Conversa com Randal L. Schwartz

April 30th, 2008 § 7 comments § permalink

Durante o FISL, eu tive a oportunidade de assistir a palestra sobre Seaside dada por Randal L. Schwartz, nome famoso nas comunidades livres, principalmente de Perl, e que agora está evangelizando Seaside e Smalltalk.

Perguntei se podíamos conversar um pouco e ele aceitou graciosamente. O resultado está abaixo, em uma tradução livre:

Conte-nos um pouco sobre o seu background, como e quando você começou a programar e o que você está fazendo hoje

Eu aprendi a programar sozinho quando tinha nove anos. Quando cheguei aos quinze, já estava na frente de uma classe, ensinando meus colegas, e escrevendo código sob contrato durante os fins de semana e sendo pago de verdade.

Trabalhei para várias empresas ao longo de oito anos antes de criar a Stonehenge em 1985. A Stonehenge cresceu ao longo dos anos; nós hoje podemos contar 17 das empresas no Fortune 100 como nossos clientes.

Hoje eu gasto a maior parte do meu tempo dando palestras e escrevendo, mas ainda projeto, crio e revejo código também. Também respondo questões gratuitamente durante uma hora por dia nas dezenas de listas, blogs e comunidades Web das quais participo.

Você é extremamente famoso na comunidade Perl, mas agora está advogando Smalltalk e Seaside. O que mudou? Quando você realmente começou a usar Smalltalk?
Eu comecei a usar Smalltalk antes de Perl ser inventada, em 1982. Já escrevi sobre a história no meu blog.
Quais são as vantagens de Smalltalk sobre outras linguagens tradicionais como Perl, Ruby ou Python, por exemplo?

Smalltalk tem uma sintaxe muito simples: eu posso ensinar a sintaxe completa a alguém em cerca de 20 minutos, e, de fato, a incluo em minhas palestras introduzindo as pessoas ao Seaside. As principais implementações Smalltalk (com exceção de GNU Smalltalk) também possuem IDEs maduros permitindo a fácil exploração do código, de modo que aprender as bibliotecas é somente uma questão de olhar a implementação e uso das mesmas

E isso também é um bônus: nós temos duas implementações comerciais (Cincom e GemStone/S) e duas abertas (Squeak e GNU Smalltalk), todas suportando Seaside. Isso permite que gerentes mais preocupados, que podem hesitar ao selecionar uma linguagem estritamente suportada por voluntários, escolherem entre dois provedores comerciais para suporte. Opções são sempre boas!

Você acha que Smalltalk finalmente vai alcançar status mainstream, isto é, ganhar aceitação do mercado em geral?

Bem, Smalltalk tinha status mainstream no meio dos anos 90, logo antes de Java entrar na história, pelo menos do que tange a firmas grandes de Wall Street e outras instituições que desejavam desenvolvimento rápido de GUIs para ficar à frente da competição.

Mas sim, eu acredito que Smalltalk está posicionada para entrar o mercado novamente como um grande player. Para mais detalhes, veja meu artigo sobre O Ano do Smalltalk.

Sua palestra tinha o título, “Seaside: Seu Próximo Framework Web”. O que há de tão interessante sobre o Seaside?

Eu gosto da forma como Seaside consegue abstrair tanto o fluxo de controle (ao longo de um eixo) e a representação (ao longo do outro eixo) com relativa facilidade. Seaside parece colocar as coisas certas relacionadas perto uma das outras. Eu também gosto do “depure uma página com erro dentro da própria página”: quando algum erro aconteceu, eu posso explorar a situação dentro do depurador normalmente, consertar o que está quebrado, limpar a bagunça, e continuar a execução da página como se nada houvesse acontecido.

Da mesm forma, a persistência tradicional em Rails é feita através do Active Record, que requer que objetos passem por um mapeador objeto-relacional para chegar em SQL. Seaside pode fazer a mesma coisa (via GLORP), mas possui soluções melhores pulando inteiramente o mapeamento, e usando coisas como Magma (OODBMS), que é aberto, ou algo como GemStone/S Virtual Machine, que é comercial. Quando você tira a camada ORM, voc&e ganha muita velocidade e um ambiente de programação bem mais confortável.

O que você vê no futuro do Seaside, e como esse futuro se compara ao dos outros frameworks?
A equipe do Seaside está agora no processo de refatorar e re-empacotar o Seaside para tornar a portabilidade ao longo de várias plataformas algo mais facilmente gerenciável e modular. Isso permitirá que cada desenvolvedor use somente as partes que desejar. Eu também estou vendo vários add-ons sendo criados, como o Pier CMS e várias APIs para coisas como Google Graphs e assim por diante.
Você acha que o mercado está pronto para o Seaside?
Sim. O Rails reabriu as discussões sobre o que fazer em um mundo após o Java, voltando para linguagens com late-binding como Perl, Python e Smalltalk. E Seaside é um framework maduro, ainda mais velho do que Rails. Somente não tão conhecido. Eu espero mudar isso.
Você já colocou algo em produção com o Seaside? Se sim, quais foram os desafios?
Eu estou trabalhando em alguns projetos agora, mas nada público. O desafio inicial foi a relativa falta de documentação, o que me forçou a gastar dois dias passando por todos os e-mails na lista de discussão. Fiquei mais informada, mas definitivamente com os olhos cansados. Eu espero devolver esse conhecimento escrevendo em meu blog e ajudando a responder questões no IRC e lista de discussão.
Você agora é parte do Squeak Foundation Board. Quais são seus planos para a Squeak Foundation?
Minha preocupação primária agora são questões de licenciamento, controle das releases e publicidade. Todas essas questões já estão sendo trabalhadas, é claro, mas todos somos voluntários e sempre estamos procurando mais voluntários para ajudar.
A Squeak Foundation tem algum plano para Seaside?
Nada formal, até onde eu sei. Entretanto, como Squeak é a plataforma primária para desenvolvimento do Seaside, eu tenho certeza de que Seaside será um componente principal nesse área.
Quais são os planos mais interessantes dentro do mundo Smalltalk/Seaside atualmente?
Bem, o que me envolve no momento é o GLASS (GemStone/Linux/Apache/Seaside/Squeak), uma solução da GemStone para que pessoas possam conseguir rodar Seaside rapidaemnte. Isso também envolve levar o pessoal da GemStone a criar uma solução comercial de custo zero, mas ainda funcional (mesmo que de forma mais limitada) do GemStone/S. Com essa versão gratuita, uma pessoa poderá construir um negócio, e quando o negócio exceder as capacidades da versão, migrar sem problemas para licenças maiores e ainda razoáveis. É um bela solução para uma VM Smalltalk sólida e comercialmente suportada com persistência e clustering já presentes.
E sobre o próximo ano do FISL? Como você conseguiu três dias inteiros para Smalltalk?
Bem, como eu disse, “tudo começou com algumas doses de caipirinhas…”
Quais são os seus planos para esses três dias? Você tem a intenção de trazer outros Smalltalkers?
Eu estou trabalhando com os organizadores do FISL e vários outros provedores de soluções e grupos dentro da comunidade Smalltalk para produzir uma mini-conferências. Espero ter treinamento inicial e avançado de Smalltalk, e vários tutoriais de Seaside. Expero que a conferência possa atrair um número significativo de desenvolvedores Smalltalk para o FISL pela primeira vez, e expor os demais participantes à linguagem, de modo que todos ganhem.

Muito obrigado, Randal, pela entrevista.

Scrum compensa?

April 28th, 2008 § 6 comments § permalink

O Lucas Húngaro me perguntou:

[Q]uais os benefícios que você está vendo no Scrum em relação à maneira que normalmente é usada pra desenvolver software? O impacto positivo na qualidade está sendo sensível?

Vocês usam também práticas do XP como integração contínua?

Eu estou longe de ser um especialista no assunto–quarta-feira agora termino o meu terceiro sprint–mas posso falar um pouco sobre a experiência que estamos tendo como equipe. Se eu falar besteira, a maioria da equipe tem blog e pode me corrigir (ou matar, dependendo da quantidade de besteira).

Apenas para esclarecimento, como já foi mencionado muitas vezes em material sobre o assunto, Scrum e XP são complementares no sentido de que um trata sobre o processo de desenvolvimento e o outro sobre o próprio desenvolvimento. Em outras palavras, um está mais na esfera gerencial enquanto o outro mais na esfera de produção.

O que eu vi no meu treinamento inicial e, obviamente, nesse três primeiros sprints me convenceu de duas coisas:

  1. O Scrum não é uma silver bullet
  2. O Scrum é apenas uma questão de bom senso

O primeiro fato é bem óbvio: se o Scrum fosse realmente uma silver bullet, sua adoção seria bem maior e os resultados seriam ganhos de produtividade tão imensos que estariam abalando a indústria nesse momento. O Scrum é muito bom, mas responde por somente uma das facetas de todo o processo de desenvolvimento.

Sobre o segundo fato, o Scrum é uma forma do velho acordo de cavalheiros, uma coisa que está cada vez mais distante de nosso realidade “moderna”. É uma proposta simples: o gerente diz o que precisa, os desenvolvedores dizem o que podem fazer–ambos sendo honestos entre si–e um acordo é feito sobre a produtividade dentro de um período. Nada mais e nada menos. Essencialmente, o Scrum é uma ferramenta que depende de uma comunicação honesta entre as duas partes envolvidas e que possui mecanismos para garantir que a comunicação continue honesta–ScrumMasters, taskboards, e burndown charts são só maneiras de garantir que a comunicação e o bom senso continuem sendo aplicados ao longo do sprint, o período convencionado para o desenvolvimento das características combinadas.

Nesse sentido, os benefícios, na minha opinião, são:

  1. Controle de expectativas
  2. Visibilidade de processo
  3. Comunicação facilitada

O impacto na produtividade e qualidade são medidos dentro desses três prismas e são bem interessantes. Obviamente, dentro do que o Scrum estabelece, há uma exigência de que todos comprem a idéia do mesmo. Uma equipe no processo caótico usual onde o gerente desconfia dos desenvolvedores, estabelece prazos irreais, e onde os desenvolvedores estão sempre dando estimativas incorretas por medo das conseqüências, não consegue, de forma alguma, usar o Scrum.

Quanto todos estão na mesma página–e 90% do Scrum é isso–a qualidade começa a aparecer porque o controle das expectativas é formalizado, o processo é transparente e todo mundo consegue acompanhar e resolver os problemas tão logo aparece, e a comunicação chega ao seu nível ideal.

Finalmente, em relação ao XP, estamos experimentando com o mesmo. No momento, estamos usando pair-programming e estamos bem satisfeitos com o incentivo que o mesmo está dando à equipe. A princípio, usar TDD e alocar duas pessoas em uma única tarefa parece contra-producente mas o efeito é realmente o contrário.

Estamos fazendo integração contínua e é fácil para todo mundo acompanhar o que está acontecendo. É claro que, como estamos relativamente no começo, há muita a evoluir. Mesmo assim, os resultados tem sido interessante.

Voltamos então à pergunta: compensa? Do que eu vi até agora, a resposta é sim. Quando se tem uma equipe e você precisa resolver os problemas Brookianos normais, Scrum é o que até agora me pareceu mais interessante. Provavelmente não se aplica em todas as situações, mas para o que estamos fazendo está funcionado muito bem.

Espero ter respondido à pergunta do Lucas. :-)

Knuth, TDD e $2.56

April 27th, 2008 § 5 comments § permalink

Uma entrevista muito interessante como Donald Knuth está fazendo as rondas na Internet e há gente comentando sobre o fato de que o velho mestre não só não é muito fã de TDD (e suas variantes) como não gosta de quase nada no que se refere a Extreme Programming.

O Phillip Calçado já escreveu sobre o assunto brevemente, referenciando Keith Braithwaite, que diz:

  1. Você não é Donald Knuth;
  2. Você está preparado para fazer o que Knuth faz para que seus programas funcionem sem TDD?
  3. Se sim, quem vai lhe pagar por isto?

Como Braithwaite diz, a vida de um programador como Knuth, que vive de pesquisas e escrever seus livros é completamente diferente de um programador em uma empresa qualquer, lidando com dezenas de outras variáveis, equipes, sistemas, integrações, etc. Não que isso queria dizer nada em termos de melhor ou pior, somente que situações diferentes precisam de estratégias diferentes. TDD e Extreme Programming são uma resposta ao tipo de aplicação que muda constantemente e que geralmente é integrada ao longo de um amplo espectro de pessoas e interfaces. Além de ser um poderoso fator motivador, TDD serve como um fallback para o tipo de problemas que aparecem constantemente quando a especificação do código muda diariamente.

Vale lembra que Donald Knuth investe centenas de horas em seus programas–usando principalmente literate programming que, primeiro, requer que o código seja verbalizado, e, segundo, funciona como uma espécie de TDD em prosa. Da mesma forma, ele fechou o código original do TeX e não divide o controle do mesmo com ninguém. Em outras palavras, é um projeto de um homem só em que ele pode ser tão detalhado quando quiser. Finalmente, como já foi mencionado por outros, ele oferece $2.56 por bug encontrado em seu código ou algoritmos.

Em outras palavras, se você quer descartar TDD porque você não quer fazer ou qualquer outro motivo similar, ótimo. Agora, se é porque o que Donald Knuth disse lhe deu um warm feeling inside de vindicação, me lembre de nunca chegar perto do seu código.

Não é à toa que chamam de sprint

April 25th, 2008 § 1 comment § permalink

Na próxima quarta, a nossa equipe termina o terceiro sprint do projeto em que estamos trabalhando. O trabalho essencial foi concluído hoje, mas ainda faltam ajustes para fechar e chegar a um sprint review positivo.

E, caramba, não é à toa que chamam as iterações de sprints. É claro que não há acaso na escolha porque a sensação durante a iteração é justamente a de um corredor. Quando chega o dia do review e as coisas se acalmam para uma reflexão, há virtualmente uma sensação física de fim de corrida.

E isso porque a equipe ainda está se ajustando. Eu não quero nem pensar em quando as coisas estiverem rodando em velocidade máxima–sem os empecilhos usuais de um início de projeto. Vai ser alucinante.

Tradução do Squeak by Example: Instruções

April 25th, 2008 § 1 comment § permalink

Para quem deseja contribuir com a tradução do Squeak by Example, o Daniel Martins colocou instruções super-detalhadas de como configurar o ambiente no Ubuntu (instruções que provavelmente funcionam para a maioria das distribuições Linux com diferenças somente em como os pacotes são instalados), baixar e começar a contribuir para o projeto.

Para quem usa o Mac OS X, as instruções são essencialmente as mesmas para o uso do Git para obter os arquivos. Na parte de instalação, eu comendo o MacTeX como a distribuição LaTeX. Para obter o próprio Git, o modo mais fácil é usar o MacPorts e deixar que ele compile as dependências.

Lembrando que, se você deseja contribuir imediatamente com tradução de algum capítulo, registre o seu interesse na planilha de acompanhamento. E, como o Daniel disse, mesmo que você não queira necessariamente traduzir, precisamos de revisores para conferir o texto, uso dos termos, etc.

No mais, já temos cinco pessoas traduzindo vários capítulos. Agora é só tocar o bonde que logo teremos o livro pronto para consumo.

Terminator: The Sarah Connor Chronicles

April 24th, 2008 § 6 comments § permalink

Terminei de ver os nove episódios da primeira temporada de Terminator: The Sarah Connor Chronicles. Muito boa a volta a um dos mais interessantes universos pós-apocalípticos dos últimos tempos, embora, é claro, com as dificuldades de manutenção da consistência interna em relação aos filmes.

Os efeitos especiais são bem decentes; o diálogo, embora não particularmente inspirado, consegue dar a sensação de opressão que os filmes passam; e os episódios seguem uma boa progressão que termina a temporada de maneira bem razoável. Eu gostei especialmente da forma como Sarah Connor é retratada, um misto de profeta e mãe super-protetora que parece inconsciente da dualidade que provoca no filho. Isso tudo bate bem com o mythos da série.

Eu me pergunto, entretanto, se a série consegue sobreviver ao mesmo formato de fuga-exterminador encontra o grupo-exterminador é exterminado-grupo fica em paz-outro perigo aparece-ciclo recomeça. Pelos ratingss dos últimos episódios, o público também parece concordar que é necessário mudar um pouco.

Obviamente, há a questão de tentar parar a Skynet e todos os paradoxos temporais associados com isso que vão se tornando mais importantes à medida que a série avança. Mas mesma essa parte da estória pode se tornar problemática dentro do contexto acima.

Vamos ver o que a segunda temporada trará. Interessante também vai ser o relacionamento da série com os possíveis futuros filmes que estão sendo encaminhados. Eu gosto muito da franquia e gostaria de ver o universo se tornar mais elaborado mas esse tipo de série é o que mais arrisca cair na mesmice. Espero que dure pelo menos algumas temporadas de estórias interessantes.

Um mês de São Paulo

April 23rd, 2008 § 8 comments § permalink

Um mês na metrópole:

  • Vinte e cinco dias com alergia
  • Chuva ou garoa virtualmente todos os dias
  • Duas vezes em engarrafamentos de mais de uma hora e meia
  • Uma única viagem de trem
  • Nenhuma viagem de metrô ainda
  • Nenhuma participação no #NoB
  • Nenhuma ida a um shopping
  • Uma única ida ao centro da cidade
  • Um terremoto! (boa lembrança do Luiz)

Conclusão: eu ainda estou fingindo que estou em Belo Horizonte, exceto pela alergia.

Tradução do Squeak by Example

April 23rd, 2008 § 15 comments § permalink

Comecei um projeto de traduzir o livro Squeak by Example em português. O livro, que foi lançado há alguns meses atrás e que é um esforço colaborativo para escrever um livro compreensivo sobre o tema e já foi traduzido parcialmente em francês e alemão. Acho que mais uma linguagem não fará mal.

Como eu não tenho acesso ao repositório ainda (estou conversando sobre o assunto com os criadores do livro), resolvi colocá-lo em um repositório Git para fácil acesso. O repositório está no Gitorious (não coloquei no Github porque o mesmo só suporta 100MB e o livro excede isso).

Como o livro é relativamente longo, é muito provável que a tradução demore um certo tempo. Contribuição, então, são muito bem-vindas.

Para quem deseja contribuir, o processo é simples: faça um clone do repostório (de preferência no próprio Gitorius) e me mande patches ou, no caso do próprio Gitorius, merge requests. Eu terei o maior prazer em incorporá-las ao repositório principal. Acesso ao repositório principal também será concedido a quem contribuir significativamente.

É isso. Mãos à obra. :-)

Atualização: O Daniel Martins já colocou no ar a planilha que usaremos para coordenar as atividades dos interessados. Quem quiser, edite a mesma para indicar o que está fazendo.

Seaside e Smalltalk avançando no Brasil

April 20th, 2008 § 6 comments § permalink

Smalltalk e Seaside dominando no FISL: notícia boa vinda do Randal Schwartz em seu blog:

But the biggest news is that based on the preliminary interest in Seaside because of my talk, the FISL conference organizers offered an **entire room for next years conference*** (the full three days with 12 hours per day), as well as four or five main-track hour talks, if I could help organize the subconference details! This is quite a gift, because it will mean that we can expose the 7000 conference attendees to a variety of Smalltalk programs, without paying for rooms or badging or promotion. The conference asked if I could get some corporate sponsors on board, and I immediately fired off email to James at Cincom and Monty at GemStone, and thank goodness they read email on Saturday, because they offered their support quickly. Of course, we have many details to work out, but everyone agrees that we will move forward!

Smalltalk é uma linguagem que está retornando com força total depois de mais de 20 anos vivendo às margens de outras linguagens tecnicamente não tão interessantes e isso é muito bom. Seaside é possivelmente o framework Web mais avançado em existência atualmente e muitas das idéias que vão influenciar o mercado nos próximos anos estão sendo testadas na prática no projeto–sem contar também os inúmeros projetos associados que estão avançando outras áreas. A comunidade Smalltalk é uma das poucas que está produzindo conteúdo real que implicará em mudanças de paradigmas e avanço na parte essencial da computação (dentro da divisão feita por Fred Brooks).

A palestra do Randal Schwartz já tinha um título provocativo de Seaside: Your Next Web Framework. No meio da palestra, ele ainda solta que Seaside é o framework que tornará obsoletos a maioria dos outros (não por si só mas pelas idéias geradas) e que Smalltalk é o próximo Ruby. Eu não tenho dúvidas que ele está, em grande parte, correto. A inovação atual não está ocorrendo em frameworks semi-orientados a objetos, mas em projetos que estão jogando fora a sabedoria convencional.

Eu, que nunca escondi minha admiração tanto pelo Smalltalk e Seaside, confesso que estou sorrindo até as orelhas. Se metade das idéias de Seaside pegarem em outros frameworks Web, os próximos anos serão muito mais produtivos.

FISL, dia 3

April 20th, 2008 § 4 comments § permalink

Terceiro e último dia do FISL. Mantive o mesmo padrão de ontem e participei de palestras sem esquecer das conversas no meio tempo. O dia foi bem legal com oportunidades extensas de conversas e encontrar com mais gente que eu não via há muito tempo.

Nas palestras, a primeira da qual participei foi a de Seaside com o Randal Schwartz. Muito boa, é claro, e deu para ver que o pessoal na platéia ficou impressionado. Houve expressões literais de surpresa quando ele mostrou o debugger em ação e erros sendo corrigidos diretamente em uma aplicação em execução. Infelizmente, ele só teve 35 minutos para falar e acabou ficando um pouco apertado para fazer tudo o que ele pretendia. Não tive tempo de conversar com ele depois porque já queria em outra palestra mas não tem problema: ele publicou no blog dele que a organização do FISL lhe ofereceu uma sala para três dias inteiros no ano próximo para sessões sobre Squeak, Seaside e Smalltalk em geral. Impressionante, para dizer o mínimo. Com Cincom, Gemstone e outros aumentando seu suporte para Seaside, eu acho que finalmente a Web vai começar a se mover novamente e uma linguagem que merece uma exposição maior vai ter um bom lugar ao sol.

Depois disso, assisti a palestra do Sérgio Amadeu com o tema “Internet sob ataque”. Muita demagogia, pouco conteúdo e eu fiquei bem surpreso com o que escutei porque tinha ouvido o Amadeu em outras ocasiões e ele não me parecia um xiita tão incômodo. Gritando, atiçando o povo, estava mais para um Stallman escandaloso do que um sujeito mais centrado como das outras palestras que vi. Sinceramente, não gostei.

A palestra seguinte foi sobre Scrum e não consegui ouvir nem quinze minutos. O assunto era bom, a sala estava lotada, mas é como a Thaís disse no Twitter: saber de algo não é o mesmo que saber falar. A palestra estava sem rumo, slides misturando português e inglês e acho que quem estava lá não conseguiu extrair muito do que Scrum e XP realmente são. Eu confesso que passei os 30 minutos da palestra lendo um livro.

A palestra final foi a do John “maddog” Hall que deu um banho em todos os palestrantes do evento. Eloqüente, alegre, sincero e bem humorado, controlou os trinta minutos que falou e as perguntas seguintes com uma presença que os outros palestrantes ganharia muito em emular. Ele falou sobre recuperar a parte divertida do código livre e a importância do mesmo para o mundo de uma maneira que evitou completamente a demagogia do Amadeu e o extremismo do Stallman. É quase impossível descrever a palestra porque o velinho gente boa (que foi comparado ao Papai Noel em uma pergunta) tem–como diria o povo–as manhas completas. :-) E de quebra, é super-acessível. Só a palestra dele valeu o FISL inteiro.

Durante os intervalos das palestras, mais conversas com o pessoal que foi aparecendo. De tarde, mais um papo legal com o Vinicius Telles e o resto da galera de Rails que estava lá. Durante o dia encontrei também com o Bruno Torres.

E depois de seis anos, finalmente me encontrei com o Guaracy Monteiro, meu guru programático espiritual, o cara que estava me falando para usar Ruby dois anos antes de que eu pensasse na idéia e publicando screencasts de Seaside antes que qualquer pessoa, eu inclusivo, tivesse ouvido sequer falar nisso.

Acabou que no final fomos todos para uma churrascaria local, a 35, para um rodízio insano de carnes e mais conversa maluca sobre tudo e mais um pouco. Estavam lá o Thiago Silva, Bruno Torres, Guaracy Monteiro, Thais Camilo, Gabriel Reis, Lucas Húngaro, Jony dos Santos, Vinicius Telles, Carlos Eduardo e mais uma porção de gente que eu, como sempre, não vou conseguir lembrar precisamente. Eu, Bruno, Thiago e Guaracy ficamos até quase meia noite batendo papo sobre novos paradigmas Web, hipermídia, transclusão, o futuro hiper-tecnológico, especiação social, REST, e mais um bilhão de tópicos enquanto a picanha rolava solta. E isso sem contar o engraçadíssimo “show” de danças regionais que é o espetáculo local do restaurante. Barulhento em extremo, mas divertido.

O saldo de três dias do FISL foi uma experiência incrível que valeu a pena cada segundo. Clichè, eu sei, mas nem por isso menos verdadeiro. Palestras excelente, conversas com um pessoal super-interessante (gente como o Thiago Silva, Metal e Guaracy Monteiro sempre me deixam com a sensação de que eu ainda nem arranhei certas áreas da profissão e que existe um universo inexplorado). E também a oportunidade de conversar com ídolos da área, gente que você nunca imagina serem tão acessíveis.

Muito bom e espero repetir a dose ano que vêm.

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