FISL 9.0

April 7th, 2008 § 6 comments § permalink

Depois de vários anos planejando e nunca conseguindo, por várias razões, esse ano devo aparecer no FISL, cortesia da empresa. Isso se a companhia–oficial, inclusive–responsável pelas passagens e hospedagem finalmente resolver colaborar.

Vai ser legal encontrar com alguns amigos antigos que eu não veja há muito tempo e outros que ainda não conheço pessoalmente. E dessa vez vou aproveitar para cobrar o churrasco do Guaracy que está prometido há anos. :-)

Se tudo der certo, vejo alguns de vocês lá.

Scrum e The Mythical Man-Month

April 6th, 2008 § 4 comments § permalink

Ontem, como mencionado aqui anteriormente, tive um treinamento de Scrum. O coach for Peter Hundermark da SPRiNT-iT, que também está nos acompanhando nos sprints iniciais. Foi um dia muito bom e movimentado. Voltei morto para casa, mas com a consciência de ter entendido melhor vários aspectos do Scrum que o fato de ter entrado no meio de um sprint haviam me impedido de ver.

Durante o treinamento, Peter mencionou The Mythical Man-Month, que sempre acaba sendo citado em discussões sobre métodos ágeis. Como estou lendo o livro agora, comecei a pensar no relacionamento entre Scrum e o que Frederick Brooks escreveu sem seus ensaios. O interessante é perceber que tanto o Scrum como Brooks em seu livro aplicam pouca coisa mais do que o bom senso para obter um fluxo de trabalho mais são.

Fiquei especialmente impressionado com o que o Scrum procura obter e os pontos problemáticos que Brooks menciona do ensaio que deu o nome do livro. Brooks coloca cinco pontos, que podem ser contrastados com o que o Scrum propõe:

  1. As técnicas de estimativa são pouco desenvolvidas e refletem a asserção de que tudo correrá bem. No Scrum, para começar, problemas são assumidos. Em segundo lugar, a própria natureza do Planning Poker aceita esse pouco desenvolvimento e procura oferecer uma flexibilidade na estimativa para compensar a incerteza inerente e o fato de lidar com múltiplos níveis de experiência e função dentro do time.

  2. Técnicas de estimativa geralmente confundem progresso com esforço. Esse é mais um ponto em que as técnicas de estimativa do Scrum procuram compensar a natureza humana definindo as coisas em termo de esforço esperado e não em progresso quantitativo.

  3. Gerentes geralmente não são firmes quanto a evitar possíveis problemas. Como no Scrum há uma concordância de esforço/complexidade entre o time e o product owner e isso controla a expectativa geral, há um melhoria dentro desse problema. E como medições empíricas da velocidade do time tender a se transformar em uma convergência final de velocidade esperada, fica mais fácil poder prever e forçar esperas antes dos problemas.

  4. Progresso é pobremente monitorado. Aqui também o Scrum propicia uma séries de maneiras de gerenciar o progresso. Seja pelo taskboard, seja pelos daily meetings ou pela medição geral da convergência da velocidade, o progresso está sempre visível e monitorado.

  5. Quando há atrasos, a resposta é adicionar mais pessoas ao time. Como o Scrum opera em times bem definidos e com tamanho fixo recomendando, a última resposta possível é mudar o time.

É interessante ver como uma metodologia ágil consegue responder de maneira bem apropriada aos problemas levantados por Brooks há tantos anos atrás e que ainda são tão endêmicos no campo. Eu estou curioso agora para passar por mais sprints e ver como o Scrum lida com os demais problemas que Brooks trata ao longo de seu livro.

A ironia de Brooks

April 5th, 2008 § 2 comments § permalink

Estou lendo The Mythical Man-Month, de Frederick Brooks. O livro é um dos clássicos que eu ainda não tinha conseguido ler e estou achando fascinante o modo como Brooks coloca seus pensamentos e afirmações. O mais interessante são as pérolas que ele espalha pelo texto. Coisas como:

  • The bearing of a child takes nine months, no matter how many women are assigned.
  • How does a project get to be a year late?… One day at a time.

Levemente irônicas e inteiramente verdadeiras. Brooks realmente é um gênio.

Dois tipos

April 4th, 2008 § 5 comments § permalink

Há dois tipos de pessoas que não tolero:

  • As que respondem “sim, mas”, mesmo quando você está concordando com elas;
  • As que ignoram completamente o que você falou e respondem como se você não tivesse acrescentado absolutamente nada ao argumento.

Ultimamente, nem estou me dando ao trabalho de continuar as discussões. Se a pessoa se recusa a pensar, eu não vou pensar por ela.

Scrum

April 3rd, 2008 § 1 comment § permalink

Hoje participei pela primeira vez de um fim de sprint Scrum. Como cheguei aqui e meio que caí de pára-quedas no processo, foi bem interessante participar dessa finalização e entender um pouco mais de como as coisas funcionam dentro dessa estratégia ágil.

O mais interessante foi perceber o quão flexível e adaptável o Scrum é. Como a equipe está se adaptando a uma série de novas situações, é fácil cair no modo de pensamento de que exceções podem ser ignoradas em favor dessa própria necessidade de adaptação. O que mais me surpreendeu durante as duas últimas semanas foi justamente a capacidade do Scrum de evitar exceções pela transformação das mesmas em oportunidades de ajustar o processo de maneira quase que transparente.

Sábado agora vou participar de um treinamento sobre o assunto e estou bem curioso para ver como o processo inteiro funciona. Essa é a primeira vez que eu tenho a oportunidade de fazer parte de uma equipe usando Scrum e depois de ler bastante e ver o pessoal falar muito sobre o assunto nos últimos meses tem sido bem proveitoso poder trabalhar na prática todos os benefícios já examinados teoricamente.

E que venham os próximos sprints!

Balanço cultural de março

April 2nd, 2008 § 1 comment § permalink

Março foi o mês da minha mudança para São Paulo e o último terço do mês foi praticamente sem leituras, o que reduziu bastante a minha média mensal. Apesar disso, deu para ler bastante coisa interessante e assistir a alguns filmes.

O resultado mensal ficou assim:

  • 5 livros
  • 4 filmes
  • 10 episódios de séries

Abri o mês lendo Raibowns End, do Vernor Vinge. Vinge é um autor fascinante e influente tanto no âmbito da ficção científica como no da ciência da computação com suas idéias sobre inteligência artificial e a singularidade tecnológica. Não é por acaso que seus livros regularmente ganham os prêmios maiores na área. Seus A Fire Upon the Deep e A Deepness in the Sky são obras primas do gênero e livros que o leitor não esquece facilmente. Rainbows End, seu último, é uma exploração incrível de um possível futuro próximo e um pré-testamento às transformações que estão acontecendo no momento em nossa sociedade. Mais detalhes sobre o que eu achei do livro podem ser encontrados em minha resenha.

Depois desse foi a vez do Free Culture, do Lawrence Lessig. Excelente também, por sua análise profunda e sem reservas sobre o campo de propriedade intelectual e cultura. Não vou me estender mais nos detalhes porque também fiz uma resenha sobre ele na época em que li onde dou mais detalhes sobre os temas e o que achei.

Na seqüência li The Algebraist, do Iain M. Banks. Ele é um autor do qual gosto bastante por sua série The Culture, mas não gostei muito desse título. Não por não pertencer à série–ele continua sendo um escritor muito bom–mas pelo excesso de world-building em detrimento da trama principal. Para quem prefere, o livro vai ser muito bom porque apresenta uma galáxia de personagens interessante, mas eu realmente achei muito lento e um pouco perdido em relação aos outros que eu tinha lido.

O mês continuou com Farthing, de Jo Walton. Esse é um mistério detetivesco que se passa em uma Inglaterra alternativa em paz com o Terceiro Reich, paz essa obtida logo após o início da guerra e onde os Estados Unidos nunca entraram em combate. O livro se passa oito anos depois e envolve o grupo de pessoas que negociou a paz. Novamente, fiz uma resenha sobre o livro, do qual gostei bastante, e também não vou me alongar aqui sobre os detalhes.

Fechei o mês com Crystal Rain, livro de estréia do Tobias Buckell. É divertido, uma boa space opera, mas que falhou em me empolgar com outros do gênero.

Nos filmes, assisti The Ark of Truth, um dos dois filmes que vão completar os arcos de enredo que ficaram faltando de Stargate SG-1. Foi mais um episódio de duas horas que realmente resolveu um dos arcos de maneira rápida e sem firulas. Divertido, mas nada de especial.

Depois disso vi Disturbia (Paranóia), mais um desses filmes sobre o serial killer da casa ao lado. Também divertido, mas sem maiores surpresas.

Continuei com Layer Cake, com o Daniel Craig na pelo de um traficante que planeja se aposentar mas quando está para sair se vê envolvido em uma cômica trama de encontros e desencontros. Deu para rir um pouco e o final foi bem coerente com o tom do filme.

Fechei o mês revendo Children of Men, que continuou muito bom e interessante na segunda passagem. O tom sombrio e triste do filme e o tom logo após o encerramento, quando os créditos começam a rolar, sem completam de uma maneira muito agradável e que tornam o filme bem memorável.

Em abril provavelmente a média baixa se manterá com todas as mudanças que estou acontecendo. Tanto é que até o momento não consegui ler mais do que cinco páginas dos dois livros que estou lendo. Só espero que maio dê mais folga.

Brasigo

April 1st, 2008 § 8 comments § permalink

Agora que já é oficial, posso contar mais sobre o que estou fazendo aqui em São Paulo, o que me levou a sair do meu cantinho mineiro e vir para a selva. O nome da empreitada, tocada pelo Manoel Lemos, é o Brasigo, que está começando como um serviço de perguntas e respostas de brasileiros para brasileiros mas que em breve será expandido para vários outros serviços de conteúdo gerado pelo usuário.

Como ainda estamos experimentando e arrumando algumas coisas, o sistema ainda está em beta fechado, mas convites serão distribuídos por vários locais em breve. Qualquer coisa sobre isso eu posto aqui.

É um projeto ambicioso em todos os sentidos e eu já estou me sentido bem desafiado com as coisas que temos que fazer para que tudo dê certo. O melhor é que eu faço parte de um equipe super-jóia que entende de tudo e que já está me ensinando um bom bocado sobre muitos assuntos que eu conhecia em leituras e experimentos mas que agora preciso colocar na prática. Estou a pouco mais que uma semana e meia aqui e já deu para fazer bastante coisa legal.

Como o Manoel disse, é uma aventura que está começando e estamos procurando mais gente para fazer parte da equipe. Se você tem interesse, dê uma passada no blog do Brasigo e faça contato. Ou seja apenas quer usar, deixe seu nome na lista de espera e logo sairão convites.

É isso. Espero ter reduzido um pouco do mistério. :-)

Where am I?

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