Among Others

October 1st, 2012 § 0 comments

Eu sigo a Jo Walton há um bom tempo através dos seus textos no site da Tor mas não tinha lido quase nada dela embora tivesse gostado muito de Farthing, meu primeiro contato com seus trabalhos.

Among Others seguiu um padrão similar. Li vários comentários elogiando o livro mas só depois de ler uma resenha do Tim Bray e ver a indicação ao Hugo (que o livro, inclusive, venceu recentemente) é que decidi comprá-lo.

Among Others é um Bildungsroman, a estória de Mori, uma garota que pode ver fadas, fazer mágica, e que adora ficção científica e fantasia mais do que qualquer outra coisa no mundo.

É também a história de uma garota problemática, que teve que usar a magia para impedir que sua mãe, uma bruxa, dominasse o mundo, perdendo sua irmã gêmea no processo, e terminando em um odioso internato contra a sua vontade. Isso é o que você descobre, ainda que de forma vaga, nas primeiras páginas do livro.

Tudo isso é contado na forma de um diário que ela escreve durante um período que abrange cerca de dois anos no final dos anos setenta e início dos anos oitenta.

A partir dessa descrição é fácil perceber que o livro de Walton não é uma fantasia urbana comum. Jo Walton consegue criar um mundo convincente, em que a magia é sempre possível e sempre negável; e consegue também colocar o leitor em um estado de espírito em que ele ou ela está sempre questionando se o que estão lendo é real ou apenas ilusões de uma garota que sofreu eventos traumáticos e tinha que entender que a experiência de um ponto de vista fantástico.

Claro, eu vou deixar para você decidir qual interpretação faz mais sentido, mas o que posso dizer de antemão que Jo Walton termina o livro com tanta graça que você dificilmente se importará. O livro é belo e sugestivo e satisfatório–mesmo que, como freqüentemente acontece com os livros que você gosta, acabe muito cedo.

O mundo de Mori é crível porque não é exagerado ou detalhado. Mistérios existem, mas eles existem de um modo com o qual é possível se relacionar confortavelmente já que são vistos, por nós, apenas com o canto dos olhos.

Para os amantes de ficção científica e fantasia, o livro tem um apelo adicional porque também se ambienta em torno do amor de Mori por esses gêneros. Ela é uma ávida leitora e muitos dos pontos mais interessantes do livro são descritos no contexto de algum clássico que ela está lendo (clássicos geralmente do nosso ponto de vista dado o ano em que a estória acontece) e suas reações (ou das pessoas do clube de SF&F do qual ela faz parte). É a carta de amor de Jo Walton ao gênero, tecida de tal maneira na narrativa que não atrapalha em nada o passo da mesma.

Sentirei falta da estória Mori e a visitarei mais vezes em tempo. Como ela diria, foi maravilhamento puro–embora, por vezes, visto através de lágrimas.

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