Por volta de 1998 ou 1999, eu me lembro de ter ficado intrigado com um relatório sobre as missões Pioneer 10 e Pioneer 11 que indicava que as duas sondas estavam sofrendo ligeiros desvios de velocidade e trajetória em seus continuado caminho para fora do Sistema Solar.
O relatório causou bastante especulação na época e vários explicações foram dadas incluindo erros de interpretação de dados, vazamentos minúsculos de gás, e, é claro, influência alienígena. Vários testes foram feitos e várias explicações descartadas, mas não se chegou a nenhuma conclusão.
O que eu não tinha percebido na época, e só descobri recentemente, é que o efeito estava sendo observado também na Galileo e Ulysses, lançadas bem depois e em vetores completamente diferentes. De lá para cá, o fenômeno, que ganhou o nome popular de Pioneer Anomaly já foi estudado exaustivamente e sua soluções continua a eludir a comunidade científica. Vários esforços estão sendo feitos para normalizar dados de várias missões e finalmente descartar artefatos nas leituras de dados, buscando então uma solução real se essa existir.
Enquanto isso não acontece, vários físicos estão propondo soluções principalmente considerando que várias das novas missões–Rosetta e Cassini-Huygens incluídas–estão experimentando efeitos similares. É possível também que a sonda New Horizons, que está a caminho de Plutão, possa ser usada para verificar algumas embora muito do que se pode fazer dependa de fatores quase que imprevisíveis.
Obviamente, eu estou muito curioso sobre futuros desenvolvimentos relacionados ao problema e achei incrível um novo trabalho publicado recentemente que sugere que as anomalias possam ser causadas por algo conhecido como radiação Unruh. Eu não pretendo dizer que entendo um décimo do que o artigo está falando, mas aparentemente, corpos sendo acelerados além de um certo limite experimentam mudanças inerciais causadas por essa radiação cujo comprimento de onda em baixas acelerações é maior que o diâmetro do Universo. As mudanças são consistentes com o que foi observado nas sondas, embora as conclusões ainda sejam completamente teóricas.
É nessas horas que eu sinto vontade de fazer um curso de física ou astronomia. O Universo é certamente um local extremamente fascinante.

