Scrum e The Mythical Man-Month

April 6th, 2008 § 4 comments

Ontem, como mencionado aqui anteriormente, tive um treinamento de Scrum. O coach for Peter Hundermark da SPRiNT-iT, que também está nos acompanhando nos sprints iniciais. Foi um dia muito bom e movimentado. Voltei morto para casa, mas com a consciência de ter entendido melhor vários aspectos do Scrum que o fato de ter entrado no meio de um sprint haviam me impedido de ver.

Durante o treinamento, Peter mencionou The Mythical Man-Month, que sempre acaba sendo citado em discussões sobre métodos ágeis. Como estou lendo o livro agora, comecei a pensar no relacionamento entre Scrum e o que Frederick Brooks escreveu sem seus ensaios. O interessante é perceber que tanto o Scrum como Brooks em seu livro aplicam pouca coisa mais do que o bom senso para obter um fluxo de trabalho mais são.

Fiquei especialmente impressionado com o que o Scrum procura obter e os pontos problemáticos que Brooks menciona do ensaio que deu o nome do livro. Brooks coloca cinco pontos, que podem ser contrastados com o que o Scrum propõe:

  1. As técnicas de estimativa são pouco desenvolvidas e refletem a asserção de que tudo correrá bem. No Scrum, para começar, problemas são assumidos. Em segundo lugar, a própria natureza do Planning Poker aceita esse pouco desenvolvimento e procura oferecer uma flexibilidade na estimativa para compensar a incerteza inerente e o fato de lidar com múltiplos níveis de experiência e função dentro do time.

  2. Técnicas de estimativa geralmente confundem progresso com esforço. Esse é mais um ponto em que as técnicas de estimativa do Scrum procuram compensar a natureza humana definindo as coisas em termo de esforço esperado e não em progresso quantitativo.

  3. Gerentes geralmente não são firmes quanto a evitar possíveis problemas. Como no Scrum há uma concordância de esforço/complexidade entre o time e o product owner e isso controla a expectativa geral, há um melhoria dentro desse problema. E como medições empíricas da velocidade do time tender a se transformar em uma convergência final de velocidade esperada, fica mais fácil poder prever e forçar esperas antes dos problemas.

  4. Progresso é pobremente monitorado. Aqui também o Scrum propicia uma séries de maneiras de gerenciar o progresso. Seja pelo taskboard, seja pelos daily meetings ou pela medição geral da convergência da velocidade, o progresso está sempre visível e monitorado.

  5. Quando há atrasos, a resposta é adicionar mais pessoas ao time. Como o Scrum opera em times bem definidos e com tamanho fixo recomendando, a última resposta possível é mudar o time.

É interessante ver como uma metodologia ágil consegue responder de maneira bem apropriada aos problemas levantados por Brooks há tantos anos atrás e que ainda são tão endêmicos no campo. Eu estou curioso agora para passar por mais sprints e ver como o Scrum lida com os demais problemas que Brooks trata ao longo de seu livro.

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§ 4 Responses to Scrum e The Mythical Man-Month"

  • Davis says:

    Muito bom o texto. Estou estudando SCRUM diariamente. Depois que me desliguei da empresa para trabalhar em casa, tive problemas de rendimento, e aplicando SCRUM solo estou conseguindo monitorar e medir melhor meu tempo.

    Só estou com problemas ainda monitorar vários projetos ao mesmo tempo, scrum de scrums…

  • Ronaldo says:

    O que eu gosto mais no SCORM é justamente essa coisa “no nonsense” que reduz um monte de tarefas a uma solução simples. Timeboxing é o que há. :-)

  • Aqui na Globo.com estamos utilizando a um bom tempo já o Scrum e tem dado muito certo.

  • Ronaldo says:

    Thiago, dicas a compartilhar? :)

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