Eu confesso que detesto o dito cujo do Gerundismo. “Eu vou estar” qualquer coisa soa feio aos ouvidos, não expressa claramente a idéia em questão e dá a aparência de um desleixo com o idioma falado.
Ainda assim, eu não tenho quase nenhuma dúvida de que em dez ou quinze anos o gerundismo estará tão formalizado em nossa gramática como a hoje quase esquecida transição do “Vossa mercê” para “Você”. Da mesma forma que o “tu” está mudando em várias regiões do país, o gerundismo é só mais um fenômeno lingüístico que se transformará pouco a pouco em algo aceito e que eventualmente ganhará suas próprias regras e aplicações.
Na linha do “você”, uma outra coisa que eu tenho notado é o uso de “agente” ao invés de “a gente”. Ainda não vi, é claro, em linguagem formal–e duvido que veja tão cedo–mas é algo que está aparecendo bastante.
Eu não me importo, mesmo sendo um fã confesso de Letras. Algo que eu acho fantástico em qualquer idioma é a capacidade de mudança que os mesmos possuem, sua adaptabilidade de refletir as necessidades de seus usuários primários. Quem acha que o idioma é feito pelos cultos e literatos não entende nada do assunto.
De qualquer forma, eu vou estar me preocupando bem pouco com isso nos próximos anos.

http://www.youtube.com/watch?v=h67k9eEw9AY
Olha, uma coisa é a evolução de formas de tratamento, que alias se transformaram tb em portugal, por exemplo, pra coisas mais simples. Outra coisa é dizer que uma redundancia verbal vai se tornar correta um dia. Acho isso bem dificil, sei lá, ultrapassa os limites de um erro gramatical, é um erro logico, é redundancia, usar dois verbos pra dizer o que um só diz. Eu, pelo menos, nunca vou usar essa coisa.
Minha irmã que é jornalista já observava isso há cerca de dois anos. Mesmo que isto se torne usual não deixará de soar esquisito para min, aliás “iniciar o computador” soa mais correto do que “inicializar”, termo muito usado por pessoas da nossa área.
Também concordo contigo Ronaldo.
O uso do gerúndio só tende a ser formalizado, pois a sua utilização só cresce.Percebo muito em screencasts e vídeos de treinamentos, é muito utilizado mesmo.As pessoas até acham que usando gerúndio estarão demonstrando maior profissionalismo para seu público alvo.
Sem contar com o episódio em que o gerúndio chegou a ser “demitido” através de decreto e tudo mais, pelo governador de Brasília, num ato de “sem mais nada pra fazer”.
http://jornalcidade.uol.com.br/site/paginauser.php?id=1553
Abraço,
Silva Developer
Bruno, huahuahuhaua, muito bom!
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Tonny, eu também duvido que vá gostar, mas é o mesmo que dizem os nossos pais sobre o que a “juventude de hoje em dia” fala. A linguagem é propriedade de quem fala; gramáticas são uma mera expressão temporária disso. Pode realmente não acontecer, mas essas coisas que pegam tão rápido geralmente se transformam em regras.
Sobre a evolução de “você”, eu hesitaria em dizer que foi uma evolução (ou mesmo “involução”). A mudança foi tão lateral (de formal para informal; de opcional para essencialmente obrigatória) que não dá para dizer nada exceto que houve mudança.
Em última instância, o incorreto de hoje é o correto de amanhã. E vice-versa. Depois que o costume chega, nem importa muito.
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Sérgio, exato! Meu filho assiste uma série de desenhos que se chama “Backyardigans”. Eu adoro o modo como a composição para formar esse nome ocorre transparentemente no inglês. Por mim, quando mais fluido e misturado o idioma, melhor sua capacidade. Shapir-Whorf na galera.
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Silva, exato também! É uma dissonância interessante: uma certa camada acha horrível e outra acha que dá poder, sabedoria ao que está sendo falado. E sempre esta última camada ganha. Eu acho o máximo.