O brouhaha sobre o Twitter e por que evangelistas puristas de linguagens/frameworks são imbecis

April 5th, 2009 § 10 comments

O cantinho de desenvolvimento de Rails na Web está quente de novo com a discussão sobre o fato de que o Twitter está reescrevendo alguns de seus sistemas de backend em Scala (1, 2, 3. 4). A coisa toda começou com a palestra que o Alex Payne, desenvolvedor responsável pela API do Twitter, deu no Web 2.0 Expo SF.

Obviamente, os evangelistas do Rails já pularam em cima da oportunidade para despejar baboseira sobre o assunto como se a questão fosse a mais importante do mundo e como se o mundo Rails estive para implodir depois das declarações bombásticas do Alex Payne.

Eu me rio.

Eu estou indo para uma década e meia de desenvolvimento esse ano, quase todos na Web. Não é muito mas foi o suficiente para por sistema em produção usando Object Pascal, C/C++, VBScript, PHP, Python, Ruby, Perl, Java, C#, Smalltalk para citar algumas das linguagens que já usei em vários e vários frameworks. Caramba, eu cheguei a desenvolver um framework Web mais um ORM em Delphi que foram usados em produção para um sistema durante quatro anos até que o projeto foi eventualmente reescrito em alguma coisa mais recente depois que eu já saíra do mesmo há muito.

O que eu aprendi nesse anos em relação a linguagens e frameworks é que todos são bons e todos são ruins e que evangelismo purista é uma das expressões mais ridículas no mundo de desenvolvimento. Qualquer desenvolvedor que se sinta compelido a defender sua linguagem/framework (e pior, os que fazem isso uma carreira como os vários Javamen, Rubymen, Scalamen, Whatever-Language-Men que existem por aí) não merecem um aceno patético de respeito.

Eu assisti a palestra do Payne na Web 2.0 Expo e o que vi foi alguém em amor com uma tecnologia nova. A palestra (como a maioria das outras técnicas no evento) foi corrida e não apresentou nada concreto. De fato, durante quase 20 minutos tudo o que Payne fez foi falar sobre as características de Scala e como ela é fantástica sem apresentar um exemplo de código que fosse. Foi o suficiente para despertar curiosidade sobre a linguagem mas não prova nada–como não deveria. No meio da apresentação, Payne fez a declaração que suscitou a ira da comunidade Rails: O Twitter está movendo vários dos seus sistemas de backend para Scala onde o Ruby não está agüentando. Por algum motivo, isso foi distorcido para dizer que Rails não escala e o resto é história.

Eu já dei minha resposta sobre a questão do Rails escalar ou não em um tom mais irônico mas as pessoas parecem gostar de perder tempo sobre isso. Evangelistas de Rails, principalmente, adoram a questão. Parece que há um fator magnético associado à afirmação. Fale isso e caem dúzias de Railers incensados do céu.

O fato de que tecnologias não escalam mas design sim parece passar inteiramente despercebido. Eu já vi sistemas limpos em Rails que não são capazes de servir pouco mais do que algumas dezenas de usuários em hardware similar ao que a empresa para qual eu trabalho usa para extrair 60 milhões de requisições por mês de um backend em puro Rails. Rails escala? Pergunta errada.

Assim, quando um Obie Fernandez diz que sua resposta evangelística ao evangelístico Payne é razoável, eu digo: Bullshit! (Só não vou dizer que é pior porque veio do homem que quer o mercado Rails todo para si porque seria maldade. Ops, que maldade…) Mais engraçado do que isso só ver nego pulando de uma conclusão para outra usando o mesmo artigo como base para evitar ficar associado com o estigma. Sigh…

Anyway, para resumir meus devaneios aqui. Se você é um programador de uma linguagem/framework só que precisa defender sua tecnologia a cada rumor, precisa seriamente repensar sua carreira. Eu, por mim, acredito em segundas chances.

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§ 10 Responses to O brouhaha sobre o Twitter e por que evangelistas puristas de linguagens/frameworks são imbecis"

  • Realmente, acho que não devemos levar a nada “a ferro e fogo”, temos que ser inteligentes e aprender a fazer escolhas acertivas, ou seja, optar por aquilo que tiver maior custo/benefício. Não existem “balas de prata”. E tudo sempre depende. Não há tecnologias e frameworks que fazem mágica. Tudo isso é passageiro e muda o tempo todo. Apoiar a carreira sobre uma única tecnologia é o mesmo que colocar todos os ovos numa única cesta, ou construir uma casa sobre a areia. Abraço.

  • Luiz Rocha says:

    Para resumir o resumo:

    — Se você coloca “programo em (framework X) no seu currículo, você é um idiota”.

  • RoadHouse says:

    apenas pra comprovar o que o luis escreveu: eu coloquei isso no meu curriculo!

    agora sério, esse povo da “comunidade” tem pau pequeno né? geeezuz!

  • Virei seu fã!

    É difícil um blogueiro demonstrar tamanho bom senso (não estou sendo irónico).

    Parabéns.

    []’s
    Cacilhas, La Batalema

  • Pra variar mais um excelente texto.

    Não preciso repetir, mas repito, que sou fã dos seus textos.

    O que acho ruim nesse purismo é que ele é todo tomado de paixão e a razão inteira é esquecida nessas horas.

    As pessoas têm a mania de fechar os olhos para toda a questão de infraestrutura por trás de grandes soluções e acham que a tecnologia por si será a panacéia para o mundo do desenvolvimento burro acumulado anos a fio.

  • Ronaldo says:

    André, exato. Eu vivo falando também sobre balas de prata aqui e concordo plenamento. Mas, natureza humana e tal. O pessoal parece que tem uma mente de foco único.

    Roudi, (Ronaldo corre para esconder seu currículo!)

    Hehehe, o povo tem o pau minúsculo pelo visto (desse tamaninho, oh!). Mas é bem engraçado é seguir a fúria do pessoal no Twitter. :)

    Luiz, bingo! Eu sou muito verboso (e gosto de falar mal dos Railers). :)

    Rodrigo, obrigado. :P

    Rafael, valeu!

    Concordo com a questão do purismo. Existe um single-mindness na coisa toda. Olhando os comentários no Twitter, parece que o pessoal perdeu a capacidade de arrazoar, se encarar algumas coisas com ironia e pesar tudo na balança. Mas, enfim, acho que isso é natural, humano e o jeito é divertir um pouco com tudo. :)

  • Acho que é muita briga por pouco pão. Que importa se o aplicativo é feito em rails, python, php, .net ou java? O importante é que funcione e seja rápido.

  • Eu estou de acordo. Essa discussão sobre Rails escalar ou não não tem cabimento algum, e já cansou.
    Como disse o Lawrence, tanto faz qual a tecnologia, no fundo o que importa é que funcione bem.

  • Douglas dorô says:

    Ponto de vista muito bom. As vezes nos prendemos muito a uma tecnologia x e esquecemos o que agrega valor de verdade ao usuário final. O ideal é conhecer um pouco de tudo para saber qual tecnologia usar em cada caso.

  • Ramon says:

    excelente!

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