Balanço cultural de abril

June 2nd, 2009 § 7 comments

Abril foi um mês de mudanças e correrias e, de acordo com meus registros dos últimos três anos, o mês em que menos consegui ler. Em compensação, vi mais filmes do que o normal. O resultado pífio ficou no seguinte:

  • 1 livro
  • 16 filmes

O único livro que li no mês foi Flashforward, do sempre interessante Robert J. Saywer. O livro é de 1999 e conta sobre eventos passados em 2009, o que, ironicamente, o torna ao mesmo tempo datado e atual. Datado porque alguns eventos, é claro, não se passaram como o livro mostra. E atual por causa da coincidência de alguns temas que estavam na mídia justamente no tempo que Saywer os descreve nos livros.

O livro conta a estória de um evento acontecido em 2009 quando o LHC é ligado em uma tentativa de provar a existência do bóson de Higgs. Ao invés da prova, a tentativa faz com que todos habitantes do planeta experimente durante dois minutos e alguns segundos as suas vidas de cerca de vinte um anos no futuro. O resultado–além da imediata perda de vidas e semi-colapso econômico–é um mundo inteiramente mudado pelas visões que alguns acreditam imutáveis e outros não. Sawyer lida com maestria com essas questões, inclusive tecendo um pequeno mistério detetivesco de um homem que descobre ter sido assassinado no futuro e que quer prevenir o acontecimento. Muito bom e leitura recomendada. O livro está agora sendo desenvolvimento em uma série para a TV pela ABC.

Nos filmes, o mês foi bem interessante.

Comecei vendo Watchmen. Ainda não li a série em quadrinhos que deu origem ao filme, mas gostei muito da representação visual criada para o mesmo em relação ao que já folheei. Watchmen é uma versão gráfica de temas que são constantes na literatura de ficção científica, e tem o mérito de trazer isso para as massas. Se conseguiu ou não, é uma discussão para outra hora.

Segui o mês vendo Pulp Fiction, que era um que me faltava dos clássicos do gênero. Como eu provavelmente sou a última pessoa no planeta a ver o filme, não preciso também comentar muito sobre o mesmo. Basta dizer que achei bem melhor que a obra posterior de Tarantino. Em Pulp Fiction, o exagero a que ele recorre normalmente parece bem mais refinado e elaborado do que em seus outros filmes. O que é uma pena.

Na seqüência, vi o esquecível Max Payne. Péssima direção, péssima atuação e só terminei de ver porque sou teimoso. Pareceu uma tentativa bem descarada de copiar o clima e surrealidade de Constantine perdendo todo o background desde último no processo.

Continuando, foi a vez de Vicky Cristina Barcelona. Minha experiência com Woody Allen é sempre meio confusa. Alguns de seus filmes me impressionaram muito pela sensibilidade e profundidade enquanto outros me deixaram com a sensação de que ele estava simplesmente vomitando idéias sem conseguir uma boa união entre as mesmas. Vicky Cristina Barcelona está no meio do caminho com isso. Tem uma riqueza de situações, uma atuação conjunta muito boa dos atores principais e uma veia mórbida que me atraiu. O final é desencontrado mas acaba não falhando. No geral, foi melhor do que minha experiência usual com os filmes do diretor.

Milk, o filme seguinte, me impressionou muito. Eu sempre gostei da atuação de Sean Penn e acho que ele mereceu o Oscar que ganhou nesse filme. O assunto continua sendo delicado mesmo na época atual e a direção conseguiu passar a ambigüidade na história de Harvey Milk com tranqüilidade. Tendo saído de duas visitas recentes a São Francisco, ver a cidade e seu desenvolvimento no filme foi um bom complemento para os passeios que fiz.

Os dois filmes seguintes, Yes Man e Bedtime Stories foram suficientemente divertidos para merecer uma menção aqui mas pouco mais do que isso. Jim Carrey já cansou com suas carretas e o filme só se salva por conta da adorável Zooey Deschanel e Adam Sandler entrou em uma fase exagerada que não adiciona nada a seus filmes.

Slumdog Millionaire é interessante e bem trabalhado mas sem surpresas. Eu gosto do trabalho de Danny Boyle e esse filme tem o seu toque específico mas muitas das seqüências parecem ser feitas para criar pena no espectador sem acrescentar muito à estória. Funciona em um certo nível mas deixa uma sensação um pouco desagradável ao fim do filme

Bolt, o filme que vi em seguida, é mais uma divertida e bem-feita animação com bons personagens e uma estória engraçada e bem trabalhada. Gostei especialmente da gata Mittens, mas Travolta se sai muito bem também dando voz ao personagem título. Não chega é claro, aos pés de um The Incredibles, mas vale o tempo gasto.

Transporter 3, infelizmente, não se salva nem com a sempre divertida atuação de Jason Statham. O filme repete a fórmula dos anteriores, mas exagera justamente no que não deveria e no que deixou o primeiro filme tão interessante (para valores de interessante centrados em diversão inútil mas inteira e completamente aceitável para mim) e transforma o filme inteiro em uma sucessão de buracos de roteiro que não podem ser corrigidos nem por boas cenas de ação.

Na seqüência, City of Ember é um pequeno conto de ficção científica sobre uma cidade salva de destruição do mundo cuja intenção era durar apenas duzentos anos mas, quando o conhecimento sobre suas origens e futuro é perdido, se vê as beiras de destruição. Quando os adultos da cidade falham em enxergar o perigo e, ao contrário, se refugiam no passado, um par de adolescentes toma a questão em suas mãos. O filme tem uma fotografia bem agradável e adequado e consegue contar uma boa estória. Vale como um filme sem grandes exageros e que por isso mesmo conta uma boa estória.

Continuando, Frost/Nixon é intenso, muito bem elaborado e conta a impressionante história das entrevistas que Frost fez com Nixon. O misto de tentativa de redenção e admissão de erros torna o enredo bem interessante e as atuação são muito boas. Vale cada minuto.

Burn After Reading é uma comédia surreal e engraçada que deu uma par de horas de diversão. Vantage Point, X-Files 2 e Bangkok Dangerous não merecem mais do que uma breve menção. Dá para assistir mas eu teria lido outro livro com o tempo perdido com eles.

Maio vem em breve com mais livros e menos filmes.

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§ 7 Responses to Balanço cultural de abril"

  • PotHix says:

    Æ!!

    Interessante a idéia desse livro! =)
    Realmente até eu achei estranho quando vi 1 livro só, sendo que vc sempre me impressiona com a quantidade absurda de livros que consegue ler num mes…heheheheh

    Falando em livros, seria legal te ver lá no http://www.shelfari.com/ 😉

    Há braços

  • Ronaldo says:

    Opa! Pois é, o mês foi bravo… :)

    Sobre o livro, ele é bem rápido de se ler; vale a pena.

    E, finalmente:
    http://www.shelfari.com/o1514572429

  • Witaro says:

    O formato em série talvez seja o melhor para adaptação de histórias densas como essa de Flashforward. Max Payne só serviu como jogo mesmo. E Watchmen se sai bem melhor na HQ (embora eu reconheça o esforço), por sinal, recomendo a HQ “Do Inferno” do mesmo autor (Alan Moore, que nunca teve sorte com suas adaptações para o cinema). Lendo a lista duas coisas me vinheram à mente, o filme “Adaptação” e a difícil tarefa de adaptar histórias de clientes em histórias de computador… Abraço!

  • Rodrigo Dias says:

    Gostei também da ideia do livro acho que vou procurar.
    E concordo com as criticas de todos os filmes só uns dois que não vi e nem ouvi falar
    e mais uns três que eu não quis perder meu tempo.
    Mas pelo menos os bons ou eu vi, ou estão marcados para uma próxima.

  • Ronaldo says:

    Opa, Witaro!

    Pois é, eu também gosto da idéia de séries. Isso parece estar se tornando cada vez mais constante agora com adaptações de trabalhos como The Sword of Truth, A Song of Ice and Fire, etc. O problema é quando o pessoal acaba com a estória, como foi o caso de The Sword of Truth. Mas, vamos ver, Flashforward é mais open-ended e isso ajuda.

    Sobre Watchmen, ainda quer ler a revista. Do Inferno virou um filme também, não foi, como o Johnny Depp?

    Opa, Rodrigo!

    O livro pode ser encontrado com facilidade na cultura. Já o vi lá umas duas ou três vezes.

    Sobre os filmes, alguns só a minha teimosia de não parar de ver depois que eu comecei é que me leva até o fim. :)

  • Luiz Rocha says:

    Só por perguntar… Meu DVD dos Incríveis está com você ainda, não? Fiquei com vontade de ver o filme depois de ler o post, fui procurar o DVD e *tchans*, nada. :-)

    Vou ver Pulp Fiction de birra, então.

  • Ronaldo says:

    Ops, sorry. Está sim. Levo na segunda-feira. :)

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