Balanço cultural de outubro

December 6th, 2008 § 1 comment

Com mais de um mês e meio de atraso–falta de tempo com o lançamento próximo do BlogBlogs e viagens diversas–consegui escrever sobre os livros e filmes vistos em outubro. O resultado do mês foi:

  • 7 livros
  • 10 filmes

Nos livros, o primeiro que li no mês foi Emissaries from the Dead, de Adam-Troy Castro. Eu já tinha lido alguns contos do autor, todos excelentes–inclusive, seu conto The Tangled Strings of the Marionettes é um mais belos e nostálgicos que eu já li–e ao encontrar o livro na Livraria Cultura resolvi comprar. O livro se passa em um futuro onde a humanidade é uma de milhares de raças que habitam a galáxia e não uma das particularmente melhor posicionadas. Quando um assassinato acontece em uma missão diplomática humana em uma colônia artificial criada por uma AI, uma diplomata humana deve investigar a situação sem implicar os criadores da colônia. O resultado é uma novela detetivesca bem decente que peca apenas em seus momentos finais ao tentar condensar muita informação em infodumps que acabam não sendo tão interessante. Mesmo assim, se houver uma continuação, está na minha lista.

Seguindo, li Equal Rites, de Terry Pratchett. É um dos livros mais antigos do mundo Discworld e com a cômica premissa de uma confusão em torno de passagem de poder entre magos que resulta na primeira mulher nessa posição em toda história do Discworld. Como todos livros do Pratchett, o humor é bem sarcástico e mórbido. E como nos primeiros livros do Pratchett, o final é bem fraco, fechando a história mas sem tanto impacto.

O próximo livro foi Agile Software Development with Scrum, de Ken Schwaber e Mike Beedle. O livro foi um dos primeiros a popularizarem o Scrum com uma metodologia/filosofia/processo aceitável de forma geral. O livro consegue um bom balanço de didática e evidência anedótica e explica bem os conceitos por trás do processo. Para quem não tem conhecimento algum ou está começando, é uma boa leitura introdutória.

Continuando, li Doomsday Book, de Connie Willis. O livro ganhou tanto o Hugo quanto o Nebula em sua publicação e a autora é bem conhecida por trabalhos fortes e contemplativos. A estória do livro é sobre uma estudante de História que consegue autorização para viajar ao ano de 1320 para estudar localmente os hábitos da Idade Média. Infelizmente, uma crise ligando o passado e o futuro interfere e ela se vê lançada em uma época muito pior tendo que lidar com situações inesperadas e dolorosas. O livro é belo em suas descrições e enredo mas acaba sendo um tanto ou quanto previsível. O final, em particular, pode ser visto de longe. Mesmo assim, vale a leitura pela força narrativa.

O livro seguinte foi A Fila sem Fim dos Demônios Descontentes, de Bruna Beber. Eu sou super-suspeito para falar já que a Bruna é colega de trabalho e me deu o livro de presente, mas eu realmente gostei da poesia da garota. A Bruna é carioca tresloucada e extremamente competente no que tange à escrita e isso se reflete claramente em seus poemas. :-) De pequenos e doces arranjos a poemas fortes e contundentes, ela consegue uma série de textos memoráveis que valem leituras repetidas.

Quase fechando o mês, foi a vez de The Enterprise and Scrum, também do Ken Schwaber. O livro é quase uma revisão do Agile Software Development with Scrum com aplicações para empresas de porte maior. O livro falha razoavelmente ao tentar cobrir muito material em pouco espaço que faz do mesmo quase uma coleção de apêndices. Vale correr o olho, mas não acrescenta muito ao corpo de material existente.

Finalmente, terminei o mês com The Black Swan, de Nassim Nicholas Taleb. O livro foi aclamado como um dos melhores do ano pela sua suposta explicação de eventos improváveis, mas confesso que, se a explicação está lá, ela está misturada e perdida em meio a centenas de divagações e digressões em que o autor mistura pseudo-ciência, fatos de sua vida e uma atitude de superioridade que com certeza agrada a fãs de verbosidade e explicações “rebuscadas”. O livro tem alguns méritos em quebrar algumas concepções, mas é pouco mais do que uma compilação do que outros autores vem falando há vários anos sob um verniz de modernidade e erudição. Boring, boring, boring.

Nos filmes, foi um mês bem fraco. Tirando o belo The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford e interessante 3:10 to Yuma, os demais quase não valem o comentário. Desses dois, o primeiro consegue demonstrar muito bem a ambigüidade por trás dos fatos conhecidos sobre a relação entre Jesse James e Robert Ford e o segundo consegue resgatar muito bem o espírito real do primeiros filmes e livros de faroeste.

The Invasion, em contrapartida, consegue ser mais um caro e fracassado remake de um bom filme. Há diretores que realmente acreditam que uns poucos sustos e atores famosos são suficientes para convencer uma platéia de que um filme tem estória. Hitman é um fiasco de execução que nem a bela Olga Kurylenko consegue salvar (inclusive, parece que o diretório de Quantum of Solace pensou a mesma coisa que o diretor de Hitman). Finalmente, P.S. I Love You poderia ter sido um belo filme sobre morte e recuperação mas se transforma em um drama barato e choroso.

Os demais filmes realmente dispensam comentários.

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§ One Response to Balanço cultural de outubro

  • Enrique says:

    Doomsday Book! Eu ainda não li, mas já ouvi falarem muito bem dele…eu li o livro “irmão” dele, chamado “To Say Nothing of The Dog”, que usa o mesmo sistema de viagens no tempo através da “net” para fazer uma sátira da Inglaterra do século 18. Eu gostei bastante, a narrativa é bem desenvolvida, com uma enxurrada de humor inglês oscilando entre a ironia fina e o absurdo completo. Não lembro de ter lido o “Equal Rites”, mas Terry Pratchett é sempre fantástico (principalmente os livros dos guardas e das bruxas). Uma pena que ele esteja doente =(

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