Dezembro foi um mês bem atípico para mim nas leituras. Depois dos primeiros quinze dias agitados, resolvi tirar férias pela primeira vez em quatro anos. O resultado foi o seguinte:
- 3 livros
- 35 episódios de séries
Comecei o mês com Halting State, de Charles Stross. Stross é um dos poucos autores que consegue escrever sobre futuros próximos de uma forma plausível. Seus livros são cheios de especulações tecnológicas e sociais que poderiam muito bem ser as notícias de amanhã e Halting State não é uma exceção.
Nesse livro, o ponto focal é o roubo de um banco–com o detalhe de que o banco é localizado em um jogo que é essencialmente uma versão futura do World of Warcraft. A partir disso, Stross pinta uma novela detetivesca em um mundo onde a convergência já aconteceu e realidade consensual é algo do dia-a-dia, explorando as implicações disso tanto para os relacionamentos entre as pessoas como para a diplomacia internacional.
Seguindo no mês, completei mais uma passo da minha educação cyberpunk lendo Snow Crash, de Neal Stephenson. Eu sei que é uma vergonha confessar, mas eu ainda não li muitos dos romances originais do movimento. Estou recuperando agora.
Snow Crash é um Stephenson clássico, com o mesmo humor, verve e capacidade de extrapolação exibida nos livros mais recentes do mestre do cyberpunk. Só mesmo Stephenson para chamar o seu personagem principal de Hiro Protagonist e torná-lo um samurai, hacker e entregador de pizza. Além disso, é impressionante como um livro de 1992 pode parecer completamente atual. Nada do que ele escreve sente datado.
A estória segue Hiro e seus vários associados enquanto ele tenta descobrir o mistério por trás de uma droga virtual chamada Snow Crash cujo alvo específico são os hackers e os mistérios por trás dos seus criadores e distribuidores. Leitura perfeita para geeks.
Finalmente, terminei o mês lendo Hyperion, por Dan Simmons. Do Simmons eu havia lido anteriormente Ilium e Olympus, sua duologia pós-humana reconstruindo a guerra de Tróia em um futuro distante e fiquei impressionado com sua mistura de pós-tecnologia e literatura (baseada primariamente em Shakespeare, Homero, Proust e Nabokov). Hyperion estava na fila há tempo por ter ganho o Hugo e segue o mesmo padrão, desta vez misturando The Cantebury Tales e John Keats.
Obviamente, por ser mais antigo, o livro demonstra um domínio menor das técnicas que tornaram o trabalho de Simmons famoso e o fato de que eu li os trabalhos posteriores primeiro implicou em notar algumas falhas que eu não teria notado de outra forma. Mesmo assim, gostei do livro o suficiente para prosseguir pelos outros três que seguem Hyperion e estou quase terminando o quarto e final.
Nas séries, só mesmo completando o que ainda não tinha visto das que eu acompanho nos corridos meses anteriores. Com a exceção de uma menção desonrosa para Heroes, que permanece uma porcaria completa, estou esperando somente os retornos do próximo ano.
Agora é só seguir para a fila do próximo ano.
