Fim de carreira

February 10th, 2008 § 6 comments

Chegando nos trinta é inevitável pensar sobre a carreira e sobre os rumos futuros da vida profissional. Agora que eu estou envolvido plenamente na minha empresa, a carreira da empresa e a minha própria carreira estão meio que se misturando e pensar no futuro de uma implica necessariamente em relacionar os rumos prováveis que as duas seguirão.

Ironicamente, quando eu comecei a minha carreira de programação, eu não tinha a menor vontade, idéia ou planos para estar na posição em que estou, mais administrativa do que técnica no dia-a-dia. E, embora eu seja obrigado, por força daquilo que quero e pretendo fazer, a me desenvolver nesse sentido, eu fico me questionando sobre como isso impacta o meu futuro como programador.

Programação é uma coisa engraçada. É um das profissões que degradam com a idade. Não que o programador ou analista perca a sua velocidade ou proficiência. É mais uma percepção do mercado de que programadores jovens são mais capazes de produzir com a velocidade desejada e exercer as longas horas teoricamente necessárias. Obviamente, isso tudo é simplesmente um efeito do passo rápido da tecnologia e facilmente controlável em termos técnicos mas poucas empresas percebem ou aceitam isso.

A minha idéia, quando entrei no mercado, envolvia vinte cinco anos de carreira. Ou seja, começando com aproximadamente vinte anos (comecei mais cedo na verdade) e parando por volta dos quarenta em cinco. Não por não gostar de programar, mas por preferir uma estratégia de saída mais controlada. Embora me atualizar nunca tenha sido um problema e eu–pelo menos até onde percebo–continuo atualizado dentro da áreas nas quais trabalho, a minha vontade era uma finalização formal de carreira que partisse de mim.

Como ainda faltam quinze anos para isso–considerando que eu vou ultrapassar os vinte e cinco anos previstos–ainda há um bom tempo pela frente para decidir o que fazer com a empresa e com o impacto que isso vai ter nessa meta.

Trabalhar do outro lado da equação tem vantagens enormes, é claro, e isso pode significar uma coisa bem diferente daqui a alguns anos se os planos atuais continuarem a se desenrolar de maneira apropriada. No momento, entretanto, eu confesso que a carreira de Letras me parece mais agradável.

Enfim, por enquanto é uma questão de vamos ver no que dá. Mas eu ainda me surpreendo como as guinadas aparecem no caminho inesperadamente e você se vê em uma posição totalmente diferente da que esperava. No momento, não estou achando nada ruim as perguntas que eu estou sendo obrigado a me fazer.

§ 6 Responses to Fim de carreira"

  • Bruno Torres says:

    Eu, que sempre fui mais técnico, desenvolvedor tanto client quanto server-side, de repente me vi trabalhando na área de marketing online de um portal, algo totalmente fora de qualquer plano que eu tinha para a minha carreira.
    Mas, felizmente, não tenho do que reclamar. Embora não consiga mais me manter tão atualizado quanto antes como programador, estou adquirindo uma nova visão do mercado, aprendendo muita coisa interessante e, mais legal, conseguindo fazer uso do meu conhecimento técnico no dia-a-dia como diferencial.
    Mudar é bom, poder ter novos pontos de vista é excelente. Tudo em prol do desenvolvimento, tanto pessoal quanto profissional.

  • Ronaldo says:

    Eu acho que se fizesse uma mudança dessas ficaria completamente perdido. :-) Eu confesso que já estou tendo muita dificuldade de me encaixar no papel de administrador mesmo podendo contar com a ajuda de várias pessoas para as diversas áreas de apoio. Aliás, ultimamente estou pensando em dar uma de Bill Gates e deixar o papel de “CEO” para virar “CIO”.

    Quanto à questão de mercado, com certeza. A consciência de como as coisas realmente funcionam começa a mudar desde o primeiro segundo que você pensa em investir de maneira diferente em sua carreira. Eu ainda estou me impressionando com a minha ingenuidade quando programador. :-)

  • Quando eu comecei a trabalhar com tecnologia, não fazia a mínima idéia de como seria minha carreira, mas tinha em mente que nunca iria trabalhar para o setor público. Pois bem, aqui estou eu, no setor público.

    Obviamente que tento me manter atualizado “por fora” uma vez que o setor público é muito conservador (para não dizer engessado) mesmo em empresas como o SERPRO.

    Está em meus planos sair do setor público em breve, mas para isso acontecer vou ter que encontrar (ou ser encontrado hehe) uma empresa que me dê um pouco de segurança (maldita herança do setor público).

    Até lá é me esforçar para mudar um pouco a mentalidade da empresa (um esforço com resultado quase nulo).

  • Ronaldo says:

    Minha experiência com o setor público é engraçada. Eu nunca fui funcionário público e acho que odiaria a experiência. Mas sempre gostei dos clientes que vinha de lá–claro, quando o departamento era bem mantido e tinha pessoas interessadas em progresso.

    Mas realmente existe esse conservadorismo. Nos últimos anos, o que veio desse setor para mim sempre foi ASP e só agora estão entrando no .NET (alguns já no 2.0 pela demora, mas ainda fora do 3.x).

    Mas eu até não me importo desde que os projetos sejam interessantes. O que me mata é a rotina. :-)

  • É, e rotina é o que mais existe no setor público, infelizmente.

    Há, sim, muitos projetos interessantes, mas alguns são consumidos pela burocracia e/ou politicagem. E, infelizmente, quem paga por isso é a gente :-p

  • Ronaldo says:

    Pois é. Eu me lembro de dores de cabeças homéricas por causa dessas situações. Hoje, só pego projeto com pessoas que conheço, garantidas.

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