A nostalgia de coisas futuras

January 10th, 2008 § 2 comments

Esses dias me peguei pensando em como as coisas mudam de proporção à medida que nos tornamos mais velhos. Eu estou para completar trinta anos, nasci no século passado, e quando meu filho estiver com seus vinte anos, ele olhará para trás com espanto em relação a esse fato.

Eu não me preocupo. Esse processo natural é algo que internalizei quando tinha apenas um dia de vida, como uma amiga minha costumava brincar. Mas eu não consigo deixar de sentir uma certa nostalgia das coisas futuras, as coisas que serão comuns daqui há algumas décadas e que estarão fora do meu alcance.

Talvez isso seja o resultado de ler tanto ficção científica, mas acho que todo mundo sonha com essas possibilidades. Com tantas mudanças e relances de novas tecnologias, mesmo os sonhos mais futuristas parecem estar quase ao alcance de nossas mãos.

Recentemente, ao ler sobre um projeto que fotografou pessoas que ainda estão vivas e passaram pelos últimos três séculos, eu fiquei imaginando o enorme escopo de transformações que essas pessoas vivenciaram. Algumas delas nasceram em uma sociedade que ainda era pré-industrial e agora vivem em um mundo dominado por tecnologia que seria considerada mágica quando estavam em sua infância. Quando choque futuro essas pessoas devem ter sofrido, eu não sei. Talvez nenhum. Talvez os enormes passos do começo do século passado as tenham preparado para as mudanças que viriam depois.

Eu acho que este é um bom projeto futuro. Viver para ver o nascimento do século vinte e dois. Com o passo crescente do desenvolvimento humano–e mesmo ignorando a possibilidade de uma Singularidade Tecnológica–talvez não seja um objetivo tão distante agora.

Talvez o próximo século ainda não traga a possibilidade de viagens ao espaço exterior. Talvez não seja uma época de pós-escassez ou mesmo de uma solução mais permanente para o dilema da desigualdade que permeia o planeta. Talvez seja apenas mais do mesmo em um grau um pouco maior.

Mas talvez seja o contrário. Talvez seja o ponto em que a humanidade terá entendido que não precisa de divisões territoriais para prosperar. Talvez tenhamos criado o nosso primeiro bastião no espaço exterior, em um certo planeta vermelho, um ponto que sirva como base para outras explorações. E talvez tenhamos entendido um pouco mais do enorme universo que nos cerca.

É uma nostalgia das coisas futuras, das possibilidades que virão. Eu as saúdo.

§ 2 Responses to A nostalgia de coisas futuras"

  • […] A nostalgia de coisas futuras – Superfície […]

  • R. A. P. says:

    Oi, apesar do seu post ser de janeiro, gostaria mesmo assim de comentar: O mundo muda, sim, e a tecnologia basicamente nos economiza tempo ou esforço. Mas sinto que a natureza humana permanece. Internet, celulares, automóveis ajudam, mas não substituem o contato humano genuíno. Aquele chopinho com amigos, aquela gargalhada em família, um sorvete no parque, coisas assim… Algumas sensações mudam, mas os sentimentos (que deveríamos cultivar), não mudam e não dão sinal de mudança :-)

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