Free Culture

March 10th, 2008 § 7 comments

Free Culture é um livro incrível. Embora eu já siga o trabalho de Lawrence Lessig no que tange ao copyright há anos, esse é o primeiro livro seu que eu lei e fiquei bem impressionado.

O trabalho de Lessig é bem conhecido entre as pessoas que se preocupam com copyright e questões de cultura atualmente. Seu trabalho tanto teórico quanto prático é bem antigo e significativo. Eu me lembro muito bem de ter seguido o caso Eldred vs. Ashcroft no qual ele foi o advogado principal com interesse extremo e ter sentido bastante a derrota do mesmo.

Free Culture fala sobre Eldred vs. Ashcroft mas é muito mais do que isso. E embora escrito com uma audiência americana em mente, os assuntos tratados são relevantes para qualquer outra país considerando a atual situação política e tecnológica. Dividido em três partes interconectadas, o livro é uma reflexão profunda e honesta sobre os problemas atuais relacionados ao copyright e suas possíveis soluções.

Na primeira das partes, Lessig descreve como a cultura é criada, como o copyright influencia a mesma e como as mudanças na política de copyright dos últimos cem anos estão destruindo a criação da cultura em nossa geração e concentrando a cultura já existente nas mãos de uns poucos. De fato o argumento central do livro é esse: cultura depende de um copyright mais relaxado e concentração de mídia, seja qual forma tome e mesmo se permitida pelo mercado, pode ser uma força destrutiva na maioria dos casos.

A segunda parte do livro descreve como os problemas especificados na parte anterior podem ser resolvidos de uma maneira mais geral. Lessig também fala com sinceridade sobre Eldred vs. Ashcroft tomando para si a culpa da falha do caso. Como o tempo demonstrou, entretanto, ele teria falhado de qualquer forma. Quando ele escreveu o livro–fim de 2003, início de 2004–corrupção real na Suprema Corte dos EUA não era tão evidente como é hoje. Os rumos que os fatos tomaram depois mostram que mesmo que ele tivesse usado o argumento que não usou–e que ele acha que teria ganho o caso–ele provavelmente ainda teria perdido.

A parte final do livro descreve o que ele e outros estão fazendo para mudar as coisas, incluindo o nascimento da iniciativa Creative Commons. É a única parte esperançosa do que é um livro um tanto ou quanto sombrio, mas o tempo também tem mostrado que as coisas estão começando a mudar–e que essa mudança não virá de política ou qualquer outra coisa assim, mas de pessoas decidindo fazer o que é certo. O livro termina com outra proposta para redefinir o sistema internacional de copyright.

Como Lessig mesmo admite no final do livro, a situação parecia negra na época. Isso não mudou tanto na frente política, mas o movimento pró-cultura está crescendo a cada dia e já está se tornando parte do vocabulário da Internet. Há muito em que ter esperança hoje.

O único problema com o livro, na minha opinião, é que Lessig pede desculpas a todo momento por seus pontos de vista, reafirmando seu compromisso com a lei. Essa atitude faz parecer que o livro é, de alguma forma, subversivo quando nada poderia estar mais longe da verdade. Lessig deveria se orgulhar do que está fazendo. E o tipo de pessoa que precisa dessas desculpas não leria o livro ou concordaria com as visões expressadas de qualquer forma.

Lendo o livro, eu também me lembrei dos mundos ficcionais de escritores como Charles Stross e Vernor Vinge. Ambos tendem a descrever futuros onde a cultura livre é apropriadamente compensada–micro-pagamentos sendo a solução mais comum. Free Culture é sobre o balanço que pode existir em tais futuros, se as pessoas continuarem o trabalho começado.

No geral, mais do que recomendado. Obrigatório.

§ 7 Responses to Free Culture"

  • Luiz Rocha says:

    Essa atitude faz parecer que o livro é, de alguma forma, subversivo quando nada poderia estar mais longe da verdade.

    Free Culture é um tanto subversivo sim, no sentido que pretende minar o que é assumido como verdade no que diz respeito a cultura e propriedade sobre a mesma.

    E deveria ser leitura obrigatória nas escolas.

  • Ronaldo says:

    Aqui, você tirou a semana para me detonar aqui!? Brincadeirinha. :-)

    Então, eu concordo que ele é subversivo nesse sentido, como preservação de um conhecimento que–em certos sentidos–está se tornando alheio à nova geração e reprimido diretamente pelos _players_. Mas o Lessig fica meio se desculpando como se ele estivesse propondo algo ilegal. Depois você até entende que ele, sendo democrata, está falando para republicanos. Mas fica meio estranho. Mas, tirando esse detalhe ínfimo, o livro é fantástico mesmo.

  • Luiz Rocha says:

    Pois é, estou com tempo livre… 😛

    Sei lá, eu encarei meio como sarcasmo. Mas como você mesmo falou, é um detalhe.

    O livro é muito fácil e gostoso de ler e, eu insisto, deveria ser obrigatório no ensino médio. 😀

  • Ronaldo says:

    Pô, ainda de férias. Esses caras tem mordomias que são dose. :-)

    Sobre o sarcasmo foi engraçado no texto sobre fanatismo. Eu fiquei parado com o comentário até a ficha cair. :-)

    E concordo,o livro deveria ser leitura obrigatória mesmo. O modo como o Lessig coloca a história de tudo e raciocina sobre isso foi simplesmente fantástico. Estou embasbacado até agora. :-)

  • Luiz Rocha says:

    Pô, ainda de férias. Esses caras tem mordomias que são dose.

    Se estivesse, não estaria na net (nem no Twitter, como o TaQ).

  • Ronaldo says:

    E eu sei lá o que as pessoas decidem fazer nas férias? :-)

  • This only needs to be done for a period of thirty to forty-five minutes to
    ensure that all of the termites have been taken care of.
    The heat treatment process involves the use of nylon tarps to create a tent around the home to
    keep the heat trapped inside.

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