A anomalia Pioneer

January 21st, 2008 § 6 comments § permalink

Por volta de 1998 ou 1999, eu me lembro de ter ficado intrigado com um relatório sobre as missões Pioneer 10 e Pioneer 11 que indicava que as duas sondas estavam sofrendo ligeiros desvios de velocidade e trajetória em seus continuado caminho para fora do Sistema Solar.

O relatório causou bastante especulação na época e vários explicações foram dadas incluindo erros de interpretação de dados, vazamentos minúsculos de gás, e, é claro, influência alienígena. Vários testes foram feitos e várias explicações descartadas, mas não se chegou a nenhuma conclusão.

O que eu não tinha percebido na época, e só descobri recentemente, é que o efeito estava sendo observado também na Galileo e Ulysses, lançadas bem depois e em vetores completamente diferentes. De lá para cá, o fenômeno, que ganhou o nome popular de Pioneer Anomaly já foi estudado exaustivamente e sua soluções continua a eludir a comunidade científica. Vários esforços estão sendo feitos para normalizar dados de várias missões e finalmente descartar artefatos nas leituras de dados, buscando então uma solução real se essa existir.

Enquanto isso não acontece, vários físicos estão propondo soluções principalmente considerando que várias das novas missões–Rosetta e Cassini-Huygens incluídas–estão experimentando efeitos similares. É possível também que a sonda New Horizons, que está a caminho de Plutão, possa ser usada para verificar algumas embora muito do que se pode fazer dependa de fatores quase que imprevisíveis.

Obviamente, eu estou muito curioso sobre futuros desenvolvimentos relacionados ao problema e achei incrível um novo trabalho publicado recentemente que sugere que as anomalias possam ser causadas por algo conhecido como radiação Unruh. Eu não pretendo dizer que entendo um décimo do que o artigo está falando, mas aparentemente, corpos sendo acelerados além de um certo limite experimentam mudanças inerciais causadas por essa radiação cujo comprimento de onda em baixas acelerações é maior que o diâmetro do Universo. As mudanças são consistentes com o que foi observado nas sondas, embora as conclusões ainda sejam completamente teóricas.

É nessas horas que eu sinto vontade de fazer um curso de física ou astronomia. O Universo é certamente um local extremamente fascinante.

O outro lado de Mercúrio

January 16th, 2008 § 7 comments § permalink

Depois de executar o seu primeiro fly-by em torno de Mercúrio, a sonda MESSENGER começa a retornar as primeiras fotos e elas são impressionantes.

A MESSENGER é a primeira sonda a visitar Mercúrio em 30 anos e começou sua missão em 2004. O fly-by executado ontem é o primeiro de três ao redor do pequeno planeta e a inserção orbital só acontecerá no começo de 2011. Mas, mesmo que o começo real da investigação de Mercúrio esteja distante, os resultados intermediários já estão valendo a pena.

A foto mostrada aqui (clique na mesma para versões maiores e mais informações) foi tomada de uma distância de 27 mil quilômetros e mostra um lado do planeta que ainda não havia sido visto nas outras vezes em que sondas visitaram o planeta por causa de suas trajetórias diferentes em relação ao modo como Mercúrio orbita o Sol.

Em preto e branco, Mercúrio se parece muito com a Lua, bombardeado e cheio de crateras, mas o site da missão está prometendo fotos coloridas que vão revelar em detalhe muito maior as características da superfície do menor planeta do Sistema Solar.

Eu confesso que fico completamente empolgado com essas missões. Eu passei o ano novo de 2000 acompanhando a Cassini e torcendo para que tudo desse certo no fly-by de Júpiter. Mercúrio é um planeta basicamente desconhecido e acompanhar as explorações dos próximos anos vai ser algo fascinante.

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