Quem imaginaria?

October 25th, 2008 § 5 comments

Lendo essa entrada no blog do Jon Taplin (muito recomendado, por sinal) é interessante ver que o Brasil figura entre as economias emergentes de menor vulnerabilidade durante a crise econômica atual. De fato, entre os países listados abaixo, ele é o menor vulnerável.

Isso não quer dizer, é claro, que ele não seja muito vulnerável. Como Taplin mesmo aponta, o governo está tendo que queimar milhões de reais para manter a moeda em um nível de valorização razoável. Da mesma forma, a queda da bolsa brasileira é uma das mais acentuadas.

Mesmo assim, é interessante ver que, na situação atual, o Brasil está em uma posição bem diferente da imaginada há alguns anos atrás. Ninguém apostaria suas fichas nem de longe em um Brasil com um economia estável e um poder de influência razoável no mercado global. Se nem tudo são flores, pelo menos não há um pânica generalizado em um momento que outros já estão em plena fuga.

Agora, se ao menos houvesse um jeito de exilar todos especuladores…

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§ 5 Responses to Quem imaginaria?"

  • Otima reflexao, concordo e venho falando a mesma coisa a bastante tempo.

  • Witaro says:

    Além das retiradas para realizar lucros e recuperar perdas em outros mercados, uma coisa interessante que ouvi outro dia foi que as baixas em nossa bolsa se devem também ao pobre trabalho de imagem de nossas empresas no exterior (mesmo considerando Vale e Petrobrás). A falta de um bom “marketing financeiro” não dá a confiança necessária para manterem os investimentos aqui (manter != especular), pois, de fato, os número$ delas são muito bons. Mas podem ficar ruins por não conseguirem se vender tão bem. Não basta ser bom, tem que parecer bom. Tudo pode se resumir a uma questão de credibilidade, ilusão, fé. Imaginação coletiva, esse é o verdadeiro ouro. Quem imaginaria?

  • É fato que a Bovespa cai porque a maior quantidade do capital aplicado lá vem de fora. O que me deixa pensando que talvez essa seja uma oportunidade para o brasileiro começar a investir nas suas próprias empresas o que, acredito eu, iria fortalecer mais a nossa bolsa.

    Mas claro, isso tudo depende da gente ter dinheiro depois dessa crise toda e como Taplin disse, nós não estamos blindados.

  • Luiz Rocha says:

    Eu imaginaria. :-) Me lembro bem da crise dos Tigres Asiáticos a mais ou menos 10 anos, durante o governo FHC, que – apesar de inferior em termos de estrago – teve uma repercussão similar.

    Me lembro pq todo ano na Poli aparecia um tiozinho que vendia assinaturas da Newsweek e da Time e nas capas das revistas do mês em que ele foi vender suas assinaturas, estava o FHC e/ou a bandeira do Brasil, tecendo elogios a como o governo estava bem preparado para enfrentar a crise (enquanto, claro, os “vermelhinhos” da USP pixavam fora FHC nas paredes ;-D).

    De lá para cá, independentemente das loucuras e escândalos dos governos (ambos, não sou partidário de nenhum), a economia brasileira se solidificou.

    Claro que, se o mundo inteiro falir, a gente vai junto, não tem muito jeito. Não somos imunes, mas somos bem mais resilientes do que se imagina.

  • Ronaldo says:

    Witaro, exato! Esse aspecto ilusório, mágico é uma das grandes loucuras/necessidades da economia. Mas foi bem interessante ver toda a movimentação sobre o assunto atualmente. Estamos, é claro, bem longe de um mundo mais aberto–mas o pouco que há de crítica está bem mais explícito.

    Rafael, sim, isso é algo que o pessoal interno vem falando sempre. Mas economia é sempre sobre o retorno mais rápido e não sobre sustentabilidade. Talvez algum dia alguém consiga uma balanço. Por hora, manipulação combatida com manipulação talvez seja o menor dos problemas. :)

    Luiz, é isso mesmo. Eu tenho a mesma visão independente e me divirto com os proponentes dos dois lados. O fato é que há um momento econômico acontecendo que independe dos dois e isso é bem interessante. Duvido que as lições fiquem, mas sempre há uma esperança.

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