Balanço cultural de fevereiro

April 6th, 2009 § 0 comments

Alguém brincou comigo recentemente que eu só escrevo balanços culturais no blogs. Verdade, tirando o texto de ontem. Mas, para continuar a tradução, vamos lá com o balanço atrasado de fevereiro.

O resultado do mês foi o seguinte:

  • 11 livros
  • 1 estória em quadrinhos
  • 9 filmes

Nas estórias em quadrinhos, continuei lendo o segundo volume combinado de Sandman, do Neil Gaiman. Como sempre, Gaiman excede as expectativas e em The Doll’s House é que vemos pela primeira vez uma das suas personagens mais icônicas, a Morte. Ainda mais do que no primeiro volume, fiquei encantando com a mistura que Gaiman faz de mitologia, história e pura imaginação para criar um mundo único onde tudo é possível e onde cada pequena detalhe esconde mais estórias por trás.

Já nos livros, comecei o mês finalizando a minha releitura dos primeiros três volumes da série The Sword of Truth, do Terry Goodkind, com o terceiro volume da mesma: Blood of the Fold. Esse é um dos volumes mais lentos da série e talvez seja por isso que não continuei até o sexto volume, como era minha intenção original. Ainda é uma boa estória, mas bem inferior aos volumes que considero os melhores–o primeiro, o quarto e o sexto.

Na seqüência, li de uma vez os cinco volumes da série The Belgariad de David Eddings. O Eddings me fora mencionado como um bom autor de fantasia e como esse é um dos seus trabalhos mais famosos, acabei decidindo começar por aí. Os cinco livros, na verdade, são um mero artefato de publicação já que forma uma única estória e, com a óbvia exceção do último, sempre terminam em cliffhangers.

Os cinco livros–Pawn of Prophecy, Queen of Sorcery, Magician’s Gambit, Castle of Wizardry, Enchanters’ End Game–referenciam termos do jogo de xadrez e a idéia de uma disputa entre duas forças é uma constante nos livros. A estória segue as linhas gerais de fantasia com um herói predestinado a resolver um conflito pendente no livro–no caso, restaurar o balanço entre dois cenários de profecia que ameaça o universo–e também não mostra nada mais aventuresco em termos literários com um sistema de magia simples, personagens caricatos e especialmente, uma visão patética do interesse romântico/sexual entre dois personagens chave. No geral, fique bem decepcionado com a primeira experiência e é improvável que eu me aventure tão cedo com outra coisa que Eddings tenha escrito. Ele parece ser um autor bem famoso e que vende bem, mas essa estória inicial não conseguiu me dar a sensação profunda e histórica de um Jordan, quando mais de um Donaldson.

O livro seguinte foi Qual é a Tua Obra, do Mário Sérgio Cortella. Ganhei o livro em um de seus seminários–que são muitos bons, por sinal–e o livro é essencialmente um resumo da visão que ele tem sobre liderança. O livro é dividido em grandes sessões temáticas sobre ética da liderança com capítulos pequenos auto-contidos sobre um assunto em particular. Para quem assistiu as palestras que ele dá, é um bom resumo do material e para quem não assistiu, vale a pena a leitura por uma visão honesta e sincera da liderança corporativa nos tempos relativos atuais.

Continuando, li os três primeiros livros da série Twilight, da Stephenie Meyer. Os livros são suficientemente famosos para dispensar apresentações e, apesar dos comentários, não são tão horrendos quanto parecem. Eu gosto de estórias de vampiros e Meyer apresenta algumas variações interessantes para valer uma leitura rápida–os livros são tão simples que podem ser lidos de uma sentada só rapidamente–e, inclusive, usaria os comentários de Stephen King sobre eles para descrever a idéia geral: Meyer escreve mal mas conta uma boa estória. Um pouco mais de cuidado literário teria tornado os livros realmente interessantes. Como eu já disse em várias ocasiões aqui, valorizo qualquer literatura que leve outros a lerem mais. Meyer, pelo visto, conseguiu isso e já merece meu respeito.

Fechei o mês lendo The Way of the Peaceful Warrior, de Dan Millman. Eu tinha visto o filme algum tempo atrás e, dispensando o tratamento Holywoodiano de filmes, achei o assunto suficientemente interessante para procurar o livro. Um colega me emprestou e, infelizmente, é o mesmo tipo de material que Paulo Coelho produz: distorções pseudo-filosóficas de conceitos budistas e de outras religiões orientais. Chega a ser interessante em alguns pontos mas morre pelo excesso de misticismo.

No resumo, literariamente, um mês que eu gostaria de esquecer. :-)

Nos filmes, a coisa não foi muito diferente. Com exceção de dois filmes, o resto não valeu a pena.

O primeiro interessante foi Seven Pounds, com o Will Smith. Smith repete uma performance similar à vista em The Pursuit of Happyness (sic) em uma estória interessante de um homem perturbado por acontecimentos em sua vida que decide procurar a redenção ajudando sete estranhos. Embora convoluto e procurando um excesso de emoções em alguns pontos, conta bem a estória proposta e apresenta uma dinâmica muito boa entre Will Smith e Rosario Dawson.

O segundo bom foi Being There, o último filme de Peter Sellers. Indicação de um amigo, o filme mostra a surreal estória de um jardineiro autista que, com a morte de seu empregador e protetor, se vê atirado em um mundo hostil. Ao sofrer um acidente pequeno, é recebido na casa de um industrial influencial e moribundo que toma suas declarações simples e banais como verdades profundas. Uma deliciosa sátira filosófica em múltiplos níveis sobre o poder da inocência, o significado de humanidade e a indecência da crença, o filme mostra Sellers em seu melhor com um elenco estelar de apoio: Shirley MacLaine, no papel da esposa do industrial, e Melvyn Douglas, que ganhou um Oscar por sua atuação brilhante como um homem poderoso em busca de significado para seus atos e redenção por sua vida.

Babylon AD acabei vendo somente por minha admiração por Vin Diesel, um ator que poderia ser brilhante e ainda assim insiste em escolher participar em filmes medíocres. Ele é divertido o suficiente para fazer alguns filmes funcionar, mas Babylon AD é tão mal contado que nada poderia salvá-lo. Aparentemente o filme acabou em uma briga entre o diretor e o estúdio, tornando-o quase impossível de assistir pelos cortes abruptos e sem sentido na estória.

No mais, Get Smart é um bobo remake da estória do Agente 86; Rambo 4 é uma desculpa para mostrar tripas explodindo e o físico horrendamente bombado de Stallone, Madagascar 2 só se salva nos momentos em que os pingüins aparecem e The Chronicles of Narnia: Prince Caspian é uma versão piorada do primeiro que não se salva nem nos momentos em que o leão gigantesco da estória original está presente–que um leão seja o personagem mais expressivo do filme mostra o quão bom ele foi.

Próximo mês, algumas leituras mais decentes eu espero.

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