Balanço cultural de setembro

October 26th, 2009 § 0 comments

Setembro melhorou um pouco em relação a agosto mas ainda estou bem aquém do que gostaria. O resultado do mês foi o seguinte:

  • 2 livros
  • 1 filme

Nos livros, comecei o mês lendo Thunderer, do Felix Gilman. O nome e a capa do livro mais blurbs mal escritos me deixaram meio ressabiado mas as resenhas geralmente positivas e as duas indicações a prêmios do gênero finalmente me convenceram a dar uma chance à estória.

Esse primeiro trabalho de Gilman me lembrou fortemente os livros do China Miéville, que estão entre os meus favoritos do New Weird (e de fantasia em geral, na verdade). De uma certa forma, parece que Gilman leu os livros de Miéville e decidiu que consegui escrever algo similar. E para crédito do autor, acho que ele conseguiu uma boa variação sobre o mesmo tema.

Essencialmente, a estória é sobre um peregrino, Arjun, que chega na enorme e multi-facetada cidade de Ararat em busca de uma divindade perdida por sua ordem de músicos e cantores. Arjun, estranho aos costumes da cidade, já chega em meio a um evento significativo: a transmutação de um navio pertencente a uma das casas que dominam a região perto do porto da cidade–cujo nome é o mesmo do título do livro–em uma fortaleza voadora usando os poderes deixados pela esteira de uma divindade que há muito não visitava a metrópole. O responsável por isso é um cientista chamado Holbach que está convencido poder controlar os sinais e símbolos que regem os poderes sobrenaturais da cidade. Como tudo em Ararat, entretanto, cidade de milhares de deuses, a passagem desse deus muda mais do que somente o navio e Arjun logo se vê envolvido na conseqüência desses eventos.

Como é fácil perceber, Gilman realmente bebeu na mesma fonte que Miéville e sua estória segue muitos dos passados traçados por esse último em Perdido Street Station. Arjun é muito parecido com Yagharek e Holbach com Isaac Dan der Grimnebulin. Os dois primeiros estão a procura de algo que perderam e os outros dois em busca de quebrar as barreiras da magia por meio de uma incipiente ciência taumatúrgica. Todos, movidos por suas necessidades, trazem às suas respectivas vidas mais do que conseguem controlar e precisam lidar com o que não previam para tentar restaurar uma aparência de ordem em seus mundos. E, da mesma forma, os sucessos nessa empresa são parciais e insatisfatórios.

Com isso não quero dizer também que Gilman plagiou descaradamente Miéville. Ararat, como New Crobuzon, é uma cidade-personagem mas Ararat é muito mais complexa do que a cidade imaginada por Miéville. De fato, como fica logo aparente, Ararat é muito mais expressiva: suas ruas resistem mapeamento e mudam de momento a momento, é possível passar semanas tentando atravessar certas áreas da cidade sem sucesso, há uma montanha ao longe que nunca pode ser alcançada e infinitas versões passadas e futuras da cidade convivem em planos que podem ser alcançados por uso de passagens entre as vielas e casas.

O resultado disso tudo é um livro que não fica nada a dever dos outros do gênero e que acrescenta originalidade ao que já existe. Um pequena falha que é a multidão de personagens que não é plenamente desenvolvida marca um pouco o livro mas não chega a atrapalhar tanto. Uma seqüência para o livro também já existe e está na minha fila.

O segundo livro que li no mês foi The Last Theorem, uma colaboração entre Arthur C. Clarke e Frederik Pohl, dois dos maiores mestres da era de ouro da ficção científica. O livro foi a última coisa que Clarke fez. Essencialmente, ele forneceu notas sobre uma estória que posteriormente foi escrita por Pohl.

O livro conta a estória de um jovem matemático nascido no Sri Lanka que consegue encontrar uma prova rápida, de apenas cinco páginas, para o último teorema de Fermat. A estória segue toda a sua vida, da infância até sua velhice dentro do backdrop da ignorância da Terra em relação a uma frota alienígena que está a caminho para erradicar os humanos sob ordens de uma civilização galáctica maior. As duas estórias se encontram quase que por acaso mais para o meio do livro.

A estória é interessante, e Pohl continua escrevendo bem, mas achei que as premissas eram um pouco fracas demais. A resolução da ameaça é um deus ex machina que me deixou bastante frustrado. Foi bem divertido acompanhar a vida de Ranjit Subramanian e as noções irônicas de Pohl sobre as civilizações galácticas ao redor da Terra mas o livro nunca passa muito disso. Destaque para discussões sobre razão, vida e inteligência mas nem essas compensam a fraqueza do livro.

Nos filmes, o único que assisti foi The Ugly Truth, comédia romântica com Gerard Butler (de 300) e Katherine Heigl (the Grey’s Anatomy). Divertido nas situações mas absolutamente imbecil na realização do todo. O final é óbvio desde o primeiro segundo do filme e não compensa as horas gastas. O que não fazemos pelas esposas. :)

No próximo mês, talvez algo mais consistente.

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