Waterfalling Agile

January 18th, 2009 § 1 comment

O Luiz Rocha escreve com razão sobre os perigos de confundir Agile com um conjunto de métodos que devem ser seguidos para que o “processo” funcione. É uma coisa natural de organizações–que por extensão são pessoas–procurarem um ponto do balanço entre necessidades discordantes e este é um dos pontos mais propícios para transformar a filosofia Agile em uma metodologia que pouco difere do tradicional Waterfall.

Por outro lado, existe uma tentação muito grande de pensar em Agile com o oposto exato do Waterfall e transformar isso em uma desculpar para não ter nenhum processo ou método coerente de desenvolvimento. É muito comum encontrar empresas imersas na desorganização que descrevem os seus processos como ágeis.

“Não escrevemos documentação, oras. Somos Agile. Preferimos software que funciona a documentação compreensiva. Não é isso o que o manifesto diz?”

É claro que o manifesto termina com a afirmação: That is, while there is value in the items on the right, we value the items on the left more. Isso não impede que tudo seja abandonado em favor de uma pretensa agilidade.

Como o Luiz diz, não é um task board que faz uma empresa ou equipe ágil. Tampouco é a falta de planos em contraponto a uma resposta completamente desorganizada a mudanças.

Agile exige um compromisso com o detalhe:

Para valorizar interação e não processos é necessário entender que o nível de detalhe requerido do primeiro é maior que o do segundo.

Para valorizar software que funciona é preciso uma cultura de qualidade, o que implica em muito mais trabalho do que escrever documentação compreensiva–e isso vai muito além de colocar no quadro de tarefas itens para escrever testes, algo que nada mais é do que transformar o Agile em Waterfall.

Para valorizar a colaboração do cliente é preciso ouvir e raciocinar sobre o que foi ouvido, transformando isso em valor. Negociar contratos é muito mais simples.

Finalmente, para valorizar resposta rápida a mudanças é necessário uma atitude de constante atenção ao que está sendo feito e como isso vai evoluir no futuro. Novamente, seguir um plano é incomparavelmente mais fácil, mesmo que o mesmo seja completamente falho.

Agile não é, e nunca foi, uma opção para aqueles que querem tomar a rota mais fácil. Excelência técnica, cultura de qualidade, atenção ao detalhe–transformar isso em segunda natureza requer anos de prática: o mesmo tipo de esforço que um artesão passa a vida aplicando.

Se você quer algo simples, esqueça Agile. Não é para quem não tem um compromisso com o tempo necessário para que coisas permanentes floresçam.

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§ One Response to Waterfalling Agile

  • Bela visão, o que desenvolvedores e empresas esquecem é que para se aplicar Agile deve se ter conhecimento do processo de desenvolvimento para que se possa deixa-lo de lado e realmente ser Agile.

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