Vivendo em código

January 24th, 2008 § 6 comments

God said, “Cancel Program GENESIS.” The universe ceased to exist.

Arthur C. Clarke

A idéia de que o Universo é uma máquina virtual ou uma simulação é um conceito antigo. E mesmo fora da ciência e tecnologia, culturas muitas vezes apresentaram o existência material como um sonho de um deus.

O próprio Cristianismo–e aqui eu me coloco com um cristão–lida introspectivamente com a questão de como o Universo está em relação a Deus, já que somente aquele existia anteriormente e se houve alguma limitação por parte da divindade ao criá-lo.

Mais recentemente, com o surgimento de condições favoráveis a este tipo de exploração, as pessoas começaram a questionar a possibilidade de simular toda uma realidade mecanicamente. Isso é bem natural, é claro, considerando as perguntas básicas sobre a existência.

Um artigo recente que me chamou a atenção foi The Physical World as a Virtual Reality. O artigo é o resultado da pesquisa de um físico sobre esse mesmo assunto, explorando as implicações de uma possível simulação para o Universo dentro do conceito da física como a conhecemos.

A leitura é fascinante e, embora nenhuma conclusão ou tentativa de criar algo matematicamente consistente seja tentada, a exploração é bem ampla. É claro que se fosse realmente possível provar que o Universo é uma simulação, as implicações seriam estonteantes–o que me lembra, é claro, as tentativas dos personagens de Simulacron-3 / The 13th Floor de escapar de seu plano para simplesmente encontrar outro acima dele.

O que seria realmente interessante, em um contexto de realidade virtual, seria a possibilidade de hackear o Universo, modificando ou introduzindo novas leis. Pode-se imaginar uma série infinita de Universos, cada um com suas próprias simulações e enormes experimentos sendo conduzidos nos mesmos. Esse é, não sem surpresa, parte do tema do livro e filme citados acima.

E é claro que o assunto pede a questão: se estamos numa simulação, qual forma tomaria uma tela azul?

§ 6 Responses to Vivendo em código"

  • Ainda bem que Deus sabe programar, se não estaríamos fadado ao fracasso como 60% das aplicações atuais estão (mais uma estatística inventada na hora).

    Lembro do filme “Meia noite e um”, em que o personagem vivia o mesmo dia, todos os dias. Isso deve ser um clássico exemplo de loop infinito na nossa realidade e os “deja vu” seriam os códigos feitos com “ctrl+c/ctrl+v” :-p

  • Ronaldo says:

    Pois é. Isso me lembra de um livro (e tem um podcast sobre o assunto também) sobre os números que controlam o universo e como eles são precisamente o que é necessário para a vida. Sempre render discussões interessantes sobre origens, principio antropomórfico, etc.

    Esse filme 12:01 é muito bom, por sinal. :-)

  • O filme “Meia Noite e Um” realmente é espetacular, e os loops infinitos realmente se encaixam perfeitamente com o filme.
    Agora, os “dejá-vù’s” acho que se encaixariam mais como uma atualização do sistema, como o filme “Matrix” já falou.
    O filme “The 13th Floor” foi um dos melhores filmes de ficção que eu já vi, porém não o acho em lugar algum. E olha que já procurei!

    Será que a “tela azul” não seria a morte? Ou a corrupção? Ou o corrompimento?

    Abraços!

    ps.: amo ficção!

  • Ronaldo says:

    Pois é. A idéia é bem velha e dá uma estórias bem legais. Essa parte de dejá vu do Matrix foi uma sacada de mestre. Sobre o The 13th Floor, é meu filme preferido no assunto. Acho muito melhor que o Matrix.

    Sobre telas azuis, vai saber. :)

  • andreyev says:

    Ops, a NetMovies possui o “The 13th Floor”: http://www.netmovies.com.br/titulo/13o_Andar

  • Ronaldo says:

    Esse filme é muito bom mesmo. Já devo ter visto umas 10 vezes pelo menos.

    Eu só estou esperando vencer minha assinatura da NET–os manés me colocaram em um plano de fidelidade sem que eu pedisse, como sempre–para pegar o NetMovies.

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