Balanço cultural de julho

August 26th, 2009 § 2 comments

Esse blog está quase virando somente uma lista dos livros e filmes que estou lendo e vendo mas vamos lá com o que fiz em julho:

  • 4 livros
  • 5 filmes

Nos livros, comecei o mês lendo a trilogia The Fionavar Tapestry, de Guy Gavriel Kay. O livro se passa parte em nosso mundo e parte em Fionavar, o primeiro de todos os mundos do qual todos os outros são meros reflexos. A “tapeçaria” do título se refere ao fato de que o destino, nos livros, é representado por um tecelão em um tear onde cada fio é uma vida. Os três livros então tratam das vidas de cinco estudantes do Toronto que são levados a Fionavar por um mago para desempenhar o seu papel em tentar salvar o primeiro dos mundos da ameaça sombria de um deus vingativo.

Eu já tinha lido dois livros por Kay e gostei bastante de seu estilo evocativo e poético. Kay tem o costume de tomar mitos e lendas de nosso mundo e criar versões ligeiramente diferentes das mesmas em mundos alternativos cuja estória é bem similar à nossa em muitos aspectos. Por exemplo, seu The Last Light of the Sun se passa em uma Inglaterra alternativa pré-medieval.

Apesar disso, confesso que fiquei um pouco desapontado com a trilogia. Embora os temas centrais–como livre arbítrio e resolução–sejam interessantes e os mitos usados também–arturianos, nórdicos, entre outros–, o livro tem um fluxo não muito coerente e soluções abruptas para alguns pontos do enredo. Além disso, há similaridades demais com Tolkien (Kay, inclusive, foi o editor de Silmarillion) que incomodam bastante (como todo o sub-texto dos anões, que é essencialmente o que Tolkien pôs em seus livros).

No geral, é uma leitura razoavelmente interessante mas tem esses defeitos que não me deixaram tão satisfeito como as demais leituras dele que fiz. Vale talvez pelo seu estilo.

Fechei o mês lendo The Last Days of Krypton, do Kevin J. Anderson. Achei o livro em um dos passeios pela Cultura e achei a idéia do mesmo curiosa: contar os últimos dias do planeta natal do Superman, mostrando o que realmente levou ao seu fim. Infelizmente, o livro não cola e me arrependi da compra. Primeiro porque embora o final do planeta seja contado de um ângulo interessante, não chega a ser suficientemente diferente do que já foi contado para valer a idéia. Segundo porque os personagens são extremamente superficiais e idealísticos, o que gera diálogos que seriam impossíveis entre pessoas com um mínimo de inteligência–o que é bem irônico considerando que Jor-El e Zor-El são retratados como gênios. No final das contas, só valeu mesmo pelas referências como a hora em Zod diz a frase famoso: “Kneel before Zod”. No resto, desperdício de tempo.

Nos filmes, comecei o mês com [Transformers 2]. Michael Bay consegui fazer o que todo mundo temia: tirou as partes boas do primeiro filme e aumentou as ruins. Os efeitos são mais exagerados e menos “acompanháveis” e a estória é virtualmente inexistente. Duas horas de pancadaria sem sentido. Serve pela diversão com os robôs (e pela Megan Fox) mas para pouca coisa além disso.

Depois de Transformers foi a vez de Fast and Furious, o quarto filme da franquia de mesmo nome. O filme é tão bom, mas tão bom, que eu não me lembro de quase nada do que aconteceu no mesmo. E isso porque eu sou um fã confesso da canastrice de Vin Diesel. O primeiro filme foi bem decente para a estória mas depois disso foi só ladeira abaixo.

Angels & Demons, o próximo filme, foi divertinho mas também não passa de uma adaptação meia boca de um livro meia boca. Deu para gastar um tempinho com as conspirações, mas o filme não consegue repetir o passo do livro e acaba deixando tudo meio solto. Também não valeu o tempo visto.

Harry Potter and the Half-Blood Prince, por sua vez, quase chegou a ser um filme bom. O sexto episódio cinemática da série repete o tom sombrio do anterior mas não consegue passar a estória de modo adequado. Achei muito corrido e com pouca ênfase nos conflitos tanto do anterior como do próprio livro. O mistério do half-blood prince, que em tese é o mistério principal do livro, é revelado de forma simples e sem impacto já que não teve todo o build-up do livro. Da mesma forma, toda a trama por trás das Horcruxes ficou meio descaracterizada e sem graça. Nem o ponto principal da estória, a morte de todo-mundo-sabe-quem, foi interessante. Só achei graça a homenagem a Duro de Matar.

O único filme decente do mês foi o brasileiro A Mulher Invisível. Luana Piovanni está maravilhosa, carismática e divertida na pele de Amanda e Selton Melo diverte também. A estória é boa e bem contada e embora o final seja mais fraco, não estraga o filme. Só não gostei mesmo dos trejeitos Carreyanos de Selton Melo. Prefiro sua representação natural.

No próximo mês, provavelmente nada.

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§ 2 Responses to Balanço cultural de julho"

  • Depois de trucidar o legado da série Duna, eu ficaria surpreso se o Kevin J. Anderson tivesse escrito um bom livro sobre Krypton…

    Alguém tem que sequestrar o editor de texto desse cara!

  • Ronaldo says:

    Rodrigo, pois é. Eu devia ter me lembrando disso antes de comprar o livro. Não tive coragem de ler nenhum dos “extras” de Duna até hoje e não creio que vá criar coragem. Enfim, dinheiro perdido…

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