The Anubis Gates

October 23rd, 2009 § 1 comment

Terminei de ler esses dias The Anubis Gates, uma fantasia de viagem ao tempo, deus egípcios e mágica por Tim Powers. O livro é de 1983 e estava na minha lista de leituras há um bom tempo por figurar em virtualmente todas as listas de clássicos de fantasia modernos–inclusive, tendo sido ganhador do Philip K. Dick Award do ano em que foi publicado.

Com esse pedigree, eu esperava muito do livro e não fiquei desapontado. Ao contrário, o livro fornece uma leitura deliciosa nos moldes das melhores fantasias urbanas dos últimos anos. Tim Powers consegue um balanço quase perfeito entre o que geralmente se esperaria de romances capa e escada–com pitadas generosas de magia jogadas no meio–e a mecânica de viagens do tempo que geralmente está mais presente em obras de ficção científica.

A estória começa quando uma cabal de mágicos tenta trazer os deuses egípcios de volta ao poder para derrotar o pode inglês no Egito e retornar à época glorioso em que a magica ainda funcionava bem sem destruir seus usuários. Uma tentativa de trazer Anubis à vida falha e resulta em uma série de fendas no tempo que permitem, anos depois, que um milionário os use para fazer viagens no tempo. Esse milionário organiza uma viagem à Londres de 1810 e contrata um professor–Brendan Doyle, o protagonista do livro–para guiar o grupo e fornecer comentários sobre a vida de Samuel Taylor Coleridge, o poeta romântico cuja palestra é o objetivo da viagem.

Obviamente, os interesses dos dois grupos se cruzam quando a viagem do grupo chama a atenção dos mágicos e o resultado é que Doyle fica preso na Londres do século 19 sem condições de retornar ao seu tempo. Forçado a mendigar e perseguido por grupos diversos–nem tudo é o que parece e há mais interesses em jogo do que somente uma mera viagem do tempo, Doyle tem que sobreviver a vários ataques e entender o mistério que cerca tudo. Isso inclui as aparições de um misterioso lobisomem capaz de trocar corpos e que possui também um interesse velado no que está acontecendo.

O resultado desse enredo aparentemente desconexo é uma série de aventuras e desventuras em que Doyle se vê jogado entre as figuras da época e precisa negociar seu caminho em meio a um mundo que ele conhece dos livros mas que é bem diferente em sua realidade. O livro consegue combinar muito bem as situações da época e os eventos bizarros que múltiplas viagens do tempo propiciam para resolver os nós que a estória levanta–ao contrário da maioria dos livros de viagem no tempo, por exemplo, Doyle quase nunca se dá bem com seu conhecimento e precisa usar sua inteligência muito mais que sua erudição e aprender com o que acontece.

Um dos pequenos problemas do livro é que, por conta do amplo número de personagens e situações, algumas coisas são resolvidas de repente, sem muito aviso e deixando um pouco de dúvida na cabeça do leitor. Mesmo assim, isso não acontece o suficiente para deixar uma marca da estória.

No geral, o livro atendeu plenamente suas expectativas e recomendo fortemente para quem gosta desse tipo de fantasia.

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§ One Response to The Anubis Gates

  • Enrique says:

    Eu gosto pra caramba do Tim Powers, e descobri ele meio que por acaso. Um título dele me caiu nas mãos, o “Three Days to Never”, e eu fui praticamente sugado para dentro do livro. A história envolvia uma descoberta sinistra do Albert Einstein, feitiços audiovisuais de Charlie Chaplin, a polícia secreta israelense e suas transações sobrenaturais, e muito mais. Mas meu livro preferido dele é o “On Stranger Tides”, que serviu de inspiração para a série de jogos Monkey Island, e misturou piratas, zumbis e vodu muito antes do Piratas do Caribe. Ele é um escritor que usa um molde, mas um molde MUITO amplo, e que ele sabe utilizar com maestria: pegar um ou dois fatos reais, extrapolar e exagerar o que não se sabe sobre estes fatos, e contar uma bela história ao redor disso.

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