Balanço cultural de junho

July 23rd, 2008 § 5 comments

Com o meltdown do servidor, não consegui colocar o balanço cultural desse mês na data usual. Com um pouco de atraso, segue o que consegui fazer no mês de junho:

  • 6 livros
  • 5 noveletas e contos
  • 5 filmes

Nos livros, comecei o mês com uma releitura de The Years of Rice and Salt, um romance de história alternativa do meu sempre-preferido Kim Stanley Robinson. O livro é um experimento sobre a idéia de que a Peste Negra eliminou não 75% mas 99% da população européia resultando na ascensão das culturas islâmica e chinesa. O livro é contado com uma ênfase bem forte no budismo que resulta também em um interessante artifício literário que norteia a narrativa. Essa segunda leitura não deixou nada a dever à primeira, mesmo sabendo dos desdobramentos da estória principalmente pelo modo como Robinson escreve, uma forma imediatista e transcendente que é bem única aos seus textos.

O segundo livro foi Spook Country, de William Gibson. Gibson é considerado, com razão, um dos pais do movimento cyberpunk e tem uma tradição de presciência em seus livros. Spook Country é um livro que se passa nos dias “modernos” (sendo também uma seqüência de Pattern Recognition) e segue temas similares. É um livro muito bom na análise desses temas atuais, mas não se compara aos livros mais recentes de hard fiction. Mesmo assim vale a leitura pelo estilo e força da narrativa de Gibson.

Seguindo, foi a vez The Good Guy, de Dean Koontz. Esse é o primeiro livro que eu leio desse autor e gostei bastante da velocidade e simplicidade da trama. A estória, um suspense básico de identidade trocada e perseguição por um assassino é uma leitura agradável que, embora não tenha grande surpresas no final, consegue manter o leitor bem interessado.

O próximo livro foi The Myths of Innovation, por Scott Berkun. O livro é uma análise de dez mitos por trás do processo de inovação com lições de como evitar os possíveis problemas que esses mitos podem trazer. Alguns desses mitos incluem: o mito do inventor solitário, o mito de que toda inovação é benéfica, o mito de que as pessoas querem inovação e assim por diante. Uma boa leitura para qualquer pessoa em um campo criativo.

Depois disso, li a novelização da mini-série que iniciar Battlestar Galactica, por Jeffrey A. Carver. Minha experiência com novelizações anteriores era boa o suficiente para começar a leitura—de fato, a novelização de Quarteto Fantástico é melhor do que o próprio filme. Infelizmente, essa novelização é uma cópia exata de mini-série sem qualquer exploração de assuntos que poderiam ser melhor explorados em um livro onde há espaço para isso.

Fechei o mês nos livros com Four and Twenty Blackbirds, um bom terror por Cherie Priest que conta a estória de uma orfã com um passado cheio de mistérios e que vê fantasmas que ninguém mais pode ver. Priest consegue contar uma estória tradicional com um humor não-tradicional e o resultado é um livro bem satisfatório com uma excelente resolução.

Nos contos, destaque para Stars Seen Through Stone, de Lucius Shepard—uma excelente mistura de semi-sobrenatural, música e um cenário reminescente de mistérios detetivescos; e The House Beyond Your Sky, de Benjamin Rosenbaum, um conto pós-Singularidade com várias surpresas e conceitos inusitados.

Nos filmes, destaque especial para Be Kind, Rewind, excelente comédia com Jack Black e Mos Def. Explicar qualquer aspecto do filme necessariamente implicaria em relevar mais do que o devido, de modo que eu recomendo uma locação imediata. O diretor é o mesmo de Eternal Sunshine of the Spotless Mind, o que já dá uma idéia da qualidade de roteiro e execução.

Os outros destaques foram para Razor, um filme baseado em Battlestar Galactica que se passa entre alguns episódios e apresenta certos eventos que foram deixados de lado pela série principal. Bem interessante, mas não tão esclarecedor como esperado. Street Kings, com Keanu Reeves na pele de um policial atormentado que realiza justiça de acordo com seu próprio código particular, é muito bom com exceção da atuação de Forest Whitaker que parece um cópia de sua atuação em outros filmes.

No resto, 10.000 BC e Smokin’ Aces não merecem nem o trabalho de buscar os links apropriados.

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§ 5 Responses to Balanço cultural de junho"

  • Thiago Silva says:

    seis livros……seis livros!! Eu ainda estou na metade do que comecei no início do mês!

    salute

  • Ronaldo says:

    São as vantagens de ler no celular. Dá para ler em qualquer lugar. :)

  • Li apenas o Neuromancer (http://pt.wikipedia.org/wiki/Neuromancer) do William Gibson, que dizem que foi uma das histórias que deu origem a matrix, e confesso que lí apenas por isso. Vejo pouquíssimas pessoas que falam sobre seus livros.

    Bacana, vou ver essas obras que vc falou.

  • Olá, Ronaldo. Faz algum tempo que leio teu blog e gosto de acompanhar teus balanços culturais. Gostaria de poder entrar em contato contigo pra poder saber um pouco mais sobres as obras do William Gibson. Comprei o Neuromancer e fiquei desapontado por causa da quantidade desnecessária de palavrões no livro, mas gostaria de saber se as outras obras dele seguem a mesma linha, especialmente Pattern Recognition.

  • Ronaldo says:

    Fique à vontade para me mandar e-mails. Não sei se vou saber responder a tudo, mas posso tentar.

    Sobre palavrões, não achei nem Pattern Recognition nem Spooky Country particularmente cheio deles. Eu tento filtrar mentalmente algum linguajar. :)

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