Balanço cultural de janeiro

February 2nd, 2008 § 5 comments

Embora esse tenha sido um mês de várias entregas e implantações, janeiro começou razoavelmente bem e deu para separar um bom tempo para manter um ritmo consistente de leitura e ver alguns filmes nas altas horas da madrugada.

O resultado do mês ficou em:

  • 8 livros
  • 9 filmes

Nos livros, comecei o mês com The World is Flat, de Thomas Friedman. Li o que depois descobri ser a primeira edição, sem as atualizações que ele acrescentou nos meses seguintes, mas foi uma boa experiência. O livro é basicamente uma discussão sobre o efeito que a tecnologia está tendo no mundo, ao achatar os mercados e remover as fronteiras virtuais entre países, ao mesmo tempo em que as pessoas se tornam capazes de efetuar mais coisas por si mesmas. O livro poderia ser descrito com uma história da Revolução Digital e uma análise do que a mesma representa para o futuro, principalmente no que tange às mudanças ainda necessárias para efetivá-la por completo. Para explicar isso, Friedman vai do muro de Berlim ao Sete de Setembro, passando por explorações das conseqüências da globalização e do código aberto. Leitura bem interessante.

Depois disso, foi a vez de Replay, por Ken Grimdwood. O livro é fascinante e descreve a estória de Jeff Winston que, ao sofrer um ataque do coração aos quarenta e três anos, acorda vinte e cinco anos no passado com todas as memórias intactas. Depois de se recuperar e aceitar sua condição, ele procede revivendo os anos até que o mesmo acontece. Mais uma vez, todas suas memórias são preservadas e ele descobre a doçura e a maldição de corrigir os seus erros e criar novos. Muito bom.

Prosseguindo, li os dois livros da série Jumper, de Stephen Gould. Com o filme chegando, eu quis conhecer um pouco mais do universo do mesmo e gostei muito do que li. Pelo trailer deu para ver que não há nenhuma relação entre os dois mas esse parece ser um dos casos em que ambos são interessante em si. É claro que vai depender do filme mas eu acho muito difícil que ele não seja suficientemente bom para valer o ingresso. Só a ação já vai valer a pena.

Na seqüência li Postsingular, de Rudy Rucker. Além de estar disponível gratuitamente, o livro é incrível. Uma exploração fantástica de um mundo em que a Singularidade Tecnológica aconteceu não uma, mas duas vezes. Personagens interessantes, uma estória consistente e tecnologias fascinantes que formam um todo muito coerente e divertido.

Depois disso foi a vez de Blink, de Malcolm Gladwell, já resenhado aqui. Gostei, mas não tanto como o outro do mesmo autor.

Continuando, li Space, de James Michener, sobre o qual também comentei anteriormente. O livro continuou muito bom, mesmo depois de treze anos e conseguiu ser ainda mais atual. Muito do que Michener falar sobre o abandono ao espaço foi exatamente o que aconteceu e ainda vem acontecendo. Estória legal, com personagens críveis.

Fechando o mês, li Pattern Recognition, de William Gibson. Já está um pouco datado, por causa da abundância de referências às tecnologias, marcas e processos de quando foi escrito mas é razoavelmente interessante. O começo é lendo, com pouco acontece enquanto Gibson tece o mundo de Cayce Pollard, especialista em reconhecimento de padrões–dom que ela emprega em descobrir marcas que vão colar no mercado–e seu interesse por uma espécie de clips artísticos anônimos que estão sendo distribuídos na Web e analisados exaustivamente por uma comunidade que se formou ao redor dos mesmos. Cayce é contratada para descobrir quem está por trás dos filmes e a partir daí o livro se desenvolve. O clímax é um pouco corrido mas não é desapontador.

Nos filmes, o mês também teve alguns méritos. Comecei com A Bússola de Ouro, baseado na série de Philip Pullman. O filme fugiu de muitas das questões do livro e abreviou a estória mas foi o suficiente para divertir.

O próximo filme, Aliens vs Predator &ndash Requiem foi pura diversão. Eu confesso que sou um fã das séries respectivas mas só assisto a combinação porque gosto de ver o pau quebrando entre os dois mostrengos. Só não gostei da pauleira final que sofreu com pouca iluminação.

Depois disso foi a vez de Mr. Brook, um excelente suspense com Kevin Costner e William Hurt. O primeiro, no papel de um serial killer frio e calculista cujo último assassinato acaba sendo visto por um fotógrafo que agora quer participar das matanças. Estória fascinante e atuação absurdamente boa.

Os dois próximos filmes foram comédias bobinhas, I Now Pronounce You Chuck & Larry e License to Wed que mal valeram as horas empregadas. Eu gosto de Adam Sandler, mas o filme foi estereotipado demais. O segundo só assisti porque a mulher queria ver e nem Robin Williams salvou o roteiro sem originalidade nenhuma.

Being John Malkovich foi o próximo em uma deliciosa e psicodélica estória de um homem que acha um portal que permite a quem o atravesse ficar por quinze minutos na mente de John Malkovich. O roteiro é de Charlie Kaufman que já nos presenteou com várias outras obras brilhantes. Aas atuações brilhantes de John Cusack, Catherine Keener e do próprio Malkovich rendem duas horas de puro prazer visual em filme que foi indicado a três Oscar e recebeu quarenta e cinco prêmios.

Next e Night at the Museum possuem bons temas e uma realização bem fraca. O primeiro rouba completamente no final, privando o espectador de uma conclusão satisfatória e o segundo é basicamente uma oportunidade para Ben Stiller repetir suas atuações fracas.

Pelo menos o mês fechou com o divertido Wild Hogs com Tim Allen, William Macy, Tim Allen e John Travolta no papel de homens de meia idade frustrados que decidem pegar suas motos, vestir novamente as camisas da gangue que formavam quando jovens e atravessar o país em uma viagem para recuperar o tom de sua vidas. Não é nenhum primor filosófico mas é leve e tocante o suficiente para agradar.

No próximo mês eu juro que vou aproveitar as promoções no teatro e fazer mais do que ler e assistir filmes.

§ 5 Responses to Balanço cultural de janeiro"

  • Gobr says:

    Estava pensando aqui, por que você não cria uma seção na página para guardar um histórico do que você já leu?

    Onde encontro Replay e Jumper? Alguma editora lançou por aqui?

    Being John Malkovich já está na lista de coisas para assistir.

  • Sergio Lima says:

    Opa Ronaldo!

    Se eu conseguir ler 8 livros em 2008 já me darei por vencedor… bom, já comecei o primeiro: Cultura da Interface… no bom e velho papel :-)

    []’s

  • Ronaldo says:

    Gobr, ironicamente, estou com uma aplicação semi-pronta que faz justamente isso. A intenção era oferecer pelo menos um comentário rápido sobre todos os livros e filmes vistos com links para o autor, Wikipedia, sites locais, etc. Tenho que dar um jeito de terminar essa aplicação. :-)

    Sobre os livros, até onde eu sei, nenhum deles saiu aqui. Com o filme, é provável que Jumper acabe saindo mas não dá para ter certeza. Para esse tipo de livro, eu uso o Fictionwise (quando existe versão eletrônica) ou a parte de importados do Submarino ou Livraria Cultura. Às vezes demora, mas chega. :)

    Sérgio, oito livros no total, ou além dos que você já deve ter que ler para preparar suas aulas? :) Sobre interfaces, eu estou com o About Face 3.0 para ler, mas só na fila ainda. É mais pesadão.

  • Sergio Lima says:

    Opa Ronaldo!

    8 no total :-( (que vergonha né!)

    Para as aulas, eu leio trechos, logo não estou colocando na conta!

    Eu adoro ler, mas tenho muita preguiça… aliás, parafraseando o Garlfield, preguiça é uma dos meus inúmeros defeitos.

  • Ronaldo says:

    Oito com certeza já põe você acima de 95% da população. :-)

    Aliás, eu estava lendo um artigo esse mês–esqueci onde agora–falando que leitura você adquire na infância ou não adquire mais. Eu espero que não seja verdade porque eu sempre preguei o contrário e não gostaria de pensar que quem passou dessa fase raramente volta. Seria triste. :-)

    Quando à preguiça, idem. Só que vício é mais forte. 😛

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