Os quase trinta

January 26th, 2008 § 7 comments

I’m thirty-three for a moment
Still the man, but you see, I’m a they
A kid on the way, babe
A family on my mind

100 Years — Five for Fighting

Em menos do que cinco meses eu completo trinta anos. A mudança para os trinta é geralmente a que mais aterroriza o coração humano, porque assinala o momento em que aquela juventude inocente ficou irremediavelmente para trás e que a meia idade não está muito longe.

Eu acho que parte do terror é contemplar os anos para trás e perceber que muitas vezes não se fez metade do que o sonhado ou o buscado, e que esses anos, que deveriam ter sido os melhores e mais produtivos, os mais fortes e mais puros, passaram quase que desapercebidos, perdidos em uma tentativa de se concentrar demais em vários caminhos ou jogados em uma obsessão única que levou somente a uma perspectiva medíocre do futuro.

Dizem que raramente um matemática produz alguma coisa depois do seus vinte nove anos. Preocupações ou o fim daquele pulso juvenil estupendo alteram alguma coisa e raras vezes na história da matemática alguém produziu alguma coisa significativa além disse. Eu não sei se é verdade, mas eu tenho minhas dúvidas. Talvez seja mais um reflexo daqueles que brilharam rápido demais e deixaram sua marca mais forte do que aqueles que trouxeram suas contribuições pequenas mas significativas em outros anos.

Trinta anos é um tempo enorme de aprendizado. Os últimos cinco anos o foram ainda mais. Parece que as mais de duas décadas anteriores a esses anos foram uma enorme preparação para agüentar a dificuldade desses cinco e agora, no meio de uma das maiores transformações da minha vida, eu me sinto na posição perfeita.

Trinta é um excelente número. E quer eu viva mais cinqüenta, mais trinta, mais cinco ou mais dois, eu sempre serei grato por esses trinta. They were beautiful.

§ 7 Responses to Os quase trinta"

  • “Eu acho que parte do terror é contemplar os anos para trás e perceber que muitas vezes não se fez metade do que o sonhado ou o buscado, e que esses anos, que deveriam ter sido os melhores e mais produtivos, os mais fortes e mais puros, passaram quase que desapercebidos, perdidos em uma tentativa de se concentrar demais em vários caminhos ou jogados em uma obsessão única que levou somente a uma perspectiva medíocre do futuro.”

    Sem comentários (sic). :-)

  • davi says:

    Excelente texto. :-)

    Parabéns adiantado.

  • Ronaldo says:

    Daniel, espero que isso seja um sem comentários positivo. :)

    Davi, obrigado pelas duas frases. :)

  • Muito legal o texto.

    É interessante quando uma pessoa está prestes a chegar aos trinta. Já ouvi muita gente falando sobre os trinta. Mas não creio que seja algo de tão inusitado. Como você mesmo disse no final do texto “Trinta é um excelente número. E quer eu viva mais cinqüenta, mais trinta, mais cinco ou mais dois, eu sempre serei grato por esses trinta.”, creio que temos que pensar assim mesmo, pois, na minha opinião, é a partir dessa idade (fase) que a vida se torna VIDA!

    Abraços. :D

  • Toda vez que eu penso que falta pouco (2 anos) para eu chegar nessa marca, fico com aquela sensação de que não fiz o q deveria ter feito.

    É ruim pensar que tem gente que, com a minha idade, já faz muito mais coisa que eu. Mas é bom lembrar que também já fiz muito mais que muita gente hehe.

    É um sentimento dual, que incomoda mas instiga.

    Espero, sinceramente, que nos 30 vc consiga manter o vigor e superar o que conseguiu nos 20 :-)

  • Ronaldo says:

    Lucas, eu acho que essa passagem para os trinta se tornou uma referência inconsciente porque está associada ao fim de uma época em que você está mais dissociado de responsabilidades fixas. Principalmente para a geração atual, casamento é mais próximo de trinta, fim de faculdade, mestrado, etc, é mais perto disso também, filhos.

    Enfim, uma série de coisas que também se associam com o fim de uma “terceira década”, que é um bocado de tempo. Mas, é como você disse, tem que se transformar em algo benéfico e não em desculpa.

    Rafael, eu estou pensando nas mesmas linhas. Eu até escrevi antes porque não quero fazer um texto no dia certo reclamando do que não fiz. :-) O objetivo é sempre ir para frente.

    E obrigado pelas palavras; com uma vesícula e um apêndice a menos pelo menos mais leve eu estou me sentindo. :-P

  • Andre Lima says:

    Espero eu, daqui um ano e 3 meses chegar aos 30 nesse gás!

    Feliz aniversário ;)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

What's this?

You are currently reading Os quase trinta at Superfície Reflexiva.

meta