Como blogar efetivamente, ficar famoso e ganhar leitores sem parecer um plagiador

October 20th, 2008 § 12 comments § permalink

O Google registra nada menos que 77 milhões de referências a “como blogar”. Milhares de conselhos dispensados por famosos e não famosos que tentar ensinar a outros (e convencer a si próprios) como chegar à ponta da vasta cauda longa que compreende as múltiplas e dissonantes blogosferas espalhadas por aquilo que se convencionou chamar a Web.

O que nenhum desse milhões de textos diz é que a verdade é bem mais simples do que parece. Neste pequeno texto, chame de cartilha se quiser, apresento o método mais efetivo, mais seguro e mais recompensador de se erguer aos pináculos da sua blogosfera de escolha. E isso tudo sem o inconveniente de parecer um plagiador.

O método descrito abaixo compreende a criação de um formato específico de artigo, necessariamente longo–o que significa que a técnica só vai funcionar para aqueles com paciência de escrever algo além das médias três linhas que compõem o usual texto de um blog–dispensado aos leitores em doses ocasionais, duas a três vezes por semana. Esse texto possui seções específicas que agora descrevo:

Parte I – Do assunto

O primeiro passo é escolher um tema que esteja em voga. Atualmente, por exemplo, pode ser algo relacionado à crise econômica, Obama versus McCain, o sempre presente fluxo de start ups Web, os lançamentos de produtos de firmas Web famosas e assim por diante. Se você não consegue ter idéias, basta visitar um site de notícias Web qualquer e usar a inspiração.

Como é possível ver, escolher o assunto é muito simples. Basta reusar algo que está sendo falado ou que está no “inconsciente coletivo” da Web no momento. Você vai perceber depois de alguns artigos que não é necessário nenhum tipo de originalidade. Afinal de contas, ninguém é original.

Parte II – Do título

O título, novamente, é tão simples quando escolher o assunto. Na verdade, existem somente três tipos de títulos que levam ao estrelato. A menos que você queira variar ocasionalmente, para surpreender um ou outro leitor, você deve ser conformar a estes três padrões, que são:

  • Como [alguma coisa]. Por exemplo, Como blogar efetivamente, ficar famoso e ganhar leitores sem parecer um plagiador; ou Como entender as eleições americanas, ou Como ser um marketeiro eficaz.
  • [N] passos para [alguma coisa]. Por exemplo, 5 passos para blogar efetivamente, ficar famoso e ganhar leitores sem parecer um plagiador; ou 3 frases para entender as eleições americanas, ou 9 atitudes para ser um marketeiro eficaz.
  • D[a/as/o/os] um [assunto qualquer]. Por exemplo, Dos passos para blogar efetivamente, ficar famoso e ganhar leitores sem parecer um plagiador; ou Das necessidades de entender as eleições americanas, ou Das vantagens de ser um marketeiro eficaz.

Como é possível perceber, não existe esforço nenhum em criar um título eficiente. Basta adaptar alguma frase pequena nos moldes acima e você terá um pagerank vencedor à sua espera.

Parte III – Da introdução

Depois de falar na parte fácil, é hora de falar da parte mais difícil. Como o seu professor de literatura da quinta série costumava dizer, a introdução e a conclusão são duas das partes mais importantes de um texto. Já que só sobra o desenvolvimento, acho que esses professores estavam pensando em seus alunos como blogueiros futuros.

Mas, infelizmente, tais professores estavam certos. A parte mais difícil de um texto vencedor é a introdução. E isso porque, de todo o resto, é a única que vai exigir um módico de originalidade. Se você começar a copiar na introdução, vai ser sacado rapidamente. Mas não se preocupe, como uma boa introdução não passa de dois ou três parágrafos–que podem ser curtos–o risco de errar é mínimo.

Para uma boa introdução, basta criar esses dois os três parágrafos–que podem ser duas ou três linhas na verdades, mas não se esqueça das quebras para torná-los mais convincentes–com alguma citação famoso seguida de uma declaração sobre como você vai iluminar o assunto. Varie isso a cada artigo e os leitores vão achar que você é, além de tudo, um erudito.

Parte IV – Do conteúdo, ou, da verborréia necessária

Se a introdução é complicada, o conteúdo em si é absurdamente simples. Tudo o que é necessário é uma quantidade razoável de verborréia parafraseadas, citada e puramente copiada e você está pronto para a glória.

Para acertar a mão, basta seguir os passos abaixo:

  1. Primeiro, encontre um autor que tenha escrito algo que seja pertinente ao seu assunto (mesmo que apenas de leve) e que esteja em voga. Atualmente, livros como A Lógica do Cisne Negro, Blink, The Tipping Point, Freakonomics, The Long Tail, The Big Switch, Linked ou qualquer outra nessa linha de assuntos modernosos que se propõem a explicar tudo sobre tudo.

  2. Livro escolhido, você precisa agora seguir um padrão bem simples: três parágrafos de paráfrase, ou seja, falando exatamente o que o autor falou em algum ponto do livro com suas palávras, e um parágrafo citando o autor do livro. Para cada conjunto desse, coloque um título parafraseado do próprio lido ou inventado na hora mesmo.

  3. Para não ficar ainda mais interessante, a cada dez ou doze parágrafos, introduza alguma citação ou paráfrase de outro autor. Se leitores vão achar você ainda mais erudito pela profundidade das correlações.

E é só. Desde que o artigo seja grande, o esforço será notado. Caso você não queira se dar ao trabalho de ler um livro ou mesmo escaneá-lo em busca de citações interessantes, um artigo em uma publicação da sua área também serve. Seja a InfoQ, Wired ou The New York Times, o importante é contar a estória direito.

Parte V – Da conclusão

Finalizar, ao contrário do que o seu professor dizia, não é tão complicado. Basta criar alguma expectativa no leitor de como ter lido aquele artigo mudou a vida dele ou explicar como, de posse das informações que você passou, que você tão cuidadosamente colou em um artigo de proporções avassaladoras, vai transformar a sua compreensão de tudo o mais e torná-lo mais erudito, famoso ou eficiente. Qualquer dessas palavras ou similares em uma frase já é vencedora.

Conclusão

Como você pode ver, o processo todo é simples (embora um pouquinho trabalhoso). Mas, como já diziam os antigos, no pain, no gain. Basta seguir as instruções, gastar uns 20 ou 30 minutos coletando citações de suas obras favoritas e você terá algo original, digno de uma mestrado ou doutorado.

Para terminar, depois de postar o texto, sente-se e aguarde as dezenas de comentários congratulando você por sua elegância, erudição e compreensão do mercado. Depois de tanto trabalho, você mereceu.


P.S.: Disclaimer Eu presumo que os leitores regulares vão perceber imediatamente que o texto acima é irônico. Mas, como várias pára-quedistas podem pensar o contrário, fica aqui o disclaimer. Não vai adiantar muito, provavelmente, mas o seguro morreu de velho.

Reduzindo o excesso de informações

October 19th, 2008 § 70 comments § permalink

Durante o Rails Summit ’08, vários dos palestrantes tocaram em um ponto que me chamou bastante a atenção: o tempo perdido com as várias ferramentas online que usamos como RSS, Twitter, IM e outros.

Com a movimentação pesada aqui na WebCo, nos últimos meses, o Twitter era algo que eu tinha praticamente abandonado, carregando apenas ocasionalmente para ver uma coisa ou outra referenciada pelo pessoal durante o dia. IM é algo que, felizmente, nunca usei tanto e passo a maior parte do dia sem mais do que uma conversa ocasional.

Já o RSS, nem de longe. Olhando a parte de Trends no Google Reader, fiquei meio que abismado com os números: mais de 230 subscrições, 250 textos lidos por dia, em alguns dias superando até isso. Obviamente, para “ler” isso tudo eu apenas corro o olho sobre a maioria dos títulos.

Mesmo assim, como os palestrantes acima comentaram, isso acaba sendo uma enorme perda de tempo que poderia estar sendo dedicada a coisas mais interessantes. A mesma seção de Trends apontou que a maior parte da minha leitura é feita antes do começo do dia de trabalho propriamente dita e no período de dez da noite à uma da manhã. No mínimo, sono perdido que não dá para recuperar.

Depois de ficar meio encafifado com a coisa toda, resolvi fazer uma limpeza geral do Google. A primeira coisa foi limar mais de 130 feeds que não leio mais por um motivo ou outro. O segundo passo foi modificar a forma de categorização dos feeds: removi toda a categorização antiga e dividi o que sobrou em quatro novas categorias de prioridade: blogs para leitura diária, blogs para ler nos momentos vagos ao longo do dia se houverem, blogs para leitura semana, e o restante deixei em uma lista de leituras ocasionais.

Obviamente, isso tudo só vai funcionar se eu seguir a priorização. Caso não dê certo, há sempre a possibilidade de simplesmente deixar a leitura completa somente para os fins de semana. Mas considerado que apenas uns poucos blogs estão na leitura diária (e não são pessoas que postam diariamente) e que menos do que uma dúzia estão na próxima categoria, acho que dá para gerenciar.

Eventualmente, conto se deu resultado ou não.

O peixe e o advogado

June 17th, 2008 § 1 comment § permalink

Receita para o sucesso:

  • Um ambiente agradável
  • Um peixe ruim
  • Um preço caro
  • Um texto bem escrito
  • Um advogado sem noção nenhuma
  • Cento e cinqüenta e dois comentários e contando

Misture tudo e sirva um tiro no pé de tamanho Pagerank 7. O filme queimado, é claro, não tem preço.

Lifestreaming

March 15th, 2008 § 0 comments § permalink

Com o aumento do número de serviços sociais na Web, um novo problema está surgindo: conseguir acompanhar os amigos e conhecidos nesses serviços. Se o objetivo primário é obviamente relacionar-se, uma maneira de ficar atento ao que está acontecendo nas esferas dos seus Indivíduos de Interesse, para parafrasear Iain M. Banks, é vital.

De dois anos para cá–embora o conceito seja um pouco mais antigo–muita gente está experimentando (1, 2, 3, 4) como lifestreams, agregações completas do material que é produzido nos vários serviços usados e disponibilizado via RSS.

O formato parece que está para estourar e vai ser interessante ver os usos que serão feitos sobre o mesmo. Para quem quer experimentar, há uma enorme seleção de serviços disponíveis, cada um com suas vantagens e desvantagens. Só a existência de tantas opções já demonstra que o conceito está se tornando mainstream e que é bem possível que em um ano seja uma das formas primárias de relacionamentos sociais online.

Aliás, isso é particularmente interessante porque quebra um pouco a questão de jardins fechados e expande sobre a idéia tradicional de blogs e planets.

Mais interessante ainda vão ser os cruzamentos possíveis sobre a informação gerada. Alguma aplicação possível de filtros bayesianos para correlacionar assuntos de interesse ao longo de topo espectro de lifestreams acompanhadas daria algo no sentido de capturar memes e reduzir a fricção causada pelo dilúvio de informações produzidas.

De qualquer forma, é um campo para se acompanhar de perto.

Planeta Superfície Reflexiva

February 5th, 2008 § 3 comments § permalink

Depois de tanto ouvir o Sam Ruby falar em seu projeto Venus, resolvi experimentar e criar uma instalação para mim. O resultado é o Planeta Superfície Reflexiva que agrega todos os feeds que eu leio em um único “rio de notícias”. Gostei da forma como ficou e eventualmente isso pode até substituir o meu uso do Google Reader.

Uma parte interessante do Planeta é a descoberta automática de memes no que eu estou lendo. Isso permite prestar mais atenção ao que muita gente está lendo e comentando no momento. Outro bom efeito colateral foi perceber quais blogs assinados estão inativos ou com feeds redirecionados ou coisas similares.

Eventualmente eu quero experimentar com uma planeta secundário com os feeds de comentários dos blogs também para ver no que dá.

Obviamente, sendo esses os meus próprios feeds de interesse, imagino que não vão ser de muita utilidade para os outros. Mas, no caso raro de alguém se interessar, o período de atualização é de duas em duas horas. No momento, a propósito, como eu acabei de instalar, itens antigos estão aparecendo na frente de outros mais novos mas isso se resolve em alguns ciclos de atualização.

Dez anos

January 31st, 2008 § 6 comments § permalink

Como 2008 já entrando em fevereiro, percebi que já leio blogs em uma base freqüente há dez anos e que existem alguns que eu acompanho há quase o mesmo número de anos.

O primeiro blog que eu li, e que passei a acompanhar, foi o Scripting News, do ao mesmo tempo famoso e infame David Winer. Na época, embora ele já oferece o site em formato XML, RSS como conhecemos hoje não existia e eu acompanhava o site através de visitas diárias.

Dois anos depois, as primeiras versões do RSS começavam a aparecer e com elas os primeiros leitores. O primeiro leitor que eu usei, em 2001, foi o finado AmphetaDesk que era um aplicação Perl local capaz de baixar e servir os feeds acompanhados por meio de um pequeno e eficiente servidor Web. Por mais simples que fosse, era uma aplicação muito boa com um controle excelente do que já fora visto e do que era importante para o usuário.

Essa foi a época do Radio UserLand e Edit This Page, onde eu cheguei a ter um blog que durou exatos dois dias, principalmente porque a plataforma era uma coisa horrenda.

Como sempre fui mais ligado com tecnologia, essa foi a época em que comecei a ler gente como Sam Ruby, Les Orchard e Ben Hammersley, gente que estava criando o que hoje é algo comum para quase todo mundo. As brigas homéricas por posição na lista dos maiores e melhores ainda estava a pelo menos dois anos no futuro.

Blogs brasileiros eu só comecei a seguir bem mais tarde, quando criei o meu em setembro de 2002. Ironicamente, comecei a escrever primeiro em inglês. Este blog em português foi lançado pouco tempo depois e eu mantive ambos bem ativos durante quase três anos. O retorno do ano passado se seguiu a um período de quase dois anos com entradas bem esporádicas.

Só de escrever esse texto já deu para lembrar de blogueiros que eu acompanhei por anos e que, por um motivo ou outro, perdi em migrações de serviços, computadores e plataformas. Os comentários feitos, as descobertas, a época em que tudo era tão novo que pensar no enorme espectro que os blogs abrangem hoje era quase impossível.

Dez anos de leituras e eu realmente tenho que agradecer aos milhares de blogueiros que gastaram seu precioso tempo escrevendo sobre os mais variados assuntos. Mesmo que eu não conheça pessoalmente nem um centésimo das pessoas que acompanho ou acompanhei, a presença delas foi um estímulo em todos os sentidos. Muito obrigado.

BlogCamp MG, resumo final

November 18th, 2007 § 6 comments § permalink

O segundo dia do BlogCamp BH, embora mais apressado e menos movimento, me deixou mais satisfeito. A quantidade de discussões foi menor, mas a qualidade certamente aumentou. Da mesma forma, deu para ver que o pessoal está ficando cansado de falar em monetização, principalmente aqueles não tão interessados em transformar o seu blog em uma ferramenta para ganhar dinheiro. O assunto ainda apareceu mas de forma bem mais moderada, não a insana sede por clicks apresentada por alguns blogueiros ontem.

Depois de algumas experiências com os “camps”, eu acho que há uma falta de balanço irônica nesses eventos. Enquanto há uma discussão imensa sobre os aspectos sociais, não há nenhuma discussão sobre aspectos tecnológicos. É claro que, e isso pelo menos na minha opinião, estes últimos servem os primeiros. Mas há uma espaço enorme para motivar mudanças em ferramentas e esse espaço não está sendo explorado. Provavelmente porque o evento é de um tipo que não atrai tanto as pessoas que poderiam eventualmente se interessar por assuntos assim.

A repetição de assuntos está ficando bem clara também. Há uma percepção de que o que se está fazendo é novo, inovador e, embora realmente haja muito disso acontecendo, não está no que se é discutido. O que se é realmente discutido me passar mais a impressão de choque futuro, uma tentativa de lidar com um passo crescente de mudanças em um universo relativamente estático de informações.

Apesar disso, o dia foi bom. Começando com a discussão sobre responsabilidade legal e passando pelas rodinhas mais individualizadas, os assuntos fluíram bem. Só tenho pena de não ter podido ficar para as discussões pós, nos bares. :-)

BlogCamp MG X

November 18th, 2007 § 1 comment § permalink

Todo mundo comeu tanto que pouca gente foi almoçar–a comida está farta mesmo–e o papo continuou em off. Começou com monetização e depois foi evoluindo para experiências do dia-a-dia.

É nesses momentos que o manifesto Cluetrain mostra a sua validade mesmo para os ditos grandes blogs: as pessoas se reconhecem como tal pelo som de duas vozes.

O interessante é que não importa o tamanho do blog, os mundinhos restritos de cada um são muito similares e acaba que cada um possui sua própria “blogosfera”. É claro que a A-list brasileira acaba puxando um pouco as estatísticas mas a experiência geral continua valendo.

Atualização: Esse fato de que não existe uma blogosfera mas várias é algo que geralmente passa despercebido do dia-a-dia, mas que é extremamente reforçado nesses eventos. Obviamente, toda comunidade procura se auto-reforçar e raramente percebe que existe uma verdadeira sala chinesa com entre essas múltiplas blogosferas com caminhos completamente diferentes acontecendo.

BlogCamp MG IX

November 18th, 2007 § 1 comment § permalink

Pausa para hora dos sorteios e almoço. Alguém está mencionando que o BlogCamp MG virou um bingo. :-)

O mais interessante de estar em um evento assim é o networking, é claro, seja profissional ou não. É muito curioso estar ao lado de alguém que você lê há anos, sem nunca ter conhecido e ver a pessoa preparando algo para postar no seu blog.

BlogCamp MG VIII

November 18th, 2007 § 1 comment § permalink

Assunto novo: direito de privacidade versus necessidade de prevenir crimes.

Aqui foge um pouco de blogs em si, mas sendo Internet há uma superposição óbvia (incluindo a falta de compreensão da Web por parte das organizações ditas tradicionais). Há uma necessidade clara de modernização em várias áreas. O âmbito jurídico dos blogs provavelmente hoje cai no sentido básico do trabalho particular escrito e há pouca flexibilidade nesse sentido.

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