Pequeno ponto azul?

March 25th, 2008 § 1 comment

Toda hora que eu penso no debate sobre aquecimento global, eu lembro de duas coisas: uma, do filme Waterworld; duas, da série Science in the Capital do Kim Stanley Robison–não necessariamente nessa ordem.

Tudo bem que o filme é uma porcaria absoluta, mas a imagem da terra coberta por água–ainda que um futuro improvável mesmo que possível–é forte o suficiente para deixar qualquer um que veja o filme pensando no que aconteceria se um cenário como aquele começasse a se desenvolver nos tempos atuais.

A série, por outro lado, é mais sobre como ciência, aplicada com afinco e humanidade, mesmo que em doses pequenas, pode resolver problemas enormes. É claro que, como os três livros da série mostram, se o problema chegar a um ponto extremo, medidas extremas serão necessárias. No livro, a Corrente do Golfo pára, e é precisa utilizar a produção de sal de dois anos de mundo inteiro para fazê-la seguir novamente antes que a economia européia entre em colapso pela falta de alimentos.

Humanos, regra geral, não pensam absolutamente no futuro, por mais que digam que sim. São raros o que se preocupam além dos próximos três ou cinco anos de seus horizontes relativamente limitados. É por isso que notícias como essa ou essa possuem vidas efêmeras–horas, quando muito, sob um foco de atenção cada vez menor. E é irônico o quanto as duas refletem os dois maiores problemas apresentados por filme e livros.

Se há alguém que ainda não acredita que o planeta está subindo no telhado, as duas únicas explicações possíveis são grossa ignorância ou deliberada ignorância. Eu me pergunto: daqui há cem anos será que a Terra ainda vai um ponto azul ou já vai estar a meio caminho para um ponto avermelhado?

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