Ontem consegui finalmente tirar um tempo para ir ao cinema e assistir District 9.
O filme era um dos mais esperados lançamentos do ano–tanto em ficção científica como no meio mainstream–e, pessoalmente, evitei ler praticamente qualquer coisa sobre o mesmo para ter uma visão mais pura sobre a obra, especialmente considerando os paralelos óbvios com o apartheid.
Sou um pouco suspeito para dizer, considerando minha relação com ficção científica, mas acho que o filme chega muito próximo de um clássico nos moldes de Blade Runner e Soylent Green, principalmente pela qualidade visceral da sua narrativa–com perdão do trocadilho. De uma forma bem prática, o filme consegue evitar os problemas que Sunshine apresentou, misturando uma narrativa essencialmente ficcional com um objetivo secundário de pregar uma mensagem específica.
Isso não significa, é claro, que District 9 não tenha seu embasamento em um problema ou mensagem específica. Como mencionei anterior, a questão do apartheid está lá e é bem óbvia. Mesmo assim, acho que acaba sendo algo no fundo, motivado pelas experiência do direitor e ofuscado, com boa razão, pela visão mais primária de comportamento humano face ao desconhecido (ao mesmo tempo em que apresenta a reação face ao incômodo).
District 9 não é, também, isento de falhas. Há uma dualidade inerente entre a necessidade de ser íntimo, evidenciada pelo formato de documentário no começo, e a necessidade de impressionar, mostrada a partir do meio do filme por cenas de perseguição e o milieu comum de filmes de ação. Mesmo assim, acho que o filme apresenta um bom balanço e consegue divertir ao mesmo tempo que motiva questões mais profundas.
O tempo vai dizer quão bem District 9 sobrevive como indagação da natureza humana. A despeito das vísceras e explosões, o filme é bem uma reflexão do nosso tempo e isso pode persistir. Espero que não tenhamos seqüências–não há nada para adicionar.

(Comentário contém spoilers!)
Eu gostei muito. Achei particularmente legal a idéia do mockumentary; os relatos dos “entrevistados” fazem paralelos que vão além da então conturbada relação entre humanos e “camarões”.
Quanto a sequências, eu acredito que veremos novos filmes. Deixaram várias pontas soltas, por exemplo: o que levou os “camarões” até o nosso planeta? Eles voltam para ajudar Wikus? O que acontece com o novo distrito?
Mas eu também acho que seria melhor parar por aqui. É até legal que as pessoas fiquem viajando na maionese e criando suas teorias da conspiração.
Mas enfim, é um excelente filme. Recomendo.
Eu já estava com vontade de assistir… agora então… terei que ir essa semana!