O novo usuário médio

April 8th, 2008 § 0 comments

Hoje estávamos contabilizando idades na equipe–um exercício pueril–e me dei conta de que estou na situação em a quase totalidade da mesma está abaixo de mim em idade. É engraçado, porque foi a primeira vez em que me dei conta da inversão. O que não quer dizer absolutamente nada, é claro, mas encaixou com uma conversa que tive mais tarde com o Lemos sobre a nova geração que já está crescendo com a Internet e as profundas mudanças sociais que isto já está trazendo.

Como eu nasci em uma geração que não tem esse perfil, eu tento me manter longe de choques futuros desenvolvendo para o segmento. Até o momento eu tenho tido um sucesso razoável em permanecer dentro da fração da população que está ativamente envolvida com esse futuro em particular–se não necessariamente criando na maior parte do tempo, mas pelo menos participando.

Mas, o interessante dessa conversa posterior foi perceber que estamos a pouco tempo de um enorme momento de transição. A maioria das pessoas que se relaciona com Internet em uma base regular e que esteve no início do uso no Brasil, por exemplo, traça suas raízes com a Web nos anos de 93 a 98. Já se vão, portanto, 10 a 15 anos de evolução. Considerando que o Brasil possui um lag óbvio e olhando para a própria história da Internet como um todo, temos um recuo de 20 a 25 anos. Isso é, essencialmente, um geração.

Em outras palavras, há um geração que já está inserida completamente dentro de um contexto de Internet. Esse momento já chegou. É claro que como existem outros fatores que impactam na adoção e popularização das ferramentas (preços, banda, limitações tecnológicas, etc), o potencial que deveria estar nas mãos dessa geração não está completamente realizado. Mas é curioso pensar que os filhos dessa próxima geração nascerão em um contexto ainda mais fundamentalmente diverso do que estamos experimentando hoje.

O que me lembra do conceito de usuário médio, que ainda serve como referencial de criação. Esse usuário já anda precisando de uma revisão–um upgrade se você quiser–em capacidades e aspirações. O maior desafio de qualquer nova aplicação hoje é condensar e catalisar essas necessidades.

Isso leva à quase cômica idéia de a velha guarda já está experimentando sinais de fadiga (nada mais do que choque futuro). Quando alguém diz que não tem a menor utilidade para lifestreaming, eu só consigo ver os reflexos dessa substituição. Eu vejo a minha relação com o Twitter nesse termos. Há uma classe inteira de usos/funcionalidades que passam completamente batidos a menos que se considere essa mudança.

Tanto melhor. I, for one, welcome our new information overlords.

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