iPhone SDK / Nokia e Silverlight

March 6th, 2008 § 16 comments

Saiu o SDK para o iPhone. Sem surpresas, o Campo de Distorção de Realidade Jobsiano está ativado ao máximo e todo mundo está achando lindo e maravilhoso.

E também sem surpresa, a Apple mostra mais uma vez que seu interesse é prender cada vez mais o mercado e os desenvolvedores: para distribuir aplicações, os desenvolvedores não só terão que pagar uma taxa de entrada à Apple como dividir todos os lucros com ela–não há apelações, não há outro acordo.

Eu confesso que o iPhone me atraiu extremamente no começo pela inovação da interface, pela elegância e pela facilidade de uso. Mas estou cada vez menos interessado em uma plataforma fechada. A ironia é que, em uma semana onde a Microsoft está surpreendendo o mundo Web ao liberar cada vez mais informações e começar a acatar feedback em áreas complicadas–indo ao ponto de liberar informações em licenças Creative Commons–a Apple dá uma de Microsoft. O mundo gira e gira.

Para piorar a situação, a Nokia decide puxar para o lado do Silverlight e tornar a confusão ainda maior. E depois tem gente que diz que o Android não é relevante. Com tanta coisa se fechando em uma área que já é muito mais fechada do que necessário, algo como o Android é fundamental para garantir inovação e livre concorrência.

É claro que o SDK da Apple vai fazer sucesso. As pessoas, 28% do mercado delas, querem aplicações e não são 99 dólares e 70/30% que vão impedir isso. Mas há quem se importe mais com o resto. Para essas, liberdade é o que conta.

Atualização: Sim, a Apple está se posicionando para monopolizar o mercado móvel. Considerando como o mercado funciona, isso será muito bem-vindo por todas as partes envolvidas. Até que cinco anos se passem e todo mundo esqueça disso e comecem a tentar derrubar a Apple.

O Android é importante por isso. Mesmo com as estranhezas do Google por trás, é uma forma de não deixar nem Apple, nem Nokia ou qualquer outra matarem o mercado. Um fornecedor só é suicídio eventual.

Isso é tão direita e esquerda que eu fico até com medo. :-)

§ 16 Responses to iPhone SDK / Nokia e Silverlight"

  • Esse mundo tá cada vez mais doido!

    Tudo que eu achava que entendia de mercado (o que era pouco, diga-se de passagem), agora já “mudou tudo”.

    A nós, desenvolvedores, cabe só esperar pra ver no que vai dar.

  • Gabriel Laet says:

    É, isso é bizarro. No final do ano passado eu tentei comprar o iPhone em uma Apple Store, e não aceitaram dinheiro, cash. Isso mesmo, dinheiro de verdade. Só aceitam cartão de crédito.

    A Apple pode se dar mal (não com dinheiro, óbvio) com essa política MS-style.

  • O seu post me “obrigou” a te fazer uma pergunta: Você acha que em algum momento a Apple não tentou jogar o jogo do monopólio?

    Pergunto isto pela sua surpresa ao ver a empresa tentando um novo “lock-in”, desta vez com o IPhone. Vamos rever passado, distante e recente, da Apple.

    Durante anos eles venderam um computador monolítico, com hardware e software exclusivo, enquanto que seus competidores se digladiavam para colocar seu pedacinho de hardaware ou software naquelas caixinhas cinza horrendas chamadas de PC. Se hoje você e eu podemos comprar um notebook Apple com certeza não devemos isto a Apple.

    Em seu mais recente “come-back” a Apple conseguiu, com seu trio IPod/i-tunes/i-tunes store, fazer um “lock-in” no milionário mercado de mídia online, obrigando milhões de consumidores a comprar mídia em sua própria loja. Detalhe, ele compram felizes e agradecem ao Seu Jobs pela oportunidade. No Brasil o nome disto é venda casada, e dá multa.

    Por tudo isto, e muito mais, não consigo entender esta nova empreitada da Apple como uma mudança em suas estratégias ou na forma dela fazer negócios.

  • Luiz Rocha says:

    Acho que a gente não chega a um monopólio não.

    Não é todo mundo que quer (ou pode) ter um iPhone ou um smartphone da Nokia que acessa a internet, organiza calendário e tudo mais.

    Se pensarmos que o mercado brasileiro consiste em 80% de telefones pré-pagos, daqueles mais simples e baratos, e considerar que os outros principais emergentes (Russia, China e India) estão mais ou menos na mesma situação, dá para ver que a Apple está monopolizando um nicho do mercado.

    Um nicho bem rentável, claro. Ela pode sobreviver só nesse nicho. Mas não deixa de ser nicho.

  • AkitaOnRails says:

    Monopólio? :-) Uma coisa é um produto se tornar sucesso por mérito próprio. Outra coisa completamente diferente é conspirar para derrubar os concorrentes, fazer contratos espartanos de exclusividade com fabricantes de PC (“ou vai só Windows ou as taxas aumentam!”).

    Vejamos a definição de monopólio: “exclusiva possessão ou controle da entrega ou transação em um commodity ou serviço”. Em nenhum dos mercados a Apple é monopólio, a menos que você diga que a “culpa” de um Creative Zen ter dado errado é porque a Apple praticou ações monopolistas. É mais simples entender que o produto deles era pior mesmo. O iPod veio em 2001, o iTunes Store só veio em 2003. Todo mundo começou do zero, em pé de igualdade, usando as mesmas práticas comerciais. Novamente, o iPhone veio depois de todo mundo, começou do zero do mesmo jeito. Agora é culpa da Apple que a Motorola ou a Nokia não sabem marketar seus produtos?

    iPod + iTunes não constitui venda casada. Fosse assim nenhum brasileiro teria iPod já que no Brasil não existe iTunes Store (droga). Você não é obrigado a comprar no iTunes Store se não quiser. Se houvesse no Brasil eu com certeza compraria :-)

    O iPhone é um sucesso por mérito próprio. Não dá para negar os números. A menos que alguém queira sugerir que 10 milhões de pessoas estão desiludidas todas ao mesmo tempo, deixando mais de US$ 300 na loja por uma “ilusão”. C’mon.

    E para mais explicações de porque as coisas não são tão simplezinhas assim pode ser lida no artigo do Daniel Eran analisando tudo isso: http://www.akitaonrails.com/2008/3/7/off-topic-iphone-vs-todo-o-resto

    Cheers.

  • Ronaldo says:

    Rafael, eu acho que esta é também uma questão de mercado que importa a todos. Eu nunca tive problema como superioridade tecnológica–acho muito bem-vinda, inclusive–mas tenho grandes problemas com determinados usos da mesma.

    Gabriel, sim, o pessoal parece não enxergar além do momento e simplesmente saúda a chegada de problemas como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Como eu disse em outro comentário, meu problema não é com superioridade tecnológica, mas com o uso da mesma.

    Eduardo, obrigado pelo comentário. Duplas negativas são uma porcaria. Meu português me falhou nesse momento e eu corrigi o texto para refletir isso. Você está de fato, absolutamente correto.

    Opa, Luiz. Eu não sei. O seu argumento é válido, mas será que o nicho permanece? O problema, pelo menos até onde eu vejo, é que esse nicho ele não vai se reduzir. A tendência é o barateamento da conexão e a inserção de mais pessoas no mercado. É mais ou menos como o Windows, guardadas as devidas proporções. E eventualmente, um lock-in geral pode se espalhar para os demais segmentos do mercado. E mesmo se ficar só no nicho, é um nicho significativo e que move montanhas. Vale a pena?

    Akita, você leu o texto ou realmente leu o próprio comentário do Jason Fried que você traduziu? Primeiro, eu disse que a Apple está se posicionando para se tornar um monopólio, eu não disse que ela era. E o Jason Fried indicou que esse é o início de vinte anos de controle de mercado por parte da Apple. Uma rosa por outro nome é ainda uma rosa.

    Mesmo sem ser Objetivista, eu acredito no ideal Randiano de que não deve existir moratória sobre cérebros. Não sou de forma alguma contra superioridade tecnológica, mas sou contra muitos dos usos que podem ser feitos com a mesma. Há uma certa responsabilidade envolvida nisso. A Apple ainda não está em uma posição de forçar o mercado, mas isso não significa que ela não esteja criando a situação para fazer isso. O monte de patente obscenas que ela vem registrando não ajuda nada–e a velha história de que todo mundo faz isso não cola. Existe até um dito antigo para isso: duas coisas erradas não se transformam em uma coisa correta.

    Eu cito Santayana: “Progress, far from consisting in change, depends on retentiveness. When change is absolute there remains no being to improve and no direction is set for possible improvement: and when experience is not retained, as among savages, infancy is perpetual. Those who cannot remember the past are condemned to repeat it”. Quando o Windows conseguiu um posicionamento OEM, muita gente disse a mesma coisa: é mérito do Windows, por ser melhor. Nós sabemos hoje que a coisa não funciona bem assim. E os fãs da Apple estão chorando até hoje pela Apple que poderia ter sido se não fosse isso.

    O que as pessoas esquecem sobre iPhone é que a questão não é de hardware, não é se o iPod e iTunes são venda casada, não é se você é obrigado a comprar ou não. É a simples análise de mercado e o modo com as coisas de processam a longo prazo. Os fanboys de estrelas nos olhos enxergam somente um ano para a frente, três se tiverem alguns pontos a mais de QI. Olhar trinta anos para frente é o que é necessário. Dizer que a Apple está usando as mesmas práticas comerciais é de uma ingenuidade completa. A Apple está usando as mesmas práticas comerciais que Microsoft e IBM usaram anteriormente. Isso significa que eventualmente ela cai também, mas o dano que ela pode provocar no processo é enorme.

    O que eu mais acho interessante no seu comentário é que você, como usuário do iPhone, depende da boa vontade da Apple para utilizá-lo por causas dessas mesmas práticas que, se não são ilegais, são impalatáveis. Quando o 2.0 chegar e–julgando-se pela história anterior–todos iPhones hackeados se tornarem tijolos e tiverem que passar pelo mesmo processo, onde está a graça disso? E se houver uma maneira de identificar iPhones que não pertencem ao universo aprovado e bloqueá-los de uso da loja, onde está a graça disso?

    É por isso que o Android e OpenMoko são relevantes. Não pelos próximos três anos. Não pela mera visão monetária da coisa. Mas pelos últimos vinte anos de acordos empilhados e pelos vinte anos de movimento livre. E “free as in speech, not as in beer”. Meu telefone hoje faz mais que o iPhone faz e custou mais caro. Dinheiro nunca foi o problema. Nem superioridade tecnológica. O uso sim.

  • Neto Cury says:

    Eu acho que quem esperava algo diferente do istivi diobs, é louco!
    O cara é o exemplo perfeito de capitalismo e de como fazer marketing e produtos que dão dinheiro.
    O cara deve ser matéria obrigatória em faculdades nos estadozunidos =D
    Abração

  • Ronaldo says:

    Eu não o culpo por isso. Como eu disse, mesmo não me subscrevendo ao Objetivismo, eu concordo que não deve, nunca, de forma alguma, existir uma moratória sobre cérebros. Dinheiro é ótimo e saber produzir dinheiro é essencial no livre mercado.

    O problema existe quando uma pessoa, ou companhia, ou grupo, ou governo, usa isso de trampolim para abuso. O que a Apple está fazendo é se posicionando gradualmente para explorar uma condição, que dentro de alguns anos, pode se converter em um eventual monopólio.

  • Luiz Rocha says:

    Não acho que o nicho vai diminuir ou aumentar (não significativamente, pelo menos).

    Por um lado, o barateamento da conexão e a inserção de mais pessoas no mercado vai aproximas essas pessoas de tecnologias como o iPhone e afins.

    Mas, ao mesmo tempo, a tecnologia vai evoluir e irão surgir novas tecnologias e finalidades para telefones inteligentes, que no momento em que um iPhone virar pré-pago, vai ser o topo de linha e, consequentemente, o produto do nicho high-end.

    O iPhone não é o telefone definitivo. Ele pode até ser o telefone definitivo de hoje. Amanhã, ele estará invariavelmente obsoleto.

  • Ronaldo says:

    Eu espero que realmente isso aconteça. O mercado do hardware tem diferenças óbvias em relação ao mercado de software e quando se entra nessa questão toda de carriers, fica tudo ainda mais confuso.

    Por outro lado, são exatamente os acordos possíveis que me assustam porque tem a chance de repercutir além da evolução. Meio como aconteceu com rádio FM. Saiu do monopólio AM, mas demorou tanto que no meio tempo tudo ficou parado. Isso pode acabar forçando um iPhone a se tornar o fone de amanhã por tabela.

    Mas, enfim, espero que não. :-)

  • […] então a trupe do tio Jobs lança o SDK. De graça, claro, porque SDK pago seria algo muito Microsoft. O problema é que o SDK é de […]

  • AkitaOnRails says:

    Opa, só li esses comentários hoje. Bom, primeiro de tudo eu deveria ter colocado um @Luis na frente porque era para ele que eu estava respondendo.

    De qualquer forma, não custa clarear. Fato: a Apple não é um monopólio, está longe disso. Fato: a Apple está agindo conforme a legislação do mercado permite. Certo? Errado? Não cabe a mim julgar isso, deixo por conta de um tribunal, assim como a Microsoft foi julgada pelo DOJ e pela comissão européia. Até lá, como democraticamente costuma-se dizer: “todos são inocentes até que se prove o contrário”.

    Como eu já disse: se as práticas atuais da Apple forem de fato ruins, a seleção natural do mercado irá podá-la. Ponto final. O fato é que do outro jeito não estava funcionando muito bem. Vide Brew. O modelo que a Apple está adotando não é muito longe da indústria de videogames. Um console é fechado, licenciado, você paga quantias altas pelo SDK e outra boa quantia para conseguir permissão para poder distribuir. Se eu quiser um jogo japonês, preciso dar um jeito de desbloquear meu console, e assim por diante. É o modelo que prosperou e hoje a indústria de videogames é altamente competitiva e fatura mais que Holywood. Ninguém virou Hitler por causa disso.

    Alguém poderia argumentar: o console é meu, eu que comprei e eu deveria poder fazer o que eu quisesse com ele. Anos depois ainda existem desbloqueadores, mod-chips, etc etc, e por enquanto continuará sendo assim. Um XBox é praticamente um PC desktop, só que bloqueado e cujos aplicativos (jogos) são digitalmente assinados.

    O mercado de celulares é um pouco parecido, mas ninguém ainda adotou o mesmo modelo. Exatamente como você disse: seu telefone faz mais que o iPhone. Ainda bem que temos a opção de comprar ou não comprar. Diferente de um monopólio, onde por meios ilegais, os distribuidores eram coagidos a vender apenas Windows.

    Eu, por exemplo, escolhi comprar o iPhone, mesmo sabendo que não há suporte no nosso país para isso. É uma escolha. Se amanhã sair um firmware verdadeiramente inviolável que nenhum hacker consiga ultrapassar, paciência: eu sabia dos riscos quando assumi comprar.

    Quanto a “a Apple _pode_ provocar danos e por isso ela deveria ser impedida” só pode ser uma piada :-) “Eu acho que aquele sujeito ali atravessando a esquina _pode_ vir a ser um assassino serial, porque ele tem a cara do Hannibal, manda prender!” Novamente: todo mundo é inocente até que se prove o contrário. É o preço da democracia. Esta discussão prova isso: você é contra, eu sou a favor. Ainda bem que não moramos num país totalitário onde um Chavez poderia dizer: “no gusto del iPhone, passa facón!” :-) rs

    Novamente, o OpenMoko praticamente sumiu e o Android será importante (para derrubar o Windows Mobile) mas não será competição para o iPhone. São nichos de mercado diferentes e complementares. Para mais detalhes, o artigo do Daniel Eran que eu linkei acima explica isso. Aliás, os diversos artigos do Daniel explicam exatamente porque as práticas da Microsoft e da Apple são completamente diferentes.

    Finalmente, open source é importante, claro que é. Ninguém disse que não. Muitas empresas se beneficiam disso. Mas não há mais espaço para o fanatismo à la Stallman. Nem o Linus é tão intransigente assim. Aliás, o Linus não dá muita bola para a plataforma móvel também (vide no artigo).

    Quanto a Santayana, ‘aprender com os erros do passado’, dito popular. Só seria verdade se assumirmos que a Apple está copiando as práticas da IBM e da Microsoft. É muita premissa :-) Como nenhum de nós é bidu, resta pagar para ver. Eu estou pagando para ver. Se estiver errado, serei o primeiro a declarar isso, por enquanto, como eu gozo do direito de ter o benefício da dúvida, da mesma forma reconheço esse mesmo direito em todos os outros, incluindo a Microsoft.

    O mercado pode errar feio de vez em quando, mas a beleza do capitalismo é justamente sua natureza de constante ‘fine tuning’. Enquanto Business Plan, sim, com certeza, se eu vier a me tornar um desenvolvedor para iPhone, por enquanto os termos são bastante coerentes e razoáveis, independente do que o pessoal da Rogue Amoeba andou achando :-)

  • Ronaldo says:

    Acho que você não estava respondendo ao Luiz, já que ele também estava falando contra monopólio. :-)

    De qualquer forma, eu repito que ainda não disse que a Apple é um monopólio. Eu disse que as suas ações são indicativas de uma companhia que deseja um monopólio. Não é a primeira vez que ela faz isso e nem vai ser a última. E isso vale para outras empresas também. O que eu estava criticando é essa vontade, mesmo sabendo que é ruim para o mercado. E volto ao comentário do Jason Fried, onde ele deixa claro como muitos estão vendo a questão–embora ele pessoalmente pareça desejar o monopólio.

    Sobre não caber julgar, isso é conversa furada, desculpa Nuremberguiana. Você é tão parte do mercado quando qualquer outro e tão capaz de julgar essa parte como qualquer um. E o mercado não é tão resistente a problemas como aparentar ser. Free Culture é um exemplo excelente disso com o belo e evidente argumento de concentração de mídia que, embora permitida pelo mercado, está destruindo um enorme segmento de um outro mercado.

    Quanto ao artigo do Daniel, a argumentação dele é colorida pela sua óbvia preferência pelo iPhone. Eu não o consideraria um artigo isento sobre a situação. Quando alguém quer enxergar alguma coisa, é fácil encontrar argumentos não-contextuais. Da mesma forma, a questão de liberdade. É um desvio do argumento dizer que o Linus não dá a mínima. O fato é que se não fosse o trabalho continuando de certos segmentos da população desenvolvedora, nem mesmo a Apple poderia estar na situação que está hoje. O que não deixa de ser irônico.

    Eu poderia continuar com o argumento, mas não acho que vamos concordar e não sei se vale a pena. Como você disse, há liberdade: mesmo para os que querem repetir o passado. :-)

  • AkitaOnRails says:

    Foi mal, de fato o @Luis respondeu ao @Eduardo que foi quem começou a conversa do monopólio. De qualquer forma isso é paranóia, negativismo – na melhor da hipóteses.

    Dizer que a visão do Daniel é ‘colorida’, por exemplo, é apenas uma opinião. Normal. Alguns vão concordar e outros vão discordar. Ainda estou para ver uma análise unânime sobre qualquer coisa. Assim como eu, você escolheu artigos de um lado, eu escolhi artigos de outro :-) Nenhum dos lados tem acesso ao que acontece lá dentro de fato, portanto, em essência ambos estamos chutando.

    Como eu disse, por um lado, não vejo absolutamente nada de ruim no que a Apple está fazendo. Se trocar Apple por Sony, e iPhone por PSP, estamos falando da mesma situação: licenciamento da plataforma de desenvolvimento, controle apertado na distribuição e na distribuição de lucros.

    E não vejo tanta gente falando mal exatamente sobre esse ponto, da plataforma não ser 100% aberta. A indústria funciona assim. Não é preciso dar tanto crédito à Apple porque não foi ela quem inventou as regras do jogo. Elas já existem e dezenas de empresas as praticam. Novamente, se está errado eu não sei. Seria um chute leviano e sem embasamento. Seria mais leviano ainda eu achar que estou certo. Com base em que? É que nem dizer que o Google adquirir a Doubleclick é caso para intervenção anti-monopolista. Será? Há quem diga que sim (Microsoft cof), há quem diga que não.

    Rapidamente, por isso mesmo eu divido a mesma visão do Daniel: a intenção do Google não é ser revolucionário, derrubar o iPhone ou coisa parecida. O Android é mais um canal de distribuição para o produto carro-chefe do Google: advertising. É de advertising que sai o lucro do Google e de seus acionistas. Por isso mesmo o iPhone é complementar à estratégia deles, e não competição direta. Ambos vão atuar em segmentos diferentes do mercado e vão se completar. O iPhone já integra suporte a serviços do Google dentro do iPhone, como Gmail, Google Maps, buscador default no Safari, etc. Para ambos é um ótimo negócio. Eles são parceiros, o Eric Schmidt faz parte da mesa diretora da Apple desde agosto de 2006. Não existe conspiração nem nada, apenas negócios.

    Enquanto nenhuma lei for _efetivamente_ quebrada, o jogo continua. O fato de ter tanta gente falando exageradamente bem – como o Jason – e outros falando fanaticamente mal, é um bom sinal. A propaganda dos do-contra é tão alta quanto o dos fanboys, ambos jogam lenha na fogueira e mantém a Apple relevante. Resta a ela saber equilibrar os dois lados.

    Além disso – e novamente, sem o intuito de desmerecer ninguém -, mas o mundo open source não funciona de “graça”. Dezenas de empresas pagam para que esse ecossistema exista, incluindo a própria Apple, IBM, HP, Sony, fora as VCs como Benchmark Capital, Accel Partners e outros. O exemplo clássico: no fim dos anos 90 já existiam várias distros. Mas foi Larry Augustine que lançou o surpreendente IPO do seu VA Linux e criou a fundação e o capital necessário para gerar, dentre outros produtos, a SourceForge.org em 1999 se não me engano. As empresas devem muito aos esforços open source, e vice-versa. É por isso que funciona: porque é toma-lá, dá-cá.

    A maioria é a favor de open source. Essa já é uma disputa ganha. As coisas não são tão preto e branco assim. Seria muito fácil 😉

  • Ronaldo says:

    Como eu disse, não acho que vamos concordar e não vou insistir nos argumentos.

    Apenas duas considerações: eu não vejo conspiração e não afirmei que open source deva ser de graça. Open source não é equivalente a free software e não há relação com preço. Eu sou partidário do segundo, não necessariamente do primeiro em termos gerais.

  • O pior fanboy é aquele que acusa os outros, mas não consegue enxergar seu próprio umbigo …

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