Spook Country

June 26th, 2008 § 3 comments § permalink

William Gibson é essencialmente considerado o pai do cyberpunk pela sua visão abrangente das tendências atuais. Eu confesso que ainda não li nenhum dos livros que lhe deram fama original e como livros de ficção geralmente ficam datados muito rápido, ainda hesito em fazer isso. Mas como vários amigos estão quase me convencendo do contrário, é bem possível que eu os leia em um futuro próximo.

Isso tudo é para dizer que eu acabei de ler Spook Country, que se passa no mesmo “mundo” de Pattern Recognition, que, coincidentemente ou não, foi o primeiro livro de Gibson que li.

Os dois livros são muito parecidos em estilo, embora Spook Country seja, talvez obviamente, um pouco mais evoluído. Gibson tece uma estória interessante com múltiplas linhas que começam bem separadas e vão lentamente convergindo para o final do livro. No caso de Spook Country, arte locativa, sistemas de posicionamento global, conspirações e lavagem de dinheiro, artes marciais e espionagem se misturam em uma estória que tem ecos muito fortes em nosso mundo.

Para mim, entretanto, a palavra-chave dos dois livros é lentamente. Embora a estória seja realmente intrigante, pela visão que Gibson oferece do mundo moderno, em nuanças sombrias, os dois livros demoram um tempo enorme para que as múltiplas tramas cheguem ao ponto em que tudo é explicado e quando esse ponto chega, o leitor percebe que tudo poderia ter se resumido em um ou dois capítulos sem prejuízo da estória. Isso não significa que ele deixe pontas soltas nos outros capítulos e suas divagações servem para ilustrar os personagens. Apesar disso, o final não é tão dependente dessa divagações ao ponto de que sem elas o livro seria incompreensível. Alguns personagens, como Milgrim em Spook Country servem a um papel tão pequeno na resolução final que as páginas gastas no mesmo parecem desnecessárias.

Apesar disso, Gibson é um bom contador de estória e paralelizar o livro com o “mundo real” é um exercício interessante que vale a leitura.

O peixe e o advogado

June 17th, 2008 § 1 comment § permalink

Receita para o sucesso:

  • Um ambiente agradável
  • Um peixe ruim
  • Um preço caro
  • Um texto bem escrito
  • Um advogado sem noção nenhuma
  • Cento e cinqüenta e dois comentários e contando

Misture tudo e sirva um tiro no pé de tamanho Pagerank 7. O filme queimado, é claro, não tem preço.

Rails 2.1 destilado

June 6th, 2008 § 5 comments § permalink

O Carlos Brando é responsável por uma das minhas leituras mais constantes sobre o Rails na forma de sua compilação das mudanças de uma versão para outra do mesmo. Agora, ele juntou tudo isso em livro em PDF compilando todos os textos em um formato ultra-conveniente e muito bem acabado. Se você quer saber sobre todas as mudanças que aconteceram, não há lugar melhor.

Parabéns ao Carlos e ao Tapajós pelo excelente trabalho. Vale cada byte. E a propósito, se fosse pago, eu comprava. :-)

Balanço cultural de maio

June 6th, 2008 § 2 comments § permalink

Maio continuou movimentado e não li tanto quando gostaria. Apesar de já estar há três meses em São Paulo, ainda continuam as acomodações tanto na vida pessoal quando na profissional e maio também foi preenchido com coisas a resolver nessas duas áreas.

O resultado do mês foi o seguinte:

  • 4 livros
  • 5 noveletas e contos
  • 3 filmes
  • 15 episódios de séries
  • 1 peça de teatro

Nos livros, comecei o mês com Razão e Sensibilidade, de Jane Austen. A despeito de um certo estigma romântico sobre os livros, os livros de Austen são muito bem elaborados, repletos de uma análise social do ambiente e sistema de classes da época, do efeito disso sobre os personagens, e de um humor sarcástico que fazem dos seus livros excelentes leituras. Esse era um que eu ainda não tinha lido e me diverti bastante.

Depois disso foi a vez de The Disunited States of America, de Harry Turtledove. O livro é parte de uma série chamada Crosstime Traffic, que lida com viagens a mundos paralelos, mas pode ser lido independentemente. Li porque foi um dos livros que veio como parte da promoção da Tor, mas foi muito direcionado a jovens para valer tanto a pena. É uma escolha muito boa para quem quer ler para os filhos–não sei se tem tradução em português, entretanto–mas não apela tanto para adultos pelo estilo mais forçado.

Continuei o mês com The Lord of the Isles, primeiro de nove de uma série de David Drake, e também não me empolguei muito. Pode ser que os livros posteriores ficam melhores, mas esse me pareceu um clone excessivo de The Wheel of Time, com muitos dos elementos estando lá mais para trazer leitores desta outra do que pela estória em si.

Finalmente, terminei o mês nos livros lendo Minority Report, uma coletânea de contos de Philip K. Dick lançado no Brasil na esteira do filme. Os contos são excelentes, como sempre, e incluem alguns dos seus mais famosos que deram origem a filmes como Vingador de Futuro e Impostor. Recomendo para fãs do mestre e para qualquer um interessado em contos mais pesados de ficção científica.

Falando em contos, aproveitei para ler alguns dos contos e noveletas que eu tinha acumulado em minha conta na Fictionwise, a maioria dos quais obtive nas promoções relacionados ao Hugo e Nebula. Comecei com A Billion Eves, um belo conto de Robert Reeds sobre um universo em que os seres humanos de espalharam em milhares de universos similares seguindo uma estrutura rígida de casamentos e religião. Depois foi a vez de The Merchant and the Alchemist’s Gate, de Ted Chiang. Chiang é um escritor excepcional, único por suas estórias curtas entre os escritores modernos, e esse conto não decepciona: um misto de Mil e Uma Noites, viagens do tempo, dor e redenção, é outra belíssima estória. Depois disso, foi a vez de Fountain of Age, da consagrada Nancy Kress. O conto, sobre uma cura para a mortalidade e o relacionamento da mesma com o narrador da estória, é outro carregado de dor e buscas. Mais um que vale a pena ler. Eight Episodes, o seguinte, também de Robert Reed, foi bastante divertido. Por fim, Echo, por Elizabeth Hand, não me impressionou muito. Sendo mais no estilo de uma mood piece, não me cativou o suficiente para que eu gostasse das possíveis nuances.

Nos filmes, nada de mais. National Secret: Book of Secrets é divertido, mas repete demais a fórmula do primeiro para ser tão interessante e memorável como o outro. Untraceable poderia ser muito bom, mas cai nas variantes conhecidas de uma agente do FBI e uma nêmesis psicopata que nem a idéia de um site de tortura baseado em acessos podem salvar. A pregação anti-pirataria ridícula tira o resto do filme para qualquer espectador um pouco mais ligado nas questões.

Nas séries, o usual: terminei de ver as temporadas de House, Grey’s Anatomy, Lost e Smallville e agora estou somente esperando pelo final de Battlestar Galactica. Os episódios de Smallville tenderam ao ridículo, com diálogo pobre e estórias sem nexo; Grey’s Anatomy se livrou de sua aura depressiva e teve mais episódios divertidos, com um final legal; Lost surpreendeu e os episódios finais foram cheios de revelações e supresas; e, finalmente, House se superou em dois episódios finais brilhantes antecedidos por episódios muito bons. Battlestar Galactica foi a grande decepção com episódios centrados demais na busca pelos cinco cylons remanescentes e pouco da intriga, política e sociedade que fizeram da série o sucesso que é.

E para finalizar o mês, minha longamente prometida ida ao teatro. Para o próximo mês, espero mais livros e mais teatro.

A bela, a fera, e o geek

June 1st, 2008 § 1 comment § permalink

Esse fim de semana, levamos o filhote para assistir uma montagem teatral do clássico A Bela e a Fera. Foi a primeira experiência dele com teatro e foi muito legal: o bichinho ficou grudado nos acontecimentos durante o espetáculo inteiro sem se distrair por um segundo sequer. Houve momentos em que ele quase pulou para o banco da frente de tão vidrado que ficou.

Eu também gostei muito do elenco. Os atores estavam bem confortáveis e se mantiveram fiéis ao clássico mas adicionando algumas coisas um pouco mais modernas que passam despercebidas para as crianças e que são legais para os pais. Aliás, nesse sentido, o ponto alto da peça foi quando o candelabro me solta um #prontofalei no meio de uma frase. O Netto–nossas famílias estavam juntas–e eu nos entreolhamos e soltamos uma gargalhada. Mais geek que isso não tinha como.

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