Os não-padrões

March 21st, 2008 § 5 comments § permalink

Na esteira dessas discussões todas sobre o IE8 e sobre padrões Web, eu vejo opiniões cada vez mais inflamadas sobre o que realmente é publicar um site compatíveis e tudo isso.

O que eu acho irônico na história toda é que você pegar os próprios sites da maioria dessas pessoas que enchem a boca para falar sobre padrões, você realmente verá páginas que passam validações completas, que usam elementos corretos, mas que, se você, por algum motivo, eliminar o CSS no navegador (ou JavaScript), viram um completa bagunça–e, em muitos casos, param completamente de funcionar.

Isso não tem necessariamente a ver com acessibilidade–muitas vezes o site até possui informações necessárias–mas com a confusão de que um uso de CSS para posicionar elementos e “vestir” as páginas é tudo o que há sobre padrões. Aplicações geradas pelos frameworks modernos são especialmente falhas nesse sentido.

Defenda os padrões, sim. Mas pelo menos garanta que o seu site é minimamente usável sob condições variáveis. Nunca se sabe quando alguém vai precisar disso. Muito provavelmente, o tempo todo.

OpenID inoperante

March 21st, 2008 § 0 comments § permalink

Só para avisar, a atualização para o WordPress 2.5 quebrou a implementação OpenID que eu uso aqui. Até que eu descubra uma forma de fazer funcionar, está desabilitado. Sorry!

A mala e a cuia

March 20th, 2008 § 4 comments § permalink

Cheguei em São Paulo. A cidade me recebeu bem com uma chuvarada boa, congestionamento e o cinza usual. Sem problemas. Aliás, é impressão minha ou até os relâmpagos são maiores aqui? :-)

Brincadeiras à parte, agora vem a hora do ajuste–e da procura de um local para ficar. Vou precisar de sorte, muita sorte.

O último dos grandes três se vai

March 19th, 2008 § 0 comments § permalink

O último dos mestres se vai.

Eu não vou escrever nada sobre a obra ou visão de Arthur C. Clarke porque isso vai ser tratado exaustivamente pela mídia nos próximos dias e porque a única coisa que importa é o efeito que o que ele escreveu teve sobre mim.

Junto com os outros dois grandes, Robert A. Heinlein e Isaac Asimov, Clarke definiu a minha infância e juventude e teve impacto em praticamente tudo o que eu penso sobre futuro, tecnologia e espaço. É um dos poucos que conseguia trazer com perfeição a nostalgia das coisas futuras no escrevia.

Espero que tenha ido em paz.

Sobrecarga de informação

March 18th, 2008 § 0 comments § permalink

O pessoal do ReadWriteWeb tem outro artigo bom hoje sobre lifestreaming e excesso de informações. Como eu tinha mencionado no meu comentário anterior sobre o tópico, o dilúvio de informações resultante de múltiplos serviços vezes múltiplos usuários é um dos principais problemas desse tipo de aplicação, por mais interessante que seja acompanhar o que está acontecendo em tempo semi-real.

O artigo propõe três soluções que estão interconectadas e que realmente poderiam resolver um pouco da carga. A primeira e mais óbvia solução–filtros–é uma necessidade básica e já implementada por algumas aplicações de lifestreaming. Mas filtros comuns dificilmente serão suficientes para lidar com a pouca especificidade das informações resultantes das colagens de serviços.

O que é realmente necessário é algum tipo de filtro adaptativo que saiba coletar informações baseadas nos itens primários que o artigo sugere. Por exemplo, um filtro comum poderia excluir qualquer coisa que venha do Twitter, mas um filtro adaptativo faria a mesma coisa exceto se o que é mencionado no Twitter tem alguma relevância para outro conteúdo subscrito. Da mesma forma, responder ao Twitter seria informação acumulada que poderia contribuir para um filtro geral que se tornaria cada vez mais eficiente.

O mecanismo de memes usado em planetas é bem interessante no sentido de identificar idéias gerais que são de provável interesse mas é bem limitado quando você está se restringindo a coisas que já está lendo e/ou acompanhando. Mesmo assim, é bem possível expandir o conceito em cima de algo que poderia acompanhar a sobrevivência de um item de interesse ao longo de uma timeline.

Eu, por exemplo, gosto muito de citar fonte em textos que escrevo. Um mecanismo de filtros capaz de acumular informações relacionadas sobre um tópico que eu já tenha marcado para referência futura com base em informações vindas das lifestreams que estou acompanhando seria muito útil.

No geral, o que estamos precisando é colocar um pouco mais de inteligências nessas aplicações. Mesmo os Facebooks e FriendFeeds da vida ainda estão basicamente limitados a inputs explícitos que não acrescentam muito valor à informação que está sendo coletada. Sem uma forma de mapear isso em uma matriz de interesses, esses serviços continuaram a ser bem limitados, por mais potencialmente interessante que sejam.

WordPress 2.5

March 18th, 2008 § 2 comments § permalink

Atualizei o site para o WordPress 2.5 RC1. Até agora parece estável e bem polido. Se alguém notar algum problema, pode avisar nos comentários ou pelos e-mails usuais.

Linguagens de programação do futuro

March 18th, 2008 § 2 comments § permalink

Quando eu comecei a minha carreira de programação, o campo de linguagens era bem mais estático do que é hoje. Projetos recebiam linguagens de acordo com fórmulas que diziam qual era a melhor linguagem para aquele estilo de programa–fosse realmente interessante ou não usar aquela linguagem específica.

Durante meus primeiros anos de programador–e de fato, por muitos anos depois–eu tinha a distinta impressão que linguagens novas seriam a forma pela qual o campo seria renovado. Já então era possível criar lista de milhares de linguagens, com mais surgindo a cada dia e parecia bem provável que o campo se renovaria constantemente. Java e Delphi estavam para aparecer em suas respectivas áreas, PHP e Python estavam em ascensão e a área parecia estar ganhando um fluxo mais forte de inovações.

Olhando para o campo hoje, o mesmo parece tomado por uma ressurgência de linguagens e conceitos anteriores à própria época em que eu comecei. Isso não quer dizer que a quantidade de novas linguagens sendo introduzidas esteja diminuindo. O contrário, na verdade, parece estar acontecendo. É claro que a maioria das novas linguagens não subirá muito além do nível de uma curiosidade acadêmica mas não parece haver falta de criatividade em recombinar os conceitos primários em formas interessantes. Ainda assim, linguagens antigas reaparecem ou permanecem como opções mais interessantes.

Naquela época eu teria achado isso um retrocesso. Parte dessa permanência de deve ao mercado, é claro. Mas há um interesse cada vez maior em linguagens que algumas pessoas consideravam basicamente extintas ou linguagens que anteriormente ocupavam um nicho bem específico. O que parece indicar que o mercado está tentando se recuperar de uma certa estagnação.

De um ponto de vista, isso é bom. O fato de que conceitos antigos estão ganhando mais proeminência serve para fixá-los e fomentar ainda mais inovação. Sendo assim, eu penso que abrir mão das linguagens de programação do futuro não é, na verdade, abrir mão do futuro da programação. Essas novas linguagens virão. Mas depois de quarenta anos de relativa estagnação, recuperar um pouco do que pode levar o campo para a frente já é bem interessante.

Desvios

March 16th, 2008 § 9 comments § permalink

Estou ficando cada vez mais convencido que a melhor maneira de ver uma coisa não acontecer para você é falar que ela vai acontecer.

Comecei o ano achando que não trabalharia com Rails durante o mesmo. Considerando os projetos que estavam para entrar, a movimentação do mercado aqui em Belo Horizonte, tudo indicava que seria um ano fraco. E principalmente porque eu também queria me afastar um pouco de Ruby e explorar mais outra linguagem. O resultado é que agora vou trabalhar basicamente em tempo integral com Rails e tecnologias relacionadas. Eu não estou achando ruim, é claro. Entre .NET e Ruby ou entre ASP.NET e Rails, eu fico sem dúvida com a segunda opção.

No campo de linguagens, resolvi que exploraria mais Lisp. Eu já brinco com a linguagem há anos, mas nunca fui tão fundo. Com meu interesse por Seaside crescendo, acabei foi indo mais para o lado do Smalltalk. Pelo visto, Smalltalk vai acabar sendo a linguagem do ano. Eu já tinha explorado bem mais Smalltalk do que Lisp, mas é bom poder verificar ambientes diferentes, experimentar o que está acontecendo de novo, e ver que a linguagem–que ainda permanece a minha favorita em elegância–está ganhando cada vez mais espaço.

Agora é só utilizar a estratégia no próximo ano: pensar no que eu quero fazer (inconscientemente, é claro, ou não vale) e jurar que não vou fazer. Vai que dá certo? :-)

Pão de Cast S02E06 – Live free, die free

March 15th, 2008 § 1 comment § permalink

Mais um Pão de Cast para ouvir no fim de semana.

Esse foi um dos mais estranhos que gravamos. Pensamos em quatro assuntos, falamos de um e só paramos porque passamos de uma hora. Se você tem paciência, divirta-se. O assunto principal, aliás, foi a retratação do Miguelito de Icaza quanto ao acordo Novell-Microsoft. Mas não ficou só nisso, é claro.

Lifestreaming

March 15th, 2008 § 0 comments § permalink

Com o aumento do número de serviços sociais na Web, um novo problema está surgindo: conseguir acompanhar os amigos e conhecidos nesses serviços. Se o objetivo primário é obviamente relacionar-se, uma maneira de ficar atento ao que está acontecendo nas esferas dos seus Indivíduos de Interesse, para parafrasear Iain M. Banks, é vital.

De dois anos para cá–embora o conceito seja um pouco mais antigo–muita gente está experimentando (1, 2, 3, 4) como lifestreams, agregações completas do material que é produzido nos vários serviços usados e disponibilizado via RSS.

O formato parece que está para estourar e vai ser interessante ver os usos que serão feitos sobre o mesmo. Para quem quer experimentar, há uma enorme seleção de serviços disponíveis, cada um com suas vantagens e desvantagens. Só a existência de tantas opções já demonstra que o conceito está se tornando mainstream e que é bem possível que em um ano seja uma das formas primárias de relacionamentos sociais online.

Aliás, isso é particularmente interessante porque quebra um pouco a questão de jardins fechados e expande sobre a idéia tradicional de blogs e planets.

Mais interessante ainda vão ser os cruzamentos possíveis sobre a informação gerada. Alguma aplicação possível de filtros bayesianos para correlacionar assuntos de interesse ao longo de topo espectro de lifestreams acompanhadas daria algo no sentido de capturar memes e reduzir a fricção causada pelo dilúvio de informações produzidas.

De qualquer forma, é um campo para se acompanhar de perto.

Where am I?

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