Webpanel Jukebox, resumo

March 31st, 2008 § 0 comments

Hoje participe do Webpanel do Jukebox Blog, como havia anunciado semana passada. Fui a convite do Fugita e gostei bastante da discussão e anúncios que foram feitos durante o evento. Presencialmente havia pelo menos 50 pessoas e a parte online, transmitida ao vivo, chegou a registrar 75 participantes, sem contar as várias pessoas que estava seguindo pelo Twitter e outras que estavam seguindo pelo Yahoo! Live.

O evento começou com o Jorge Steffens, CEO da Datasul–o prime mover do evento–falando sobre a evolução da área de desenvolvimento nos últimos anos. Para ele, a evolução foi rápida e significativa, ao ponto de termos software como commodity hoje, mas sem mudanças significativas no processo que o tornem mais acessível ao usuário. No contexto do que o blog dele mencione, essa falta de ergonomia (que é equilíbrio entre usabilidade, acessibilidade, performance e outros requisitos similares) é algo que falta da comunidade. Essa parte da conversa me lembrou muito o papo recente sobre simplicidade em desenvolvimento.

Depois disso foi vez de Alvacir Schulze, gerente de tecnologia da Datasul, falar sobre os desafios do desenvolvimento colaborativo de software. A palavra chave foi “focabilidade”, que se encaixa na questão se ergonomia especificando um foco que deve ser mantido no desenvolvimento do software para gerar uma interface que seja significativa para o usuário. Uma lembrança interessante foi a aplicação da regra de Paretto a interfaces (Google Mail sendo um exemplo dado), para gerar algo que seja prontamente usável tanto para iniciantes como usuários mais experientes.

Na seqüência, o Glauco Scheffel, arquiteto de tecnologia da Datasul, falou sobre o projeto aberto da empresa. A Datasul, que é, por admissão própria, uma empresa fechada, está no processo de reconhecimento do valor do software livre. Isso vem de dois entendimentos: o primeiro, em relação ao uso de patentes e o perigo que as mesmas representam para a inovação; segundo, em relação ao valor ideológico e comercial do software livre. Essa último reconhecimento é interessante porque, mesmo que a empresa queira, sim, um retorno de investimento em seu uso do software livre, há um entendimento de que um retorno é necessário para garantir a inovação. A idéia é construir deliberadamente para reusar e liberar. Ou, given enough eyeballs all bugs are shallow. Essa parte terminou com uma demonstração da Comunidade Open Source da Datasul.

A partir daí o evento continuou com uma mesa de debates do qual participaram o próprio Jorge, o Edney “Interney” Souza, o Severino Benner da Benner, o Mauro Perez da IDC Brasil e o Guilherme Jardim da Winart. A discussão foi focada basicamente na resposta de perguntas feitas pelos participantes tanto presenciais como online.

Um dos momentos engraçados nessa discussão foi quando o moderador, Antonio Carlos Rego Gil da Brasscom, pediu ao Edney dicas de monetização para o blog de sua filha. O Edney, graças a Deus, desviou-se habilimente da conversa. O Gil, que aparenta seus 65 anos, apesar de alguns apartes um tanto ou quanto deslocados sobre o poder de competição e criatividade do Brasil, provou entender bastante do assunto, falando sobre user generated content, convergência no celular e vários outros assuntos que eu tenho explorado bastante nos últimos anos.

Um ponto baixo foi a participação de alguém da Microsoft–não peguei o nome–falando sobre a necessidade de um “deviner”, um profissional versátil em programação e design ao mesmo. Essa utopia irrealizável reflete o recente foco da Microsoft em coisas como o Silverlight e o Expression Engine, mas não tem qualquer valor real em termos de futuro possível de desenvolvimento. Como eu comentei durante o micro-blogging pelo Twitter, eu acredito em profissionais versados, mas essa versatilidade do “deviner” não é só utópica e rara, mas desnecessária em qualquer contexto atual. Eu acho que não estou sozinho na idéia porque o Edney apontou a necessidade do que ele chamou de “devuser”, um desenvolvedor que entenda o usuário e uma professora de ergonomia participante pela Internet também reforçou o ponto de ser versado em contrapartida a versátil.

As demais perguntas pode ser vistas no meu Twitter já que seriam extensas para tratamento aqui. No geral, o evento foi bem interessante e se alguns temas foram batidos–por virem de uma empresa que está dando seus primeiros passos em um mundo pelo qual muitas outras já transitam–o ânimo e a conversa gerada são mais valiosos do que qualquer repetição do tema. Gostei bastante e espero participar de outros similares.

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