Muitas vezes a vida parece perder a realidade. Dia após dia, tudo se repete em infindáveis cadeias de uma frenética rotina que ameaça tolher o que há de mais precioso na existência. Nesses momentos é preciso recuperar a perspectiva.
Perspectiva para perceber a efemeridade dos acontecimentos sabendo que o que é já foi e será outra vez, mas que cada momento é único e precioso, fruto de um acaso programado. Perspectiva para entender que altos e baixos são partes complementares, e não opostas: para que um vale idílico exista, pelo menos duas montanhas são necessárias. Perspectiva para compreender a medida relativa das coisas e circunstâncias, entendendo como balancear as diferenças.
Sementes são plantadas a cada instante quer se queira, se entenda, se perceba ou não. E, se o velho ditado é certo, o que se colhe é o que se planta. A árvore frondosa que se espera no futuro depende do pequeno grão no agora. O próximo minuto depende do minuto que se vive agora.
Olhar para a frente, por um segundo que seja, pode mostrar que após a próxima curva, quase escondida sob a chuva torrencial, se vê a luz de uma estalagem, onde a cama é seca e o calor da lareira não se rende ao vento cortante.
