O céu está daquela cor outra vez. Cor de céu de fim de ano, um vermelho pálido como a cor das coisas que se vão. E não é de se admirar: dez anos já, dez anos desde o início de um milênio que prometia muito mas só trouxe mais do mesmo.
Você vê: neste ano, perdemos pouco mais perdemos o suficiente para enxergar que não há tanta coisa assim à nossa frente. Meu Deus, Brittany Murphy morreu domingo passado. Ela só tinha trinta dois anos–eu tenho trinta e um. E morreu também Michael Jackson. Eu não gostava de sua música. Eu tinha, sim, pena de sua conturbada e desperdiçada vida. Tão desperdiçada que seus olhos contavam, cantavam toda uma não-história para quem quisesse escutar. E nós o considerávamos imortal, mesmo assim.
Mas é fim de ano outra vez. Fim de um ano de muito pouco para lembrar além do massacrante mover dos nefastos mecanismos do dia-a-dia. Zeus do alto do Olimpo olhando para os pobres mortais, seus irmãos sorrindo diante do plano que traçaram para aqueles que nada conhecem. Maldito sejam os deuses.
E, sim, é fim de ano mais uma vez. Que finde em paz. Em jazz e em blues. Notas em uma guitarra fosca, quase desafinada. Blind Lemon Jefferson cantando “Backwater rising”, an end of year blues.

Orra!
Massa o seu texto… parabéns!
Juliano, obrigado! Fico bem contente que você tenha gostado.