Fazendo aquilo com o Groupon

January 2nd, 2011 § 6 comments

Há uma grande discussão acontecendo agora sobre o modelo de negócios do Groupon. Depois que a empresa recusou a oferta de aquisição do Google, a pergunta que todo mundo está se fazendo é se os donos o Groupon são insanos ou brilhantes, tão confiantes no seu modelo de negócios e na habilidade do mesmo de ir além de qualquer oferta que o Google possa fazer–e isso depois da oferta ter sido dobrada duas vezes.

John Battelle é um dos que pensam que o Groupon fez a escolha certa. Ele escreve:

Good sources have told me that Groupon is growing at 50 percent a month, with a revenue run rate of nearly $2 billion a year (based on last month’s revenues). By next month, that run rate may well hit $2.7 billion. The month after that, should the growth continue, the run rate would clear $4 billion.

Battelle atribui isso a uma combinação de fatores: relacionamentos, localização e timing–veja o artigo para uma explicação maisprofundo do que torna o Groupon quase que irresistível para pequenos negócios. E como ele nota em seu artigo, a run-rate demonstrada até agora pelo Groupon é o triplo do que o próprio Google experimentou em seus anos iniciais.

Eu estava conversando com um amigo outro dia sobre compras coletivas e ele disse que o maior problema que afetaria e eventualmente mataria o modelo de negócios dessas empresas seria o churn, isto é, o fato de que muitas dessas ofertas estão criando problemas para os pequenos negócios usando a plataforma. De fato, há dezenas de histórias sobre pessoas sendo maltratadas porque chegaram com um cupom do Groupon ou equivalente local e o negócio em questão já estava irritado por estar perdendo dinheiro com esses clientes. Eu escutei várias dessas histórias em primeira mão e em muitos casos, os donos tinham calculado incorretamente o que podiam ou deveria oferecer e ficaram descontendes com a experiência com um todo, consequentemente se tornando menos e menos interessados em trabalhar novamente com compra coletiva.

Eu acredito que o churn que estamos vendo é somente uma conseqüência da forma como novos mercados funcionam. Se o Battelle está correto–e eu acredito que sim–o churn se tornará cada vez menor à medida que os negócios encontrem seus sweet spots no ecossistema. Eu não vejo porque, por exemplo, o Groupon não possa oferecer uma ferramenta que permita que os negócios entrem com alguns parâmetros e depois deduza o preço relativamente ideal para uma certa oferta. De fato, isso nunca vai ser exatamente precisa mas dará aos negócios usando a plataforma uma maneira de evitar os problemas mais extremos.

Em última instância, porém, eu acredito que o Groupon será bem sucedido porque está mudando a forma como as pessoas se relacionam com os negócios locais. Recentemente, falando com dois outros amigos, eles me contaram como os clones locais estão tendo um impacto em seus padrões de compra.

Um deles, divorciado, nos seus quarenta, disse que não janta fora mais a menos que tenha um cupom. Esses cupons o estão ajudando a aumentar o price point dos seus gastos e, consequentemente, melhorar os locais que ele pode freqüentar. Com a ajuda dos cupons, ele está indo para locais mais caros mais vezes por semana. Essa é uma mudança grande que está beneficiando o meu amigo e os pontos que ele gosta. Como os negócios estão se tornando mais cuidados e aumentando os gastos colaterais, como bebidas e outros–algo perfeitamente aceitável–isso faz com que o resultado seja proveitoso para todos envolvidos.

O outro amigo, com seus trinta anos, disse que que compras coletivas estavam na verdade ajudando que ele transasse mais. Ele é solteiro e está usando uma variedade de cupons–restaurantes, spas, roupas, pequenos itens–para impressionar e interessar mulheres. Ele ainda está usando uma quantidade considerável de dinheiro mas o Groupon e seus similares estão fazendo com que ele gaste esse dinheiro de forma mais eficiente em direção ao seu objetivo–que, sejamos sinceros, incluem no momento transar tantas vezes quanto possível no menor período de tempo. E é quase auto-evidente pela forma que mercados funcionam que qualquer coisa que ajude pessoas a conseguirem mais sexo–ou encontram qualquer medida de satisfação sexual–está em condições muito melhores de ser bem sucedido.

E aqui você tem o resumo final: pessoas estão fazendo mais sexo com o Groupon. E isso torna a sua posição mais forte ainda. Battelle está correto–do ponto de vista dos pequenos negócios–e meu amigo também está correto–do ponto de visto do consumido.

E dos dois modos, o Groupon vence.

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§ 6 Responses to Fazendo aquilo com o Groupon"

  • Guilherme says:

    Não imagino que, na hora de pagar a conta, usar um cupom seja exatamente sexy.

  • Ronaldo says:

    Eu também não. Mas, de alguma forma, parece que está se tornando socialmente aceitável já que parece estar funcionando bem para ele. 😉

  • Minha grande questão é: uma vez que o churn seja eliminado, o que impede que o “ponto ótimo” de preço total seja simplesmente o que já existia antes no mercado?

    Eliminado o churn, que tipo de valor exatamente o Groupon realmente oferece para o grupo “consumidor + pequenos negócios”, que o mercado antes-do-groupon não conseguia oferecer eficientemente?

  • Ronaldo says:

    Eduardo, sobre a primeira questão, nada impede. O preço ótimo vai ser uma função de demanda/oferta, percepção do público e assim por diante, como é hoje. Aliás, fica muito claro em algumas ofertas que o preço inicial é bem superior ao preço que você encontraria direto, e que a promoção é simplesmente uma forma de atrair. Desonesto? De forma alguma–o mercado acha seu equilíbrio.

    Quanto à segunda questão, veja o artigo do Battelle: awareness. O Groupon não é diretamente sobre economia, mas sobre o relacionamento entre os clientes e os negócios. Hoje, com a multiplicação de “oferteiros”, isso passa meio que desapercebido. Mas com o mercado consolidando, isso começa a sair de frente. É diferente de páginas amarelas ou mesmo de guias.

    E claro, sabe-se lá o que vem pela frente. Controle próprios pelos negócios, seus próprios deals, comparações, compras reversas? É o que vamos ver.

  • > “Sobre a primeira questão, nada impede. O preço ótimo vai ser uma função de demanda/oferta, percepção do público e assim por diante, como é hoje. Aliás, fica muito claro em algumas ofertas que o preço inicial é bem superior ao preço que você encontraria direto, e que a promoção é simplesmente uma forma de atrair. Desonesto? De forma alguma–o mercado acha seu equilíbrio.”

    Sem dúvida.

    > “Quanto à segunda questão, veja o artigo do Battelle: awareness. O Groupon não é diretamente sobre economia, mas sobre o relacionamento entre os clientes e os negócios. Hoje, com a multiplicação de “oferteiros”, isso passa meio que desapercebido. Mas com o mercado consolidando, isso começa a sair de frente. É diferente de páginas amarelas ou mesmo de guias.”

    Certo. Fui ler o artigo depois de eu ter comentado aqui. Eu só diria que relacionamento entre clientes e os negócios _também_ é economia, e uma parte importantíssima dela (estou sendo chato apenas. entendi o que você quis dizer :).

    Os argumentos lá fazem sentido. Mas aí eu fico pensando se isso não é só uma justificativa feita _depois_ da valorização para tentar explicar o crescimento excessivo. Será que esse modelo se sustentará e será realmente tão valioso perante o mercado depois que: 1) o público aprenda a diferenciar descontos reais de “imaginários” (com preços iniciais inflados); 2) os comerciantes aprendam a calcular os preços para não levar prejuízo?

    > “E claro, sabe-se lá o que vem pela frente. Controle próprios pelos negócios, seus próprios deals, comparações, compras reversas? É o que vamos ver.”

    Vamos ver. Eu vou ficar assistindo de longe. :)

  • Ronaldo says:

    > “Os argumentos lá fazem sentido. Mas aí eu fico pensando se isso não é só uma justificativa feita _depois_ da valorização para tentar explicar o crescimento excessivo. Será que esse modelo se sustentará e será realmente tão valioso perante o mercado depois que: 1) o público aprenda a diferenciar descontos reais de “imaginários” (com preços iniciais inflados); 2) os comerciantes aprendam a calcular os preços para não levar prejuízo?”

    Sobre isso, depende muito. O primeiro amigo, que estava falando sobre o churn acho que é exatamente isso que vai levar ao fim da coisa toda. Mas eu acho que a maior vantagem do Groupon não está em $$$ puramente, mas em discoverability, ou awareness. Eventualmente, ele começa a criar clientes fiéis–mas não para todos, é claro. E para essa porcentagem, vira mais um canal de mídia. Para o cliente final, deixa o churn comer. :)

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