Balanço cultural de novembro

December 11th, 2008 § 2 comments

Também com alguns dias de atraso–o novo BlogBlogs foi lançado ontem com sucesso–finalmente tive tempo de escrever o balanço cultural de novembro. Como o mês foi ainda mais movimentado do que outubro, o resultado foi bem pequeno:

  • 4 livros
  • 2 quadrinhos
  • 7 filmes

Nos livros comecei com uma releitura de Atlas Shrugged. Fazia tempo que eu estava querendo revisitar o épico trabalho de Ayn Rand que define sua filosofia objetivista–não por ser um adepto–mas pela força do trabalho. A estória do homem que decidiu parar o motor do mundo e assim o fez é um tour de force em pensamento claro e narrativa forte. Apesar de ser condenado por alguns como verboso e prolixo, eu gosto do modo com Rand apresenta os caracteres e transpõe sua filosofia para o enredo sem acabar em pedantismo. Com exceção do capítulo em que o personagem principal define a filosofia em um discurso, o resto do livro é belo e consegue despertar a mente do leitor para as questões propostas sem incomodar.

O segundo livro foi The Graveyard Book, o novo infanto-juvenil de Neil Gaiman. Leitores regulares conhecem minha admiração perene pelo trabalho de Gaiman e esse livro me deixou tão satisfeito como seus demais trabalhos. Embora Coraline, seu trabalho infanto-juvenil anterior não tenha me agradado tanto, essa releitura d’O Livro da Selva de Rudyard Kipling na estória de um garoto criado por fantasmas é uma delícia de leitura.

Na seqüência li Test-Driven Development by Example, de Kent Beck, um dos maiores evangelistas dessa metodologia. O livro é simples e direto ao ponto mas falha colossalmente em não terminar os exemplos começados. O resultado é a sensação de que os exemplos são artificiais demais. Isso termina passando uma imagem ruim da técnica e deixando o leitor insatisfeito. O livro poderia ter se beneficiado enormemente de mais algumas dezenas de páginas.

Finalmente, li The Name of the Wind, o primeiro de um trilogia de Patrick Rothfuss. Atualmente é muito raro que eu leia um livro que é parte de uma série antes que a mesma esteja fechada. Entretanto o livro recebeu tantos elogios de autores que eu considero muito bons que não resisti e comprei. Não me arrependi. A estória é fascinante e eu devorei o livro. Só para dar o gosto, um pequeno trecho do mesmo (o site do livro contem todo um capítulo):

I have stolen princesses back from sleeping barrow kings. I burned down the town of Trebon. I have spent the night with Felurian and left with both my sanity and my life. I was expelled from the University at a younger age than most people are allowed in. I tread paths by moonlight that others fear to speak of during day. I have talked to Gods, loved women, and written songs that make the minstrels weep.

You may have heard of me.

Nas estórias em quadrinhos, li o primeiro volume das Crônicas de Sandman, também por Neil Gaiman (roteiro, é claro). O primeiro volume compreende as primeiras oito estórias publicadas sobre o Senhor dos Sonhos, todas fascinantes. Como fã de Neil Gaiman eu sou suspeito para falar, mas como sempre ele consegue produzir uma mistura mitológica que é absolutamente impossível não se impressionar com a pura força da estória e a quantidade de referências que Gaiman consegue por em tão poucas páginas. Já estou com os próximos volumes para finalmente corrigir esse problema na minha educação “quadrinística”. :)

Nos filmes, o mês foi razoavelmente melhor que o anterior.

Comecei o mês com Michael Clayton. George Clooney está muito no papel de um advogado envolvido em negócios escusos tentando salvar sua pele e sua família e Tilda Swinton é sempre consistente em seus papéis.

Em um mesmo fim de semana vi There Will Be Blood e No Country for Old Man. É absolutamente assustador o que alguns atores bons conseguem fazer. No primeiro, Daniel Day-Lewis mais uma vez se prova um dos atores mais poderosos de sua geração e no segundo Javier Bardem fornece uma atuação magnífica que me prendeu do começo ao fim. Fica difícil decidir qual dos dois está melhor em seus respectivos papéis e, definitivamente, ambos mereceram todos os prêmios que ganharam.

Quantum of Solace foi bem inferior ao filme anterior na franquia Bondiana mas consegue divertir. Eagle Eye também é divertido mas depende de um furo enorme do enredo para fazer sentido.

Os demais, como sempre, nem valem o comentário. :)

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§ 2 Responses to Balanço cultural de novembro"

  • Fala, Ronaldo!

    Cara, pelo jeito vc é uma máquina de ler livros. Um livro por semana! Fiquei pensando como é que ainda sobra um tempo pra programar … 😀

    Já vai fazer dois meses que estou tentando terminar um livrinho de poucas páginas. Mas um dia eu chego lá.

    Parabéns pelo resultado do balanço! hehehe
    Abraço!

  • Ronaldo says:

    Esse ano eu aproveitei muito viagens para ler mais. :) O segredo está mais na consistência do que na velocidade, a propósito. :)

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