Mistborn

February 20th, 2008 § 0 comments

Mistborn me surpreendeu. A despeito do fato que a esposa e editora de Robert Jordan escolhera Brandon Sanderson para terminar a série The Wheel of Time, a ficha ainda não tinha caído de que Sanderson precisava ser um autor acima da média para que o trabalho lhe fosse oferecido.

O livro não é só bem escrito, com um prosa fluida e bem estruturada, como também lida muita bem com o tema de profecia e o papel do herói. A maioria dos livros de fantasia são sobre como pequenas coisas mudam o destino de mundos inteiros por pré-determinação. Mistborn não cai nessa armadilha e oferece uma boa variação com mudança planejada sobre uma misteriosa falha anterior–um herói que deveria ter salvo o mundo mas o condenou.

Eu também gostei muito do sistema de magia, baseado na capacidade de “queimar” metais para conseguir certos poderes. Uma pessoa dotada dessa habilidade pode ingerir pequenas quantidades de certos metais–doze deles para ser exato–e queimá-los aos poucos dentro do corpo. Queimar aço, por exemplo, permite encontrar outros metais enquanto queimar cobre permite acalmar as pessoas. A parte em que um dos personagens demonstra as várias habilidades é muito bem escrita e lembra algo com as artes marciais de The Matrix. E, ao final do livro, o leitor ainda descobre que presenciou, na verdade, três sistemas de magia, todos necessários para a conclusão da estória.

Sanderson consegue, em última instância, criar uma estória que é extremamente cativante e onde cada personagem é único. Vin, a personagem principal, cresce enormemente durante o curso do livro e é muito gratificante ver a forma como Sanderson manipula o conceito do herói que vem de uma classe baixa. Ele usa o modelo usual mas o modifica o suficiente para não cair no de sempre.

O final do livro me deixou ao mesmo tempo empolgado e desapontado. Empolgado porque entrega o que prometeu. É rápido, não usa nenhuma solução “deus ex machina” e se encaixa perfeitamente com o resto do livro. Mas fiquei despontado–ironicamente–porque me envolvi tanto com a leitura que queria que algumas coisas tivessem saído diferente. O que é a marca de um bom livro no final das contas, poder deixar o leitor ligado aos personagens e à estória.

No resumo, recomendo Mistborn para todos que gostam de boa fantasia e provavelmente vou ler os próximos de Sanderson assim que conseguí-los. E, a propósito, Mistborn está sendo distribuído gratuitamente pela Tor, bastando para isso se registrar no site futuro da editora.

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