WIP

October 5th, 2012 § 0 comments

E foi em um dia qualquer de verão
Em que tomei do meu pincel e, sereno,
De frente me coloquei para a tela,

Buscando de uma fonte segura—decerto
Tão velha quanto a humana existência
Que professamos nesse pedaço de chão—

Um respirar que me guiasse ao umbral
De uma revelação transcendente de desejo
E da própria vontade de aqui se fazer;

E me encontrei destituído de vigor,
Esgotado e consumido até a medula,
Aterrado pela súbita ausência de ser.

Lentamente, com o mesmo esforço cansado
Que um dia daria cautela a estes ossos,
Fiz do pincel minha própria declaração.

E nessa tela vazia, tomada então à força,
Revelou-se o mundo em espectros outros,
Abertos ao meu cuidadoso inspecionar.

Quando do meu trabalho em progresso
Tirei o que de completo sabia estar lá,
Cuspi de volta o que da fonte não bebera.

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