Balanço cultural de outubro

December 3rd, 2009 § 1 comment

Outubro foi um mês um pouco mais produtivo do que setembro para minhas leituras. O resultado do mês foi o seguinte:

  • 4 livros
  • 5 filmes

Comecei o mês lendo The Anubis Gates, por Tim Powers. Powers é um autor que consegue pegar idéias incrivelmente díspares e transformar em uma obra de arte. Eu não vou me alongar muito já que fiz uma resenha mais detalhada no mês retrasado, mas deixo a minha recomendação de leitura para fãs de fantasia e ficção histórica.

Continuei o mês lendo o volume oito da série Caballo de Troya do J. J. Benítez. Apesar do pesares e da fama ou infâmia dos livros, eu gostei muito dos quatro primeiros volumes, e acho que o Benítez conta uma boa estória quando quer. Infelizmente, os volumes mais recentes não estão à altura dos anteriores e representa mais uma tentativa à la Paulo Coelho de recolher o máximo de uma série que já deu o que tinha que dar. Benítez, inclusive, adotou a estratégia bizarra de terminar os livros em um cliffhanger sem sentido bem no meio de uma cena que continua no próximo livro. O resultado é frustrante para qualquer leitor, é claro. Como sou insistente, é bem possível que eu continue a ler a série pelo menos para ver até onde a coisa vai dar. Mas, se você não começou, evite.

Na seqüência, li Permanence, do Karl Schroeder. Já tinha lido dois de seus livros anteriores–Ventus e Lady of Mazes–que se passam dentro de universos com características bem similares e gostei muito da sua mistura de space opera com o pós-humanismo. Permanence é a estória de um jovem que encontra um artefato alienígena–uma grande nave generacional desabitada, capaz de abrigar múltiplas espécies–que promete respostas transformadoras para a sua civilização e precisa lidar com as conseqüências disso ao mesmo tempo que se liberta do seu passado. Em uma galáxia dividida entre mundos halo e mundos iluminados–estes últimos locais onde viagens em velocidade maior do que a luz é possível e governados por uma economia tirânica–o artefato promete uma resposta para a continuidade da humanidade.

Finalmente, li To Your Scattered Bodies Go, de Philip José Farmer. O livro é o primeiro de uma série chamada Riverworld que descreve um planeta distante tanto no espaço quanto do tempo da Terra consistindo basicamente de um rio incrivelmente longo nas margens do qual toda a humanidade que já existiu desde os primórdios da Neolítico até o século vinte é ressuscitada simultaneamente e misturada. Neste primeiro livro, essencialmente seguimos um grupo centrado em Sir Richard Francis Burton, explorando os eventos logo após a ressurreição e a tentativa por parte desse grupo de entender o que está acontecendo. O livro é bastante divertido–especialmente pelo caráter cômico de diferentes culturas interagindo em um ambiente novo e hostil onde convenções sociais são derrubada a toda instante–mas termina de forma mais abrupta sem revelar muito sobre o mundo e sobre os motivos por trás da relocação da humanidade. Gostei o suficiente para querer ler os demais livros.

Nos filmes, comecei o mês vendo o incrível District 9, sobre o qual falei um pouco anteriormente. Não vou me alongar mais a não ser para me repetir ao dizer que este foi o melhor filme do ano e tem tudo para se transformar em um clássico do gênero de ficção científica.

Na seqüência, assisti novamente Watchmen. Vi a primeira vez em condições menos do que ideais e foi bom assistir novamente e perceber que continuei gostando tanto quanto da primeira vez. A adaptação realmente ficou muito boa e se há algum infidelidade à estória original isso não detrai da qualidade da obra.

Continuei vendo State of Play, um thriller policial bem fraco com Russell Crowe e Ben Affleck, lidando com a morte da amante de um congressista americano e a investigação da mesma por parte da polícia e um jornalista. O filme é um remake de uma série da BBC que, pelas indicações do IMDB, é bem melhor do que sua revisão.

O penúltimo filme do mês foi Surrogates, uma adaptação com Bruce Willis e Radha Mitchell de quadrinhos do mesmo nome contando sobre um mundo em que todos humanos usam corpos artificiais para interagirem com o mundo real. Esses corpos, perfeitos e robóticos, conseguem passar todas as sensações para o seu usuário e são uma forma perfeita de proteção, inviolável e seguros. Quando alguém começa a exterminar esses substitutos, o personagem policial de Willis pega o caso e descobre que há algo maior em progresso. O filme é bem interessante em seus questionamentos e o final, se relativamente fraco, termina o filme de maneira decente. Recomendado.

Para terminar o mês, asssisti Duplicity, uma divertida comédia com Clive Owen e Julia Roberts sobre dois agentes secretos que decidem agir em conjunto para dar um golpe em seus clientes. A dinâmica dos dois atores principais–que eu já tinha admirado em Closer–é muito boa e funciona muito bem ao longo de todo o filme. O final é diferente do usual e foi bem satisfatório.

No próximo mês, bons livros e filmes ruins. :)

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§ One Response to Balanço cultural de outubro

  • Cristiano says:

    i o primeiro volume da série Cavalo de Tróia, entusiasmado com a premissa sci-fi de viagem no tempo… para os tempos de Cristo! Isso, para um adolescente nerd e cristão como era, foi um prato cheio. Mas ao longo do livro, diga-se de passagem bem escrito e produzido, fui percebendo aos poucos uma “mensagem” por trás da trama me impediu de gostar totalmente da obra.

    Comecei a ler o livro número 2, e parei em uma parte onde percebi que não iria continuar com a leitura de jeito nenhum. Cada um faz suas escolhas, e continua vivendo à partir delas.

    Como fã de HQs, não posso deixar de dizer que Watchmen é a melhor série de quadrinhos já produzida. Uma crítica social do nosso mundo e do mundo dos heróis, fruto do gênio criativo de um grande e doidão autor, Alan Moore. Contudo, ao ver o filme, vi que a história simplesmente não era para mim e, confesso, revi os meus conceitos. Não era só que não gostei do filme, mas percebi que não me identificava em nada com a história. Ainda acho a melhor série já escrita, mas não entra mais para a minha lista de favoritos; tanto que dei os meus 4 volumes para alguém que gostava mais, e segui com a vida.

    Novamente: cada um faz suas escolhas. Cheguei até mesmo a compartilhar deste momento em meu blog.

    Belas dicas deste seu balanço cultural. Como você consegue arranjar tempo para ler tanto?

    God bless.

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