Balanço cultural de maio

June 6th, 2008 § 2 comments

Maio continuou movimentado e não li tanto quando gostaria. Apesar de já estar há três meses em São Paulo, ainda continuam as acomodações tanto na vida pessoal quando na profissional e maio também foi preenchido com coisas a resolver nessas duas áreas.

O resultado do mês foi o seguinte:

  • 4 livros
  • 5 noveletas e contos
  • 3 filmes
  • 15 episódios de séries
  • 1 peça de teatro

Nos livros, comecei o mês com Razão e Sensibilidade, de Jane Austen. A despeito de um certo estigma romântico sobre os livros, os livros de Austen são muito bem elaborados, repletos de uma análise social do ambiente e sistema de classes da época, do efeito disso sobre os personagens, e de um humor sarcástico que fazem dos seus livros excelentes leituras. Esse era um que eu ainda não tinha lido e me diverti bastante.

Depois disso foi a vez de The Disunited States of America, de Harry Turtledove. O livro é parte de uma série chamada Crosstime Traffic, que lida com viagens a mundos paralelos, mas pode ser lido independentemente. Li porque foi um dos livros que veio como parte da promoção da Tor, mas foi muito direcionado a jovens para valer tanto a pena. É uma escolha muito boa para quem quer ler para os filhos–não sei se tem tradução em português, entretanto–mas não apela tanto para adultos pelo estilo mais forçado.

Continuei o mês com The Lord of the Isles, primeiro de nove de uma série de David Drake, e também não me empolguei muito. Pode ser que os livros posteriores ficam melhores, mas esse me pareceu um clone excessivo de The Wheel of Time, com muitos dos elementos estando lá mais para trazer leitores desta outra do que pela estória em si.

Finalmente, terminei o mês nos livros lendo Minority Report, uma coletânea de contos de Philip K. Dick lançado no Brasil na esteira do filme. Os contos são excelentes, como sempre, e incluem alguns dos seus mais famosos que deram origem a filmes como Vingador de Futuro e Impostor. Recomendo para fãs do mestre e para qualquer um interessado em contos mais pesados de ficção científica.

Falando em contos, aproveitei para ler alguns dos contos e noveletas que eu tinha acumulado em minha conta na Fictionwise, a maioria dos quais obtive nas promoções relacionados ao Hugo e Nebula. Comecei com A Billion Eves, um belo conto de Robert Reeds sobre um universo em que os seres humanos de espalharam em milhares de universos similares seguindo uma estrutura rígida de casamentos e religião. Depois foi a vez de The Merchant and the Alchemist’s Gate, de Ted Chiang. Chiang é um escritor excepcional, único por suas estórias curtas entre os escritores modernos, e esse conto não decepciona: um misto de Mil e Uma Noites, viagens do tempo, dor e redenção, é outra belíssima estória. Depois disso, foi a vez de Fountain of Age, da consagrada Nancy Kress. O conto, sobre uma cura para a mortalidade e o relacionamento da mesma com o narrador da estória, é outro carregado de dor e buscas. Mais um que vale a pena ler. Eight Episodes, o seguinte, também de Robert Reed, foi bastante divertido. Por fim, Echo, por Elizabeth Hand, não me impressionou muito. Sendo mais no estilo de uma mood piece, não me cativou o suficiente para que eu gostasse das possíveis nuances.

Nos filmes, nada de mais. National Secret: Book of Secrets é divertido, mas repete demais a fórmula do primeiro para ser tão interessante e memorável como o outro. Untraceable poderia ser muito bom, mas cai nas variantes conhecidas de uma agente do FBI e uma nêmesis psicopata que nem a idéia de um site de tortura baseado em acessos podem salvar. A pregação anti-pirataria ridícula tira o resto do filme para qualquer espectador um pouco mais ligado nas questões.

Nas séries, o usual: terminei de ver as temporadas de House, Grey’s Anatomy, Lost e Smallville e agora estou somente esperando pelo final de Battlestar Galactica. Os episódios de Smallville tenderam ao ridículo, com diálogo pobre e estórias sem nexo; Grey’s Anatomy se livrou de sua aura depressiva e teve mais episódios divertidos, com um final legal; Lost surpreendeu e os episódios finais foram cheios de revelações e supresas; e, finalmente, House se superou em dois episódios finais brilhantes antecedidos por episódios muito bons. Battlestar Galactica foi a grande decepção com episódios centrados demais na busca pelos cinco cylons remanescentes e pouco da intriga, política e sociedade que fizeram da série o sucesso que é.

E para finalizar o mês, minha longamente prometida ida ao teatro. Para o próximo mês, espero mais livros e mais teatro.

Tagged

§ 2 Responses to Balanço cultural de maio"

  • Rapaz,

    eu vou utilizar o seu post para tentar recomeçar um exercício de leitura/cinema/teatro durante o mês.

    acabo lendo muitos livros técnicos, mas falta outras literaturas na minha prateleira!

    valeu pelo post que acabou me motivando, mesmo que a intenção de longe tenha sido essa :)

    felipe mesquita

  • Ronaldo says:

    Opa, Felipe! De certa forma, o balanço é sempre feito em uma tentativa de incentivar pelo compartilhamento de experiências. Então acho que valeu. :) Eu preciso é fazer outras coisas que não ler e ver filmes. Só o tempo é que não anda ajudando.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

What's this?

You are currently reading Balanço cultural de maio at Superfície Reflexiva.

meta