Loucuras ocasionais

March 7th, 2008 § 3 comments

Dois textos interessantes sobre experimentos e sugestões para melhorar o ambiente de trabalho, satisfazer as pessoas que trabalham para você e economizar no geral:

Se você observar as sugestões, verá que nenhuma delas é excessiva e nem além do que a maioria das empresas um pouco mais estabelecidas podem fazer. Aqui no Brasil, entretanto, só de pensar em fazer alguma coisa assim já dá calafrios em praticamente todo e qualquer empresário, mesmo os que mexem com Internet.

Eu sempre fui um cara meio rebelde–em certos aspectos–nas empresas onde que trabalhei. Sempre procurei seguir a linha que o Joel Spolsky sugere de tentar transformar um ambiente menos do que o ideal por meios de pequenas ações. E já tive minhas fases de loucura que chocaram meu empregador mas muitas vezes serviram para dar um toque de que a coisa não estava indo bem.

Eu me lembro de alguns anos atrás quando trabalhava em uma empresa com poucos funcionários. Como o chefão ficava perto de todos nós, era bem fácil interagir e conversar sobre potenciais problemas.

Na empresa, tínhamos umas cadeiras bem confortáveis. Nenhum Aeron, mas o suficiente para não deixar ninguém com problemas de coluna para o resto da vida. Depois de alguns meses trabalhando lá, chegou a notícia de que a empresa iria se fundir com outra maior. Eu, contra o meu melhor julgamento, fiquei. O processo de fusão, alguns meses depois, foi até sem problemas. Houve um período inicial de ajuste, mas como as equipes eram fundamentalmente diferentes, no primeiro momento não houve nenhuma explosão ou migração.

Agora, em termos de ambiente, embora a nova sede fosse linda, o local era horrível. Baias, costas para a mesa dos novos chefes, e por aí vai. Eu, no primeiro dia, sem perguntar para ninguém, já me mudei para o local mais interessante do ambiente. Mas as cadeiras eram horríveis. As boas que tínhamos foram substituídas por genéricas que me deixaram dolorido em menos do que duas horas. Depois de uma semana assim, cansei. Conversei com o chefe anterior e a desculpa foi que não dava para comprar boas para todo mundo e o menor denominador teria que prevalecer.

Dois dias depois, a loucura baixou. Quase na hora do almoço, com as costas explodindo, eu me levantei, fui na sala de um dos chefes–não o meu–peguei uma das cadeiras de visitas chiques na frente dele e pus a minha horrorosa no lugar. O cara ficou me olhando sem saber o que dizer.

É claro que no dia seguinte fui chamado para uma reunião. O resultado é que algumas semanas depois, todo mundo recebeu cadeiras novas. Eu achei que ia ser despedido, mas nada. O pessoal acabou vendo que a coisa toda não doía e a produtividade de gente bem sentada era obviamente melhor.

Eu sai da empresa logo depois. O ambiente não era para mim, como eu já previa. Mas foi uma época engraçada. E ficou a lição: só trabalhe em um local que vai ouvir você. Ou trabalhe por conta própria. Foi o que eu fiz. Nunca mais trabalhei em nenhum lugar em que economia é mais importante que o funcionário.

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