Balanço cultural de abril

May 1st, 2008 § 1 comment

Se março eu li pouco por causa da mudança, em abril eu li menos ainda por causa da movimentação no trabalho. Eu estava convencido de que chegaria ao final do mês sem terminar nada de significativo. O primeiro livro que consegui terminar de ler foi no dia 20 e isso graças a uma boa espera no aeroporto e a subseqüente viagem.

De qualquer forma, o resultado do mês foi o seguinte:

  • 4 livros
  • 5 filmes
  • 14 episódios de séries

O primeiro livro do mês foi The Mythical Man-Month, o trabalho seminal de Frederick Brooks. Publicado pela primeira vez em 1975, e revisado para seu aniversário de vinte anos, o livro permanece absolutamente atual e–mesmo as partes em que ele parece datado por causa da referência a tecnologias e práticas obsoletas contém material fascinante e absolutamente essencial para a compreensão do mundo em programadores operam. O livro, sobre o qual espero escrever mais futuramente, é uma coleção de ensaios que foi revisada e expandida em sua última edição. Dos ensaios, os dois mais famosos são o que dá nome ao livro e No Silver Bullet. Eu fiquei especialmente fascinado pelos pararelos entre Scrum e o livro.

De qualquer forma, esse é um livro que absolutamente todo programador (e de fato, toda e qualquer pessoa envolvida no meio de desenvolvimento) deveria ler. É um raro prazer encontrar um texto que permanece válido em todos os seus pontos essenciais depois de tanto tempo e conter tantos aspectos práticos para o dia-a-dia de desenvolvimento.

Na mesma linha, li em seguida The Long Tail, de Chris Anderson. O livro é uma expansão do seu famoso artigo na Wired e contém análises mais profundas do que o artigo oferecia. A essência do livro é que o mercado segue uma linha de distribuição em que a maioria das vendas são feitas no início da curva por razões de escassez, mas que existe toda uma cauda na curva (daí o título do livro/ensaio) que pode ser convertida em um enorme potencial de vendas e distribuição. O livro é uma fascinante exploração das razões e potencial de utilização da cauda longa e oferece muito mais do que uma simples expansão do artigo. Embora Anderson se limite a uns poucos mercados por razões de espaço, as explorações que o leitor pode fazer por conta própria são muitas. Esse é outro assunto que eu quero explorar aqui no futuro e estou especialmente interessado nas aplicações da cauda longa não para mercados mas no desenvolvimento de aplicativos e serviços em si.

Depois disso, Interface, por Neal Stephenson e George Jewsbury, que é um thriller político de primeira categoria. Embora seja de 1994 e ligeiramente datado em alguns aspectos, é ultrajante a capacidade que Stephenson tem de prever o futuro. Chega a ser estranha a forma como algumas partes do livro parecem refletir a realidade de 2008, não só nos Estados Unidos mas para o resto do mundo. Essencialmente, o livro é a estória de uma coalizão sombria que tenta manipular um candidato a presidente dos EUA implantando um chip em seu cérebro. A estória se converte em uma crítica seca e perspicaz do modelo político dos EUA, dos meandros do mecanismo de eleição e publicidade, e do próprio papel que as pessoas devem ter no mesmo. Vale cada palavra.

Para fechar o mês, li Sun of Suns de Karl Schroeder. Eu já tinha lido e gostado bastante de seu Postsingular e também gostei desse que é o primeiro livro em sua trilogia chamada Virga. O livro é sobre Virga e seus habitantes, um mundo sem gravidade, que na verdade é uma balão com cinco mil milhas de diâmetro orbitando uma estrela distante onde os habitantes desenvolveram uma cultura particular de cidades bizarras que são rodas gigantes gerando um pouco de gravidade e sóis artificiais sem os quais o “inverno” tomaria conta de tudo. Nesse ambiente, política, pirataria, e amor de misturam em um conto de vingança e–pelo menos parcialmente–rendenção. O final foi aberto demais, mas considerando que o livro é o primeiro de três, faz sentido. Bom o suficiente para me incentivar a ler os próximos livros pelo menos.

Nos filmes, destaque para Atonement, com Keira Knightley e James McAvoy, em uma bela estória sobre pequenos erros que se convertem em enormes problemas e que assombram pessoas até o último dia de suas vidas, Bela narração, bela fotografia e seqüências memoráveis.

Assisti também Cloverfield que me pareceu mais um exercício em futilidade. Ao contrário das resenhas sobre filme de terror/suspense da década, eu vi só um monte de correrias, e uma tentativa de esconder um monstro nada impressionante por trás de uma teia de diálogos vazios e superficiais.

Iron Man, se não foi profundo, foi pelos menos divertido o suficiente para valer a entrada. Robert Downey Jr. está mundo bem no papel de Tony Stark, conseguindo fazer o papel de herói e de playboy ao mesmo tempo sem perder o passo. Não conheço tanto da mitologia do personagem, mas a representação dele ao longo do filme foi muitoboa e completou muito bem as cenas de ação. Os outros atores também estão muito bem.

Nas séries, gostei bastante de Terminator: The Sarah Connor Chronicles. Vi todos os episódios já produzidos e acho que a série pode se converter em um bom adendo aos filmes desde que não caia em um círculo de estória. Mais detalhes na resenha que escrevi. As demais séries continuam como de usual.

Próximo mês, espero não chegar aqui e dizer que não li ou vi nada. :-)

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