem dificuldade de segmentar sua atenção, pode ser muito problemático.

Da mesma forma, o zeitgeist acima citado pode ser duvidoso já que consiste em uma janela tão pequena como os blogs que você segue–ou talvez ainda menor. Se você segue pelas relações de mercado, não há muito problema já que o importante é manter essas relações. Se você segue em busca de insights, aqui há dragões.

Tudo isso dito, eu devo continuar a usar o Twitter com as mesmas restrições que aplico ao meu uso de IM. Eu procuro seguir à risca as convenções expressas nas mensagens de status e me dou o direito de ignorar mensagens quando meu status não está aberto. No caso do Twitter, isso implica em um uso liberal do comando off.

Se há uma ilustração útil para fechar este comentário é que o Twitter terceirizou (ou globalizou) a conversa de escritório. As mesmas restrições se aplicam. E aqueles que acham que o seu chefe não está lendo o que você escreve no Twiiter, cuidado: ele pode estar ouvindo sobre o seu ombro sem que você perceba.

§ 7 Responses to Twitter, um pequeno balanço"

  • Seu tivesse esste texto sem saber a fonte eu apostaria que seria seu :-)

    Muito denso, vou ler depois com mais calma pra entender melhor…

    Por ora ficou claro por que não gosto do twiiter… pelos mesmos motivos que não gosto de mensageiros instantâneos… a sincronicidade da comunicação quando eu não a quero…

    []’s

  • Luiz Rocha says:

    Ainda estou me decidindo se o Twitter é algo útil ou não…

  • Faço minhas as palavras do Luiz.

  • Ronaldo says:

    Sérgio, caramba! Se está denso assim, acho que preciso maneirar um pouco. Depois me diz o que achou. :-)

    Luiz, por que eu tenho a impressão que daqui a um tempo você vai apagar um texto sobre isso? :-)

    Rafael, só tome cuidado para não ficar viciado antes de decidir que não é útil. O fluxo de informações “interessantes” pode distrair bastante. :-)

  • Luiz Rocha says:

    Porque eu tenho um controle de qualidade bastante rígido. Toda vez que eu escrevo alguma coisa que está acima do meu padrão, eu apago. 😉

    Em um comentário mais sério, eu sou fresco mesmo com o que eu publico. Não me importo com SEO, rankeamento em sistemas de busca, reconhecimento e etc., por isso, quando acho que o que eu escrevi é muito inútil ou besta, eu apago sem dó.

  • Ronaldo,

    Valeu pelo conselho :-) Vou ouví-lo. Mas sigo testando :-)

    Luiz (sem querer me meter mas já me metendo), acho que a gente aprende lendo as besteiras que a gente escreve. Apagar, IMHO, faz com que a gente se lembre menos frequentemente e acabe cometendo esses erros novamente :-)

  • Luiz Rocha says:

    Rafael, a questão não é acertar ou errar e sim gerar ruido desnecessariamente.

    Eu apago — ou “editoro”, para ficar menos nocivo :-) — meus textos quando eu acho que ele vai acrescentar pouco (ou nada), independente de estar correto ou não.

    Veja que muitas vezes eu mesmo falho em me filtrar, uma vez que tem montanhas de coisas inúteis no meu blog. Mesmo assim, eu tento fazer a minha parte na redução de emissão de poluição de conteúdo na Web.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

What's this?

You are currently reading Twitter, um pequeno balanço at Superfície Reflexiva.

meta