Balanço cultural de novembro

December 28th, 2009 § 3 comments

Estou de férias, depois de um mês final intenso de trabalho, o que significa que o blog está meio abandonado nesses últimos dias do ano. Mesmo assim, decidi manter pelo menos a tradição dos balanços culturais mensais para terminar o ano e começar 2010 com novos textos que estou escrevendo entre um passeio e outro.

Novembro foi um mês regular, com o seguinte resultado:

  • 3 livros
  • 6 filmes

Nos livros, comecei o mês com The Accidental Time Machine, do Joe Haldeman. Embora Haldeman seja bem famoso por seus trabalhos anteriores, esse é apenas o segundo dos seus livros que leio–ambos sendo produções mais recentes. Como eu tinha escrito anteriormente, também, The Accidental Time Machine é um homenagem cheia de humor e bem embasada cientificamente de todas estórias de viagem do tempo que já foram escritas. Quando um assistente de pesquisa do MIT chamado Matthew Fuller inventa sem querer uma máquina de viajar no tempo e descobre que ela somente vai para o futuro, ele se vê jogado para longe de sua época e envolvido cada vez mais em situações que não pode controlar. A leitura é rápida–o livro é quase uma noveleta–mas demonstra o talento de Haldeman em criar situações críveis com pouco esforço.

Segui o mês lendo Numerati, do Stephen Baker. O objetivo do livro é falar sobre como a matemática está sendo empregada para processar quantidades enormes de dados, modificando como vários campos e áreas de atuação humana funcionam, incluindo medicina, compras, segurança, saúde e mesmo relacionamentos. Um dos focos primários do livro é a Internet, é claro, e como os traços que deixamos na mesma são parte desses dados e como isso pode ajudar ou, em alguns casos, piorar a forma como vivemos e vemos o mundo.

A premissa do livro é interessante mas ele cai no mesmo problema de muitos outros livros sobre assuntos similares publicados nos últimos dois ou três anos: essencialmente, o livro é um artigo longo que foi transformado em uma obra impressa pelo expediente de clonar e adaptar o mesmo tópico vez após vez. Todos os capítulos do livro possuem exatamente a mesma estrutura: um, o campo X está produzindo quantidade enormes de dados; dois, nesse campo X, matemáticos estão usando os dados para tentar entender melhor o mesmo; três, no campo X, a matemática ainda não é suficiente para fazer o que esses pesquisadores querem; quatro, um dia a matemática vai ser; e assim por diante. Funciona para o primeiro capítulo, mas deixa os demais bem tediosos.

Fechei o mês lendo Saturn’s Children, do Charles Stross. Como já mencionei aqui várias vezes, Stross é um dos meus autores favoritos e seus livros raramente decepcionam. Saturn’s Children é sua space opera mais recente, contando sobre um futuro em que a espécie humana se tornou extinta e o Sistema Solar foi colonizado pelos andróides que serviam a humanidade antes de sua saída do palco cósmico. O livro segue Freya Nakamichi-47, uma bishōjo ginóide, que acaba se indispondo com a aristocracia cibernética e é forçada a se envolver com uma corporação de couriers para conseguir escapar se seus perseguidores, descobrindo no processo uma conspiração para controlar a sociedade andróide.

Como todo Stross, o livro é recheado de conceitos exuberantemente futuristas e possui uma estória interessante. Entretanto, ao contrário de seus trabalhos anteriores, senti uma certa necessidade de exagerar na exploração da sociedade andróide–que, obviamente, é fundamentalmente diferente da nossa sociedade e, como em todo trabalho de ficção científica, difícil de precisar–e também uma certa dificuldade em manter o balanço entre explicar e esconder a conspiração para não deixar a estória vazia. Stross sucede em contar a estória bem, mas acaba tendo que correr no final e explicar mais do que o necessário. Bom, mas não seu melhor trabalho.

Nos filmes, comecei o mês com Battlestar Galactica: The Plan, um filme feito após o fim de série que se propõe a contar um pouco mais sobre os motivos dos cylons em exterminar a humanidade. O filme superpõe cenas retiradas da série, para contextualização, com material novo exclusivamente do ponto de vista dos vários modelos dos cylons. O material novo é focado bastante nas especulações e motivações de dois Number Ones (Cavil) que se vêem em espectros opostos do pensamento cylon. Interessante, e com algumas boas cenas, mas dificilmente acrescenta algo ao que a série tinha mostrado.

Depois disso, foi a vez de 2012. Previsivelmente, o filme é bem descerebrado e só conta pelos efeitos especiais que dominam 90% das cenas. Vale a pena ser visto como um filme de desastre para acabar com todos filmes de desastre–e diverte nesse aspecto–mas só por isso mesmo.

Na seqüência, vi Law Abiding Citizen. Esse era um dos filmes do ano que eu estava esperando com bastante expectativa pela possibilidade de ser um novo Se7en, ou seja, perturbador mas sublime em contar uma estória violenta em que todas as pontas de encontram. Infelizmente, após um começo bom mostra-se incapaz de manter qualquer coerência e termina em um final ridículo e sem sentido, contrariando o resto do filme. Desapontou.

Os três filmes restantes foram Ghosts of Girlfriends Past (um tentativa de parodiar Dickens romanticamente), He’s Just Not That Into You e The Accidental Husband, parte da cota mensal de filmes românticos escolhidos pela esposa. Como ela mesmo comentou após um deles: não valem o DVD em que estão sendo distribuídos.

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§ 3 Responses to Balanço cultural de novembro"

  • Leonel says:

    Já assistiu o filme “Primer”? Não lembro de ter lido algum comentário aqui. Acho que iria gostar.

  • Olá Ronaldo, tudo bom?

    Finalmente tomei a iniciativa de deixar aqui os meus mais sinceros parabéns! Seu blog recorrentemente aparece em minhas buscas no Google, sempre com conteúdo relevante. Gostaria de pedir inclusive permissão para copiar sua idéia de publicar o balanço cultural, que além de tudo motiva a manutenção de uma vida cultural! Acho que hoje em dia, com a correria do nosso modo de vida isso acaba sendo deixado de lado, e estou aproveitando o final do ano para fazer uma boa reflexão a respeito. Mais uma vez, parabéns, e abraços!

  • Ronaldo says:

    Opa, Leonel! Tudo bom?

    Vi sim. Até escrevi um pouco em 2007:
    http://logbr.reflectivesurface.com/2007/04/29/primer/

    O filme é bom mesmo. Complicado de entender, mas vale a pena o esforço. :)

    Fábio, tudo bom? Obrigado pelos comentários e pelas vistas. Espero continuar a escrever o suficiente para continuar interessando o pessoal. :)

    Sobre o balanço cultural, a idéia não é minha–eu próprio copiei do Nemo Nox. Acabo me limitando mais a livros e filmes e preciso me expandir mais para teatro e outras coisas também. Fique à vontade para usar o formato–não acho que o Nemo Nox vá se importar. :)

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